21/12/2009

Região de Salinas na rota de U$ 3 bi em investimentos


Salinas pode ser beneficiada pelo projeto de investimento na
exploração de minério na microrregião pela sua localização
geográfica estratégica e infraestrutura


Segundo reportagem da jornalista Marta Vieira, publicada no jornal Estado de Minas, no dia 17/12/2009, o grupo paulista Votorantim apresentou ao governo de Minas Gerais projeto de US$ 3 bilhões para explorar minério na microrregião de Salinas, Norte de Minas Gerais, considerada a nova fronteira do minério.

O grupo investidor firmou protocolo de intenções com a empresa chinesa Honbridge, que atua na área de logística e detém minas de carvão no gigante asiático, para produção que pode chegar a 25 milhões de toneladas de ferro ao longo de 25 anos na região de Salinas.

Os direitos minerários da Votorantim no Norte de Minas indicam potencial da ordem de 3 bilhões de toneladas de minério de ferro com teor de 35% de ferro. O projeto de extração e enriquecimento do minério até o teor médio de 65%, batizado de Salinas Iron Project, deve levar de quatro a cinco anos.

Outras três empresas reunidas no Consórcio Corporativo Novo Horizonte – Mineração Minas Bahia, MTransminas e Gema Verde – já haviam anunciado a intenção de extrair minério de ferro de reservas estimadas em 12 bilhões de toneladas descobertas em área que se estende por 20 municípios do Norte mineiro, no entorno de Rio Pardo de Minas e Salinas. A manifestação de interesse da Votorantim, segundo Paulo Sérgio Ribeiro, reforça a intenção do governo estadual de participar de uma solução para o escoamento do minério de ferro, a etapa mais complicada para qualquer empreendimento.

O governo mineiro pretende contratar estudo técnico para a construção de um ramal ferroviário capaz de garantir a saída do minério para o mar, via litoral sul da Bahia, que teria cerca de 200 quilômetros de extensão, ligando a região de Grão Mogol e Salinas até o município baiano de Caitité, por onde deverá passar a Ferrovia Oeste-Leste em fase de projeto já contemplado no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Os investimentos anunciados irão causar verdadeiro boom econômico sem precedentes na economia de Salinas e região. Toda a estrutura da economia passará por profundas mudanças com grande impacto no Produto Interno Bruto e consequente geração de recursos públicos.
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Nota: Para acessar a reportagem clique no título acima.

17/12/2009

Havana eleita melhor cachaça do país


Por Roberto Carlos Morais Santiago

Não é de hoje que a cachaça vem ocupando espaço junto ao consumidor. Os meios de comunicação, antenados com a valorização da bebida no mercado interno e externo, vem divulgando a legítima bebida brasileira. O preconceito ainda existe, mas já diminuiu bastante.
A conceituada revista PLAYBOY (edição de agosto 2009) publica seu quarto ranking de cachaça. Juntou vários especialistas e fez lista definitiva das 20 melhores cachaças do país. Das eleitas, 8 são de Minas Gerais (sendo que 4 figuram entre as primeiras colocações), 4 do Rio de Janeiro, 2 de São Paulo, 2 do Rio Grande do Sul, 2 de Santa Catarina e 2 da Paraíba. A campeã eleita foi a mineira Anísio Santiago/Havana, de Salinas, Norte de Minas Gerais. As marcas por ordem de classificação, foram:
1º. Anísio Santiago/Havana (Salinas, MG), 2º. Vale Verde (Betim, MG), 3º. Claudionor (Januária, MG), 4º. Germana (Nova União, MG), 5º. Magnífica (Vassouras, RJ), 6º. Canarinha (Salinas, MG), 7º. Maria Izabel (Paraty, RJ), 8º. Tulha (Mococa, SP), 9º. Casa Bucco (Bento Gonçalves, RS), 10º. Volúpia (Alagoa Grande, PB), 11º. Nega Fulo (Nova Friburgo, RJ), 12º. Armazém Vieira Ônix (Florianópolis, SC), 13º. Armazém Vieira Tradicional (Florianópolis, SC), 14º. Tabaroa (Bichinho, MG), 15º. Santo Grau (Coronel Xavier, MG), 16º. Sapucaia Velha (Pindamonhangaba, SP), 17º. Weber Haus Reserva Especial (Ivoti, RS), 18º. Dona Beja (Araxá, MG), 19º. Serra Preta (Alagoa Nova, PB), 20º. Rochinha 12 anos (Barra Mansa, RJ).
O ranking da PLAYBOY já virou tradição em suas quatro edições. A revista tem dado sua contribuição para que o destilado seja motivo de orgulho do povo brasileiro.
Em 2007 (edição de abril), os jurados do terceiro ranking elegeram a marca Vale Verde (Betim, MG) como campeã e a Anísio Santiago/Havana (Salinas, MG) como vicecampeã. Na reportagem, o especialista Ségio Arno ensina os dez mandamentos da boa cachaça.
Em 2003 (edição de agosto), veio o segundo ranking. Foram eleitas 28 marcas divididas em três categorias: cachaça industrial, de alambique e premium. Na categoria industrial, a campeã foi Caninha 21 e a vicecampeã foi Oncinha. Na categoria Alambique, a campeã foi Samba & Cana e a vicecampeã Vale Verde. Na categoria Premium, para marcas requintadas, a campeã foi GRM e a vicecampeã foi Piragibana.
Em 1990 (edição de abril), a revista publicou seu primeiro ranking tendo como campeã a marca Anísio Santiago/Havana e a Biquinha como vicecampeã, ambas da região de Salinas. A reportagem traz o seguinte comentário sobre a campeã: “A Havana traduz muito bem a tradição artesanal de uma família que há décadas faz boas cachaças. Fabricada por Anísio Santiago na Fazenda Havana, na cidade de Salinas, essa purinha conta entre seus apreciadores com personalidades que vão do senador Severo Gomes ao verde Fernando Gabeira, do ator Walmor Chagas ao ex-governador mineiro Hélio Garcia. Difícil de encontrar – mas não impossível. (...) A Havana pode custar o equivalente a um uísque 12 anos. Um bom preço para tanta qualidade e tradição”.
Um fato curioso no ranking elaborado pela revista PLAYBOY. A marca Anísio Santiago/Havana, atual campeã, é a única marca presente em todas as edições e, sempre, nas primeiras colocações (primeiro lugar em 2009, segundo lugar em 2007, quarto lugar em 2003, na categoria premium e primeiro lugar em 1990). O fato demonstra a tradição e qualidade dessa marca no mercado brasileiro ao longo dos anos. Maurício Maia, um dos degustadores do ranking 2009, diz que “A Anísio Santiago/Havana é uma cachaça superlativa na imagem, no aroma e no sabor. Há um certo mistério que envolve a produção. É difícil saber onde acaba a bebida e começa o mito”. Para o também degustador do ranking, Rodrigo Oliveira, “A cachaça é inconfundível”.

13/11/2009

Cachaça Havana vira obra literária


SINOPSE DO LIVRO

O Mito da Cachaça
Havana-Anísio Santiago



Autor: Roberto Carlos Morais Santiago
Editora: Cuatiara

Nº de páginas: 292
ISBN: 85-85319-38-0
Contato: rcmsantiago@gmail.com

Historicamente, a cachaça é um dos símbolos da cultura do Brasil. Surgiu no país por volta da década de 1530, no século XVI. Desde então, a mais genuína bebida brasileira conquistou todos os estratos sociais: no período colonial, dos escravos aos Senhores de Engenhos; na época do império, dos proletários aos burgueses, recebendo admiração até mesmo pela família Real. A partir de 1889, quando se iniciou o período republicano no Brasil, a elite brasileira, ávida por produtos estrangeiros, passou a discriminar a cachaça sendo tachada de “bebida de pobre”.

No período colonial, entre os anos de 1500 e 1822, a cachaça tornou-se símbolo da resistência ao colonialismo imposto por Portugal. Esteve presente em diversos movimentos, principalmente na Inconfidência Mineira, no século XVIII, que tinha por objetivo a luta contra a sanha tributária imposta pela Metrópole e a busca pela liberdade.

Na época do império, entre os anos de 1822 e 1889, foi reconhecida como bebida nobre e tornou-se símbolo da Independência do Brasil. Foi muito valorizada pela família Real, pela elite dominante e pela população em geral. Neste período, a caninha brasileira viveu uma de suas melhores fases como bebida nacional.

A partir de 1889, com a Proclamação da República, a elite brasileira ávida por produtos estrangeiros, passou a discriminar a cachaça. Desde então, a bebida ganhou status de bebida de pobre, sendo consumida somente nos botecos, bares e festas populares de todo o país pelos menos favorecidos, enquanto que a elite preferia degustar bebidas importadas como o champagne, vinho, vodka ou uísque. Somente algumas marcas de cachaça eram valorizadas por uma pequena parte da elite dominante.

No final do século XX, na década de 1980, no período de declínio do regime militar, teve início processo que culminou com a valorização da bebida mais popular do Brasil. As classes média e alta, enfim, resolveram valorizar a caninha. Houve expansão do consumo no mercado interno e externo, propiciando aumento da produção e o surgimento de milhares de marcas em todo o território nacional.

Dentre milhares marcas de cachaça produzidas no Brasil, algumas são consideradas tradicionais, em face da excelência de suas qualidades e pelo tempo de permanência no mercado.

No rol das marcas tradicionais, consideradas cachaças premium, uma vem se destacando pelo padrão de excelência da sua qualidade conquistada em mais de seis décadas de produção. É reconhecida como a mais tradicional marca de cachaça artesanal do país: a Havana – Anísio Santiago. Desde a década de 1940, produzida e comercializada como Havana, em 2001 teve de mudar de nome para Anísio Santiago, em virtude de problemas de registro da marca no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A empresa Havana Club Holding S/A, de propriedade da francesa Pernod Ricad, registrou a marca “Havana Club” no Brasil para comercializar a bebida rum, e proibiu o produtor Anísio Santiago (1912-2002) de usar a marca Havana para comercializar cachaça.

A questão legal referente ao registro da marca Havana é objeto de discussão administrativa junto ao INPI, órgão federal que concede o registro de marcas e patentes no território nacional. Diversas autoridades irmanadas com a causa vêm fazendo gestão junto ao INPI no sentido de resgatar a marca Havana em favor da família de Anísio Santiago. A expectativa do resgate da marca Havana é grande e será de grande importância para a cachaça artesanal brasileira, uma vez que a bebida faz parte da cultura brasileira, e a cachaça Havana é considerada o maior ícone da bebida do país.

Porém, em outubro de 2005, o Poder Judiciário de Minas Gerais, através do juiz da Comarca de Salinas, concedeu tutela antecipada a família Santiago para, novamente, ter o direito de usar a antiga marca Havana até julgamento final do mérito em instâncias superiores.

Produzida em Salinas desde a década de 1940, a marca tornou-se símbolo da cachaça artesanal do país devido à sua qualidade e tradição. Com produção limitada e envelhecida por cerca de oito anos em tonéis de Bálsamo tornou-se rara no mercado, sendo disputada por degustadores e colecionadores do país e do exterior.


A idéia de escrever livro sobre a história da cachaça Havana surgiu após o falecimento de Anísio Santiago, em 22 dezembro de 2002, aos 91 anos, quando tive acesso ao seu arquivo de artigos e reportagens publicadas nos mais expressivos jornais e revistas do Brasil. São centenas de artigos e reportagens e seria pecado deixar que esse acervo se perdesse no tempo e no espaço. Registrar a história da cachaça Havana e do seu produtor, Anísio Santiago, é importante para preservar a trajetória de sucesso dessa marca de cachaça que se tornou emblemática sob todos os aspectos. Preservar a cachaça Havana é manter intacta parte da cultura e da história da cachaça artesanal brasileira.

Para escrever o livro, procurou-se contextualizar a cachaça Havana no aspecto histórico e cultural da aguardente de cana brasileira. Sob este prisma, abordou-se a origem histórica da cachaça brasileira desde os tempos da colonização, por volta da década de 1530, até os dias de hoje, culminado com a abordagem sobre o mistério da famosa cachaça produzida por Anísio Santiago. Desde os primórdios da história da humanidade que o homem tenta registrar a passagem de pessoas, fatos e produtos que marcaram época no decorrer no tempo. Os exemplos são muitos nos diversos campos do conhecimento humano.

A descrição da vida de uma pessoa tem grande importância para o reconhecimento da sua trajetória, ao servir como exemplo por haver-se destacado entre as demais pessoas de seu tempo e época, deixando às gerações futuras os exemplos dos serviços prestados à sua comunidade e ao seu país.

O salinense Anísio Santiago foi homem que fez história no seu tempo. Empresário rural em Salinas, Norte de Minas Gerais,tornou-se conhecido mundialmente, por produzir cachaça artesanal especial transformando-se em ícone da cachaça artesanal brasileira pela sua qualidade e tradição no mercado a partir da década de 1940, cujo “modus operandi” diferenciado ainda não foi decifrado pela concorrência.

A cachaça artesanal que produzia, e ainda produzida pelos filhos pelo mesmo método de origem, conquistou o paladar de degustadores, especialistas e personalidades ilustres do Brasil e do exterior. Anísio Santiago foi pioneiro na produção de cachaça artesanal de qualidade no Brasil. Teve participação ativa no processo de resgate e valorização da cachaça artesanal brasileira que se iniciou no final da década de 1980, vez que a marca Havana – Anísio Santiago já tinha o reconhecimento nacional como referência da mais genuína bebida brasileira: a cachaça.

Pelo padrão de qualidade e pela escassez de sua oferta no mercado foi capaz de conquistar consumidores da classe média e alta que sempre preferiam degustar bebidas importadas. A cachaça de Anísio Santiago fez tanto sucesso que se tornou produto mitológico. Quem tem garrafa guarda como se fosse um tesouro. É consumida somente em ocasiões muito especiais.

A família de Anísio Santiago, ciente da importância histórica e cultural da famosa marca para Salinas, Minas Gerais e para o Brasil, tem dado prosseguimento da produção e comercialização pelo mesmo método idealizado pelo mestre dos alambiques. Os apreciadores, agradecidos pela decisão, estão dispostos a continuar a pagar um alto preço por uma dose da “danada”, desde que produzida pelo mesmo método de origem.

Em 1942, Anísio Santiago adquiriu a Fazenda Havana, localizada no sopé da Serra dos Bois, distante 18 quilômetros de Salinas. Um ano depois, começou produzir cachaça artesanal aproveitando-se de pequeno canavial existente na propriedade.

De 1943 até 1946, a pequena produção era comercializada a granel (em barris) na região de Salinas. Desde então, constituiu empresa e passou a comercializar o produto em garrafas utilizando a marca Havana para identificar o produto no mercado. Ressalta-se que a Havana foi a primeira marca de cachaça a surgir em Salinas e região. Até então, não havia marca que identificasse a origem do produto.

Pode-se afirmar que a cachaça Havana-Anísio Santiago é produto que representa a pequena empresa brasileira rural que busca espaço no mercado extremamente competitivo que é o da cachaça artesanal onde milhares de marcas são comercializados em todo o país. A qualidade e tradição são fatores determinantes no sucesso de determinada marca no mercado.

A produção da cachaça Havana-Anísio Santiago gira em torno de 12 mil litros por safra (anual). O processo de envelhecimento é de cerca de 8 anos em tonéis de madeira bálsamo. O curioso é que o produtor Anísio Santiago nunca aceitou aumentar a produção (apesar de haver demanda) para não comprometer a qualidade da bebida. Com isso, historicamente, a demanda pela bebida veio sendo reprimida desde a sua origem. Mesmo após a sua ausência, a partir de 2002, os filhos continuam dando prosseguimento na produção pelo mesmo método implantado pelo pai. Não abrem mão da tradição herdada.

O comportamento empresarial do produtor Anísio Santiago ia contra a lei da oferta e da procura que recomenda o aumento da produção sempre que há expansão da demanda. Ele fez exatamente o contrário. Segurou a produção e a deixou envelhecer. Anísio Santiago fazia isso desde os primórdios da produção, uma exceção para a época, pois era (e ainda continua) fato comum produtor de cachaça aumentar a produção sempre que há perspectiva de aumento da demanda.

Com isso, a cachaça do emblemático Anísio Santiago ganhou padrão de qualidade, com aroma e sabor diferenciado, transformando-se em produto extremamente requintado com alto valor agregado. Uma garrafa da marca Anísio Santiago custa, em média, 150 reais em Salinas e 250 reais em Belo Horizonte, Brasília, Rio ou São Paulo, nas melhores adegas e requintados restaurantes. Porém, a antiga marca Havana está valendo no mercado de colecionadores cerca de mil reais. Recentemente, uma garrafa da antiga Havana (anos 60) foi leiloada por cerca de 15 mil reais em São Paulo, segundo notícia veiculada no Jornal da Bandeirantes (TV Bandeirantes).

Com a fama da cachaça de Anísio Santiago, Salinas começou a ganhar novos produtores na década de 1970, de olho no sucesso da cachaça do tradicional produtor. Em pouco tempo surgiram novas marcas que se tornaram tradicionais como a Asa Branca, Boazinha, Indaiazinha, Lua Cheia, Seleta, Sabiá, Teixeirinha, dentre outras, todas de excelente qualidade.

A partir do início da década de 1990, com a implantação do programa Pró-Cachaça pelo governo mineiro, com o intuito de incentivar a produção de cachaça artesanal mineira com qualidade, houve boom de novas marcas em Salinas: Beija-Flor, Canarinha, Cubana, Erva Doce, Fabulosa, Sabor de Minas, Salineira, etc.

Atualmente, são mais de 50 marcas produzidas e comercializadas no município. Todas têm na cachaça Anísio Santiago/Havana como referência de qualidade, no que muito contribui para o aprimoramento da qualidade da cachaça produzida em Salinas. A bebida é, hoje, uma importante atividade econômica que gera renda aos produtores, significativo número de empregos em toda a cadeia produtiva e recursos ao município.



As principais características da qualidade da cachaça de Salinas estão no clima semi-árido, na utilização da variedade de cana Java – que se adaptou muito bem ao clima da região (muito embora outras variedades estejam sendo utilizadas com sucesso) – e no conhecimento empírico dos produtores perpetuado de geração para geração. Outro aspecto interessante está na manutenção do processo de produção artesanal sem a utilização de adubação química, a utilização de fermento natural e o envelhecimento. Muitos perguntam se há segredo no processo de envelhecimento da cachaça e a resposta é sim. Entretanto, cada produtor descobre ao seu modo, através do empirismo, como conseguir melhor qualidade ao seu produto. A “paciência” é parceira da qualidade, dizia Anísio Santiago. Não pode ter “usura”, completava o mais importante produtor de cachaça artesanal de Salinas.

É inegável que o agronegócio da cachaça artesanal está se transformando na principal atividade econômica de Salinas, gerando significativo número de empregos e incentivando a economia local. O agronegócio da cachaça em Salinas já é uma realidade através da expansão da cadeia produtiva que gera renda, emprego e divisas ao município. Nestes tempos de globalização econômica, os municípios brasileiros precisam encontrar sua vocação econômica. Salinas encontrou a sua: produção de cachaça artesanal de qualidade.

Ao longo das últimas décadas adquiriu no mercado nacional e internacional “status” de bebida de qualidade. Os produtores de Salinas, conscientes da responsabilidade, não pensam em mudar a característica artesanal de produção. Pelo contrário, querem aprimorar cada vez mais o processo no intuito de melhorar a qualidade da cachaça artesanal ali produzida.

Neste processo, pode-se dizer que Anísio Santiago revolucionou o mercado da cachaça artesanal, vez que criou parâmetro de referência da qualidade da cachaça artesanal brasileira através da Havana-Anísio Santiago. A marca é referência aos produtores que queiram privilegiar, por opção empresarial, a qualidade em detrimento da quantidade.

DEPOIMENTOS:

É indiscutível a importância da região de Salinas para o desenvolvimento do mercado de cachaça no Brasil e no exterior. A busca dos produtores da região em desenvolver marcas e produtos de qualidadede diferenciada, colocou Minas Gerais na liderança da produção da cachaça artesanal no Brasil" (MARIA DAS VITÓRIAS CAVALCANTI, Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Cachaça - PBDAC).
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O Sr. Anísio Santiago, através de um produto de altíssima qualidade, conseguiu, com mérito, colocar Salinas no cenário nacional como a mais importante região produtora de cachaça artesanal do Brasil. Ele é o maior representante de Salinas no país e no exterior, pois representa a tradição e a história de Salinas” (JOSÉ CLÁUDIO PEREIRA DE OLIVEIRA, produtor da cachaça Peladinha e ex-presidente da Associação dos Produtores Artesanais da Cachaça de Salinas - APACS).
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Salinas é a capital de Minas e do Brasil na produção de cachaça artesanal de qualidade. No município há um grande número de produtores da bebida e também pelas características do solo, clima e variedades de cana utilizadas que permite produzir um destilado diferenciado. Anísio Santiago por ter sido o timoneiro da cachaça artesanal de qualidade, fez com que a auto-estima dos produtores de Salinas se elevasse e com isso se empenhassem em ter um produto de qualidade superior” (GERALDO MATOS GUEDES
economista e professor de Economia Industrial da Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes).
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A história de Anísio Santiago confunde-se com a de Salinas, cidade onde são produzidas as mais cobiçadas cachaças artesanais do Brasil, e das quais a Havana sempre o foi o símbolo mais cintilante. O alquimista que criou a fórmula de transformar pinga em ouro era um homem perfeccionista e obsessivo, e concebeu um modelo de alambicagem e envelhecimento da bebida até hoje não decifrado pela concorrência” (RONALDO RIBEIRO, Revista NATIONAL GEOGRAPHIC DO BRASIL).
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"O 'fazer' tem a sua própria peculiaridade, e falar sobre ele é sempre difícil, principalmente quando envolve uma personalidade tão singular e fascinante como Anísio Santiago, produtor da cachaça Havana. Ele conquistou espaço especial na história da cachaça mineira. Foi produtor que além de fazer história, reinventando o escambo e colocando no mundo o município de Salinas, tantas as reportagens publicadas sobre ele e sua cachaça" (JOSÉ LÚCIO MENDES, diretor de marketing de Cachaças do Brasil e Expocachaça - BH. Diretor de Promoções do Instituto Brasileiro da Cachaça de Alambique - IBCA).

12/11/2009

III Feira de Literatura de Montes Claros


Em homenagem aos 100 anos do escritor e historiador, Hermes de Paula, a Secretaria Municipal de Educação de Montes Claros lança nos dias 17, 18 e 19 de novembro de 2009 (de 8h00 às 21h00), no ginásio poliesportivo Prof. Darcy Ribeiro (pça. de Esportes, no centro de Montes Claros), a III Feira Municipal de Literatura.

O objetivo é divulgar trabalhos de alunos de escolas  através da escrita e oralidade, tendo como referência o singular escritor e historiador, Hermes de Paula. Para saber mais informações, clique no título da postagem acima.

10/11/2009

INPI concede registro da marca Anísio Santiago


O Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI, concedeu no dia 3/11/2009, o registro da marca ANÍSIO SANTIAGO, no segmento de produção de aguardente de cana em favor da empresa Indústria e Comércio de Aguardentes Havana (Menago) Ltda., localizada em Salinas, norte de Minas. A concessão está registrada na RPI nº. 2026 e tem validade até o dia 3/11/2019, portanto, dez anos.

Levando em conta o aumento da competitividade em todos setores da economia, a marca é importante instrumento do negócio de qualquer empresa. Segundo o consultor de marketing, Roberto Monti, “O consumidor desenvolve preferências por marcas e criam expectativas em torno dela”. A marca é elo de ligação entre empresa e consumidor. O registro de marca cria identidade permanente de um produto no mercado.

A marca ANÍSIO SANTIAGO tem peso no mercado de produção de aguardente no Brasil. É sucessora da marca HAVANA, da mesma empresa, cujo impasse sobre o registro está sendo discutido judicialmente. A marca HAVANA é comercializada no mercado sob liminar.
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Nota: Para acessar o site do INPI, clique no título da postagem acima.

07/11/2009

O legado de Anísio Santiago


A história de Anísio Santiago (1902-2002) é interessante sob todos os aspectos. Em vida foi respeitado e admirado pela cachaça que produzia: a Havana/Anísio Santiago. Mesmo após sua morte em 2002, o seu legado continua. Pode-se afirmar que a história da cachaça de Salinas e mineira refere-se a antes e depois de Anísio Santiago

Por Roberto Carlos Morais Santiago

A família Santiago surgiu no município norte-mineiro de Salinas no ano de 1898, século XIX, através do pioneiro José Santiago (1877-1944). Filho de Justino Santiago e Anna Maria de Jesus, nasceu na cidade mineira de Diamantina, no Alto Jequitinhonha.

Ainda jovem, em 1894, José Santiago foi estudar medicina em Salvador. Por razões desconhecidas desistiu do curso no segundo ano. Segundo Arlindo Santiago (1909), filho de José Santiago, o motivo da desistência foi a Guerra de Canudos (1896-1897), ocorrida no interior da Bahia, que mobilizou milhares de soldados do governo federal da República para combater o temido Antônio Conselheiro. Em dois anos de conflito milhares de pessoas morreram.

Retornando para Minas Gerais, José Santiago foi morar e trabalhar como professor na cidade de Medina, no Vale do Jequitinhonha. Ali conheceu a baiana Virginia Celestina (1882-1965), natural de Urandi, com quem se casou em 1896.

Em 1898, mudou-se com a esposa para Salinas exercendo ainda a profissão de professor como fazia em Medina. Dois anos depois foi lecionar no povoado de Lagoinha, interior do município. O povoado, naquela época, tinha importância estratégica tendo em vista que era parada obrigatória de pessoas e transportadores de mercadorias em mulas entre Salinas e Montes Claros. Em 1903 adquiriu a fazenda Bonfim, próxima ao povoado, onde fixou moradia, tornando-se produtor rural, além de professor. José Santiago tornou-se pessoa muito assediada na região pelo fato de ter conhecimento de medicina, além de ser professor. Em pouco tempo tornou-se uma espécie de líder do povoado de Lagoinha e região.

Da união de José Santiago e Virginia Celestina surgiu prole numerosa, fato muito comum na estrutura familiar do início do século XX. Foram doze filhos: Antônio Santiago (1897-1950), Maria Santiago (1899-1953), Leôncio Santiago (1901-1945), Silvio Santiago (1912-1986), Santinha Santiago (1908-2001), Arlindo Santiago (1910), Anísio Santiago (1912-2002), José Elzito Santiago (1915-1945), Anita Santiago (1913), Osvaldina Santiago (1917) e Osvaldir Santiago (1919-2007). Dos doze filhos, somente o primogênito, Antônio Santiago, nasceu em Medina; os demais em Salinas.

José Santiago veio a falecer em 1944, aos sessenta e sete anos e a sua esposa, Virginia Celestina, em 1965, aos oitenta e três anos. Foram precursores da família Santiago em Salinas, cujo tronco da árvore genealógica tem origem na região de Diamantina.


Da prole numerosa de José Santiago o destino reservou ao sétimo filho trajetória de vida que o tornaria parte da história de Salinas: Anísio Santiago. Nasceu no dia 2 de fevereiro de 1912, na fazenda Bonfim, zona rural de Salinas. Ali cresceu e viveu sua infância e adolescência ao lado dos pais e irmãos.


Aos doze anos de idade, escondido do pai, experimentou beber cachaça pela primeira vez. Não gostou. Desde então jamais bebeu cachaça em toda a sua vida. Entretanto, quis o destino que a cachaça tivesse importância fundamental em sua vida.

O jovem Anísio Santiago aprendeu vários ofícios. Foi carpinteiro, tropeiro, comerciante, motorista e fazendeiro. Como tropeiro transportou mercadorias em mulas entre Salinas e Montes Claros na década de 1930.

De tropeiro tornou-se motorista de um Ford F-8, que adquiriu no final da década de 1930. Foi um dos primeiros motoristas da região de Salinas e foi testemunha ocular da modernidade que aos poucos chegava através das estradas empoeiradas e esburacadas.

Em 1937, aos 25 anos, Anísio Santiago casou-se com Adélia Mendes (1916-2007), então com 21 anos de idade. Deixou o povoado de Lagoinha e fixou residência na cidade de Salinas, onde continuou a exercer as atividades de comerciante e motorista.

Alguns anos depois, em 1942, comprou a fazenda Havana de um parente no sopé da Serra dos Bois distante dezoito quilômetros da sede do município. Para lá mudou com a esposa. Iniciava nova fase na vida do então jovem Anísio Santiago.

Estabelecido definitivamente na fazenda Havana, um ano depois, começou produzir cachaça no pequeno alambique que existia na fazenda do antigo proprietário. Em pouco tempo a produção de cachaça se tornou a principal atividade econômica da propriedade rural. A cachaça produzida era vendida a granel. Em 1946 constituiu empresa e passou a identificar o seu produto através da marca Havana. A marca foi pioneira na região de Salinas. O produtor Anísio Santiago foi o primeiro produtor de cachaça a identificar a bebida por meio de uma marca, dando origem e personalidade ao produto. Até então os produtores do município e região produziam e vendiam cachaça a granel a comerciantes e tropeiros da região.

Em 1947, adquiriu o caminhão Chevrolet Leadmaster, 1947, no Rio de Janeiro, importado dos Estados Unidos. Ele próprio foi à capital federal buscar o caminhão. Com ele passou a comercializar a sua cachaça em Salinas, região norte-mineira e sul da Bahia. Como produzia cachaça de qualidade logo foi adquirindo fama junto ao consumidor.


O caminhão Chevrolet Lordmaster 1947 ainda encontra-se guardado na
fazenda Havana, em Salinas, em excelente estado de conservação.

Anísio Santiago teve dois fatores decisivos na divulgação do seu produto: a marca Havana (pioneira na região de Salinas) e o caminhão que transportava a bebida diretamente ao consumidor. Com isso saiu na frente dos produtores que comercializam o seu produto a granel. Na década de 1960, vários produtores de Salinas começaram a identificar o seu produto por meio de marcas, de olho no sucesso da cachaça de Anísio Santiago. Viam nele uma referência no processo de produção de cachaça de qualidade, uma vez que a marca Havana tinha grande aceitação na região e a sua fama estava ultrapassando fronteiras. Em função disso logo surgiram várias marcas como a Piragibana, do produtor Ney Corrêa; a Indaiazinha, do produtor Waldete Romualdo; a Seleta, do produtor Miguelzinho de Almeida; a Teixeirinha, do produtor Felismino Teixeira; a Asa Branca, do produtor Juventino Queiroz; a Sabiá, do produtor Juca Marcolino; a Estrela do Norte, do produtor Purdencio Francisco dos Santos; e a Pulusinha, do produtor Narciso Dias Corrêia.


Outro fator determinante para o surgimento de novas marcas em Salinas foi a decadência da cadeia produtiva de cachaça na região de Januária, na década de 1960, século XX, em função da ação gananciosa dos produtores, que não souberam manter a qualidade e tradição da cachaça ali produzida. Até então as marcas de Januária gozavam de alto conceito junto ao consumidor, na região norte-mineira e em todo o Brasil.

Com isso, Salinas foi aos poucos preenchendo lacuna no mercado de cachaça deixado pelos produtores de Januária. Na década de 1970, Salinas foi se impondo regionalmente como grande produtora de cachaça. O clima, solo e a variedade de cana Java, que se adaptou muito bem ao clima da região, foram fatores decisivos em todo o processo. Outro aspecto interessante no crescimento do setor produtivo de cachaça é a marca Havana, na época já reconhecida como marca tradicional, que se tornou um ícone dos produtores da região.

Na década de 1990, a cachaça de Salinas passou por novo e vigoroso processo de expansão da produção, culminando no aumento significativo de marcas em função da implantação do Pró-Cachaça, pelo governo mineiro, em 1992, visando estimular o aprimoramento da cachaça artesanal mineira. E deu certo. O Pró-Cachaça, em pouco tempo, revolucionou toda a estrutura da cadeia produtiva da cachaça artesanal produzida em todo o território mineiro, e em Salinas não foi diferente.

Atualmente, existem mais de 50 marcas de cachaça produzidas no município. A produção já ultrapassa cinco milhões de litros por safra (anual). Tornou-se na importante região produtora de cachaça artesanal de Minas Gerais e do Brasil. Em 2006, foi responsável por 45,87% de toda a arrecadação de ICMS, imposto de circulação de mercadorias e serviços de competência estadual, em todo o território mineiro. O processo de diversificação da economia brasileira ao longo nas últimas décadas vem forjando e incrementando atividades econômicas de produtos típicos da cultura do Brasil no mercado com forte impacto nas economias locais. Salinas encontrou no agronegócio da cachaça uma atividade econômica que vem mudando o perfil de toda a sua economia, contribuindo para o seu desenvolvimento sócio-econômico.

Reconhecendo a cachaça como importante atividade econômica e cultural, o prefeito de Salinas, José Antônio Prates, por meio do Decreto Municipal nº. 3.728/2006, reconheceu a marca Havana, ícone das marcas produzidas no município, como Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas, em face de sua história, qualidade e notoriedade no mercado brasileiro e no exterior. Por meio do decreto, fato inédito no Brasil, o poder executivo municipal reconheceu o feito espetacular do produtor Anísio Santiago, empresário rural que conseguiu dar credibilidade e alto conceito de qualidade em todo o território nacional e no exterior da mais importante e genuína bebida brasileira: a cachaça.

Anísio Santiago foi empresário local que conquistou o mundo não por altas cifras em faturamento e sim pela excelência de qualidade de um produto que foi e continua sendo concebido por método de produção ainda não decifrado pelos produtores de Salinas e de outras regiões de Minas Gerais e do Brasil. O segredo é guardado pelos filhos que vem mantendo o processo de produção pelo mesmo método de origem. Anísio Santiago ultrapassou a barreira de empresário rural norte-mineiro que deu certo. Mais que isso, se tornou no símbolo de bebida que faz parte da história brasileira desde o século XVI, na década de 1530, quando o português Martin Afonso de Souza construiu engenhos na Capitania de São Vicente para a produção de açúcar e cachaça.

A Fazenda Havana, onde é produzida a bebida, se tornou em espécie de reduto sagrado do universo da cachaça brasileira ao longo das últimas décadas. O jornalista paulista Sidnei Maschio afirma que “Em vários lugares ao redor do mundo, as visitas exigem mesmo um ritual específico, coerente com a sacralidade que eles encerram. A Fazenda Havana está nessa lista. A propriedade poderia ser comparada a um templo, pelo papel na recuperação e na divulgação das melhores qualidades da bebida genuinamente brasileira. O universo da cachaça tem duas histórias distintas, uma antes e outra depois da Havana”.


A cachaça Havana/Anísio Santiago tem o reconhecimento de bebida de
alto padrão de qualidade no mercado brasileiro e no exterior.

Anísio Santiago foi homem que fez história no seu tempo com a sua lendária Havana. O depoimento de degustadores e especialistas ratificam a aura criada em torno do mítico produtor. Vejamos alguns depoimentos:

Historicamente, Anísio Santiago trouxe para Salinas, fama e prestígio através da Havana. Soube valorizar a qualidade e agregar valor ao produto em mais de seis décadas de produção.” (JOSÉ ANTÔNIO PRATES, prefeito de Salinas).

A fama da Havana atraiu para Salinas a atenção do Brasil e do mundo. A capital da cachaça tem o dever de reconhecer o seu maior benfeitor.” (ISRAEL PINHEIRO, político, filho do ex-governador Israel Pinheiro e produtor da Cachaça Cubana em Salinas).

Anísio Santiago escreveu uma grande história e se tornou uma lenda. Mas há muito mais por trás da saga da produção da cachaça Havana – Anísio Santiago. Para mim uma garrafa de Havana guarda muito mais que uma bebida rara, ela preserva história, memórias e lembranças. Na Fazenda Havana não é produzida apenas uma cachaça. É destilado um sonho, a realização e a perpetuação de um sonho muito antigo”. (JANE SALDANHA, jornalista e repórter do documentário Cachaça de Minas – Programa Planeta Minas, Rede Minas).

Anísio Santiago é uma lenda para nós. Do reconhecimento efetivo da Havana soube manter espírito investigativo e inovador na produção de cachaça, não se deixando deslumbrar pelo lucro que poderia ter.” (JOSÉ BONIFÁCIO DOS SANTOS, presidente da Confraria Clube da Cachaça de Brasília – DF).

Se cachaça fosse carro, a Havana seria uma Ferrari.” (MILTON LIMA, fundador do site cachaças.com).

Pesquisar sobre a cachaça de Salinas, nos últimos cinqüenta anos, forçosamente incluirá a pesquisa da marca Havana. Discorrer sobre essa marca, cuja trajetória é assentada na simplicidade e no capricho quase obsessivo de seu proprietário em manter, ao longo de várias décadas, um elevado padrão de qualidade, invariavelmente requer que se teçam comentários sobre quem a idealizou, cuidou e a construiu.” (ELIAS RODRIGUES DE OLIVEIRA, mestre em Administração Rural).

Ainda não acostumei com a ausência de tio Anísio Santiago. Tive o privilégio de conviver com ele na Fazenda Havana por muitos anos quando jovem. Tudo que sei sobre cachaça aprendi com ele. Com a Havana, ele projetou a cachaça de Salinas no Brasil.” (NOÉ SANTIAGO, sobrinho de Anísio Santiago e produtor da Cachaça Canarinha em Salinas).

Anísio Santiago ia contra as teorias de marketing. Imagine um político ou um vendedor de bugigangas rejeitar aparecer na Rede Globo? Ele não ia atrás de ninguém, as pessoas o procuravam como em romaria, tinha uma personalidade imantada. Inverteu a lógica vulgar e fez um marketing sólido, mais sólido que a nossa moeda. Apesar de ser proibido cunhar dinheiro, que é monopólio do estado, cunhou a Havana, pagando com ela seus empregados e suas compras. Anísio Santiago conseguiu ser uma lenda em vida, mesmo em cidade do interior onde os comentários são quase sempre negativos. ‘Aquele é o Anísio da Havana’, diziam orgulhosos os da terra aos amigos de fora, quando Anísio passava. A marca que criou cresceu e virou fetiche, invertendo a lógica criador criatura, pois a Havana é que era dele, sua subordinada”. (APOLO HERINGER LISBOA, escritor, médico e professor de medicina da UFMG).

Os filhos e netos de Anísio Santiago estão conscientes da responsabilidade de manter a tradição e o padrão de qualidade adquirido em décadas de produção.” (OSVALDO MENDES SANTIAGO, filho de Anísio Santiago e atual sucessor na produção da Cachaça Havana-Anísio Santiago).

Anísio Santiago faleceu no dia 22 de dezembro de 2002, aos 91 anos. Em vida foi uma lenda. Transformou-se no maior ícone da história da cachaça brasileira. É impossível falar ou escrever sobre cachaça sem tecer comentário ao seu nome e ao seu feito. Mesmo após a sua morte em 2002, ainda desperta curiosidade em muitas pessoas. Ainda muito se fala e se escreve a seu respeito e do legado que deixou. Deixou grande lição de vida e demonstrou que é possível crescer e construir uma vida respeitável e obter a admiração de todos. Sempre permaneceu fiel aos seus ideais e princípios que acreditou serem verdadeiros.
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


SANTIAGO, Roberto Carlos Morais. O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago. Belo Horizonte: Cuatiara, 2006, 292 páginas.

28/10/2009

O legado de Geraldo Paulino Santanna


O salinense Geraldo Paulino Santanna foi um dos mais expoentes políticos da história de Minas Gerais. A sua trajetória política se iniciou em Salinas ao derrotar nas urnas, para prefeito, candidato apoiado pela último e mais importante coronel da história do município, Cel. Idalino Ribeiro, na década de 1950

Por Roberto Carlos Morais Santiago

Durante mais de meio século o político salinense Geraldo Paulino Santanna testemunhou os bastidores da política de Salinas e Minas Gerais. Foi vereador, prefeito, deputado estadual e secretário de estado. Serviu vários governadores de Minas Gerais, muitos deles adversários entre si. Cumpriu missões sigilosas, fez arranjos e alianças políticas. Foi um autêntico político de bastidor e teve participação em importantes momentos da política mineira.

Filho de Olyntho Prediliano Santanna e Dinorah Paulino Santana, Geraldo Paulino Santanna nasceu em Salinas no dia 28 de novembro de 1925. Nasceu numa época em que o Brasil e Minas Gerais respiravam a República Velha. O governador de Minas Gerais era Fernando de Melo Viana (1924-26). No interior de Minas se praticava a velha política coronelista. Em Salinas e região o chefe político era o Coronel Idalino Ribeiro (1879-1973), por mais de 40 anos.

Ainda jovem Geraldo Santanna cursou o primário em Salinas, na Escola Estadual “Dr. João Porfírio”, entre 1934-37. Estudou o ginásio no “Dom Silvério”, em Sete Lagoas, entre 1938-42. O científico foi concluído no tradicional “Afonso Arinos”, em Belo Horizonte, nos anos de 1943-44.

Retornou para Salinas como contínuo e funcionário do Banco de Crédito Real de Minas Gerais. Logo foi transferido para Curvelo, onde deixou o emprego e retornou à terra natal.

Novamente em Salinas, com a ajuda do avô Basílio Ferreira Paulino, passou a exercer atividade rural no ramo de compra de animais na região para revender em Itabuna, Bahia. O avô Basílio foi importante na sua vida, uma vez que foi co-responsável pela sua criação, educação, trabalho e lhe deu suporte em suas ações. Era fazendeiro e militar. Em 1911 foi agraciado com o título de Capitão Cirurgião da Guarda Nacional, concedido pelo presidente da República, Hermes da Fonseca.

Em 1946, aos 21 anos, casou-se com Maria (...) com quem teve seis filhos. Após o nascimento do primeiro filho, o avô Basílio resolveu passar para o neto a fazenda Bela Vista, distante seis quilômetros de Salinas, que dividia, pelo rio Salinas, com a fazenda Barreiro, de propriedade do deputado Chaves Ribeiro, filho do Coronel Idalino Ribeiro, chefe político de Salinas e região.

Certo dia, com a intenção de ir até a sede da fazenda Barreiro, deparou-se com a porteira da fazenda destruída e havia ali uma cerca de arame farpado impedindo passagem de transeuntes. Entendeu que o acesso àquela fazenda estava fechado.

Naquele período, todos viviam em torno do conceito de orientação do Coronel Idalino Ribeiro, cuja palavra era derradeira para todos. O jovem Geraldo Santanna dirigiu-se ao coronel e relatou o fato da porteira quebrada na entrada da fazenda do filho Chaves Ribeiro no que impedia o trânsito de pessoas pela estrada velha. O coronel prometeu resolver o problema.


Entretanto, o jovem Geraldo Santanna ficou desconfiado e achou que a interdição da estrada por meio do bloqueio da porteira da fazenda Barreiro tinha sido obra do próprio coronel. Não satisfeito e desconfiado, pouco tempo depois resolveu vender a fazenda Bela Vista ao primo Moacir Ribeiro, também sobrinho do coronel Idalino Ribeiro.

O episódio da porteira da fazenda Barreiro foi determinante na vida do jovem Geraldo Santanna. Passou a observar os bastidores da política local e os seus principais atores como Coronel Bernardino Costa, Coronel Procópio Cardoso, Coronel Moisés Ladeia e o próprio Coronel Idalino Ribeiro. Certa vez foi chamado pelo Coronel para uma repreensão, pois este ficara sabendo de sua simpatia pela atividade política do Coronel Procópio Cardoso. Não obstante as ameaças e próximo o pleito eleitoral, resolveu se candidatar a vereador pela oposição.

Eleito vereador e empossado (1951-55) iniciou atividade parlamentar fazendo forte oposição à política situacionista chefiada pelo Coronel Idalino Ribeiro, cujo prefeito de Salinas era Miguel de Almeida (1951-55). O seu primeiro grande ato político foi o pedido de transcrição nos anais da Câmara Municipal de Salinas de carta do Coronel Idalino Ribeiro ao governador Benedito Valadares pedindo para não consentir a emancipação do distrito de Taiobeiras. Eis o teor da carta:

“Sr. Governador,


Saúde,


Regressando ao norte até 22 corrente, peço ao prezado amigo, não consentir que o distrito de Taiobeiras, sem renda, sem gente, sem território bom, e sem nenhum melhoramento, seja elevado a município. Principalmente, querendo tomar a melhor faixa de terreno que existe no município de nossa Salinas, a melhor que temos.


Abraços agradecimento do velho amigo admirador,


Idalino


Capital, 16/11/1943.”
..........

(Fonte: SANTANNA, Geraldo Paulino. O Caminho de Volta – A Travessia do Deserto. Belo Horizonte: 2004, página 69).

A emancipação de Taiobeiras ocorreu em 1953, com o apoio da Câmara Municipal de Salinas e da liderança do jovem vereador Geraldo Santanna. O episódio demonstrou novo contorno na política coronelista de Salinas que teria muitos desdobramentos a partir de então.

Alguns anos depois, foi eleito prefeito de Salinas (1959-63), sucedendo o prefeito Cândido José da Costa (1955-59). Surgia no município nova liderança política que resultou na decadência política do então todo poderoso político local, o temido Coronel Idalino Ribeiro, que até então reinava absoluto com mãos de ferro a política de Salinas e região por mais de quarenta anos a partir de 1918 até meados da década de 1950. O jovem político Geraldo Santanna encerrava o ciclo dos políticos coronéis.

A sua trajetória política foi intensa. Em Salinas foi vereador (1951-55) e prefeito por duas vezes (1959-63 e 2000-03). No plano estadual foi deputado por três vezes (1967-71, 1991-95 e 1995-99), chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas (1956); diretor-superintendente da Cemig (1964); assessor do governador pela Secretaria de Estado de Assuntos Municipais (1963-64 e 1983-85), secretário de estado da Secretária Extraordinário de Estado para Assuntos Políticos (1986-87), secretário de estado da Secretaria de Estado de Minas e Energia (1987), presidente da Cemig (1987-88), secretário de estado da Secretaria de Estado de Assuntos Municipais (1989-90).

Teve participação no alto escalão dos governos de Bias Fortes (1956-60), Magalhães Pinto (1961-66), Israel Pinheiro (1966-71), Rondon Pacheco (1971-75), Aureliano Chaves (1975-78), Francelino Pereira (1979-83), Tancredo Neves (1983-84), Hélio Garcia (1984-87), Newton Cardoso (1987-91), Hélio Garcia (1992-96), Eduardo Azeredo (1996-99) e Itamar Franco (1999-00).

Como homem público foi condecorado com a Ordem do Mérito Legislativo, Medalha Santos Dumont, Medalha da Inconfidência, Medalha de Mérito da Defesa Civil de Minas Gerais, Medalha Alferes Tiradentes e Diploma de Colaborador Emérito do Exército nacional.

O seu último ato político foi ser prefeito de Salinas pela segunda vez (2000-05) em coligação política nunca admitida em Salinas com o rival Péricles Ferreira dos Anjos. Não completou o mandato. Renunciou ao cargo no dia 13 de janeiro de 2003 e passa o cargo ao vice-prefeito Péricles Ferreira dos Anjos. Encerra-se ciclo político de um dos homens mais influentes de Minas Gerais da segunda metade do século XX. O último ato político foi mensagem ao presidente da Câmara Municipal de Salinas:

“Salinas, 13 de janeiro de 2003.


Excelentíssimo senhor vereador presidente da Câmara Municipal de Salinas,


1. Da Renúncia


Venho renunciar, como de fato renunciado tenho, ao mandato de prefeito municipal de Salinas, cujo término seria em janeiro de 2005.


Ato unilateral, resultante de vontade própria, independe de apreciação dessa E. Casa, cujo término seria em janeiro de 2005.


2. Da declaração de Bens – Acompanha a presente Declaração de Bens, na forma do que escreve a lei. Permito-me ressaltar que, se comparada à afeita por ocasião de minha posse, há de se concluir que, embora em pequena escala, meu patrimônio decresceu.


3. Das grandes obras – Ao assumir em fevereiro de 1959 a prefeitura de Salinas, o fiz com a missão, reiteradamente reclamada por Bernardino Costa, de lutar pela implantação e consolidação da “liberdade” em nossa região, a que logramos ter relativo êxito ao final daquele nosso mandato. A aquisição agora do Edifício Cel. Idalino Ribeiro para sede da prefeitura, a par de seu grande valor material, foi inspirada sobretudo no seu valor histórico, pois dali emanava o poder absoluto e incontestável de uma época.


Ao assumir em 2000 a candidatura a prefeito de Salinas, o fiz para atender ao clamor da população, bem interpretado na convocação do ilustre deputado Péricles Ferreira dos Anjos, juntos, estabelecer um “basta” ao vendaval de corrupção que abateu a moral e a ética na sucessão de responsáveis pela administração municipal, cujos desvios de conduta e de conceitos se transformaram repentinamente numa ‘cultura’. Não descuramos da difícil tarefa e a própria sociedade, na sua grande maioria, já dá sinais de que nos entendeu e aplaude seus primeiros resultados. Por isso e também por ser titular da iniciativa o deputado Péricles Ferreira, todos confiamos em que, certamente, ele completará a missão de restabelecer a moralidade e o respeito à coisa pública em nossa região (...).


3.2 No campo das realizações materiais, ao longo desses anos que se passaram, a par das obras de esgoto sanitário que só agora se desencadeiam na cidade, dotamos nossa terra de água doce e energia elétrica em abundância, de comunicação telefônica e rodoviária com o País, e, com a construção das primeiras passarelas sobre o rio Salinas, e o projeto de avenidas sanitárias ao longo de nossos rios; e, sem descuidarmos da recuperação e preservação de nossos mananciais, e com a perspectiva de construção de grande e moderno mercado na Praça ‘São Miguel’, do bairro São Geraldo, completamos a ‘sinalizar’ da direção para a qual a cidade deva também se desenvolver, não estando fora de propósito, com isso, a inserção da área que contorna a grande barragem sobre o rio Salinas, no seu contexto.


4 . Afinal, aos Senhores vereadores que entenderam e colaboraram aos que também não o fizeram por terem pleitos pessoais por nós contrariados, às novas lideranças e à sociedade em geral, nossa esperança é a de que como parte de um pensamento novo, ou melhor, ‘contemporâneo do futuro’, caminharão na busca do Poder, sem que dele pretendam se servir, mas para servir ao bem comum, e assim, inibindo, pela ação rejuvenescida e corajosa, aos que dele só pretendem gozar e usufruir.


Atenciosamente,


GERALDO PAULINO SANTANNA”

Encerrado o ciclo político, escreveu livro de memórias sobre a sua vida e os bastidores da política. O livro é um raro documentário sobre a intimidade do poder político em Salinas e Minas Gerais em suas várias facetas.

Geraldo Paulino Santanna foi um político de raras habilidades. O seu livro revela a intensidade e magnitude de sua vida pública em detalhes e sem pudor. Foi um dos mais emblemáticos personagens da política contemporânea mineira dos últimos tempos. José Monteiro de Castro, por quem Geraldo Paulino Santana tinha especial apreço sintetiza o político salinense ao fazer o seguinte comentário:

“Acompanho a vida pública e particular, o comportamento e o trabalho do Santanna há muitos anos; senão o melhor, está entre os mais completos auxiliares que um Governador de Minas já conheceu; posso testemunhar que ele não se permite intimidades com nenhum governante a que serve, por mais tentado que seja; soube tratá-los, a cada um deles, de forma quase institucional, com extrema lealdade, respeito, dedicação e competência, com independência equilibrada, o que lhe permite ser sempre franco, mesmo quando precisa advertir o governante sobre as conseqüências desfavoráveis de algum ato; por tudo isso é ouvido com atenção e igual respeito. O comportamento de Santanna como auxiliar de governadores diversos, até opositores entre si, é a comprovação do que enfatizou a Rainha Vitória (Inglaterra), quando encerrou suas homenagens ao falecido Disraeli: ‘Les róis aiment celui qui parle juste’ (Os reis amam aqueles que lhes dizem a verdade na hora justa, na hora certa)”.

O livro de memórias “O Caminho de Volta – A Travessia do Deserto” (Belo Horizonte: 2005, 444 páginas, 2ª edição), de autoria de Geraldo Paulino Santanna é um raro e interessantíssimo documentário para quem deseja entender os bastidores da política do município de Salinas e Minas Gerais a partir da década de 1950. Eis alguns depoimentos do livro:

“Geraldo Santanna é uma singular figura de cidadão e homem público. Tem dado a Minas Gerais, com dedicação, sobriedade, coragem, correção e argúcia, nos postos mais distintos, contribuição inestimável, que não se resume à sua Salinas inolvidável, mas alcança todo o Estado” (OSCAR DIAS CORRÊA, Ministro aposentado do STF, professor de Economia Política pela UFMG e UFRJ, membro da Academia Brasileira de Letras).

“Foi na vida pública que conheci Geraldo Santanna, tenaz combatente que prestou eficientes serviços ao governo do saudoso companheiro José de Magalhães Pinto. Nesta fase pude testemunhar a sua capacidade de aglutinação política, com inteligente e arguta coordenação para conciliar tendências partidárias concorrentes, tendo em vista o objetivo maior de conquistar espaço, consolidar apoios e prestigiar Minas Gerais” (RONDON PACHECO, Governador de Minas Gerais, 1971-1975).

“Li, de uma só sentada, o livro ‘O Caminho de Volta’. Conheço poucas obras que relatam com tão ricos detalhes a história política de Minas Gerais (...). Poucos políticos vivos podem relatar com riqueza de detalhes (...) a história dos últimos 50 anos do nosso Estado”  (LUIZ TADEU LEITE, Prefeito de Montes Claros).

“Momentos decisivos da história do Brasil foram protagonizados por homens que, a partir de Minas, e com peculiar competência, fizeram inicialmente a política de âmbito municipal. É no município que está guardado o interesse fundamental das pessoas a quem um governo deve servir; a partir daí, aprende-se lidar com os problemas sociais na órbita estadual e federal. Os bons políticos levam para os cargos públicos, conhecimento do que deve ser feito na busca do progresso, mas também sentimentos e aspirações, às vezes dolorosas, do povo. Sua atitude na vida pública não busca interesse pessoal, repleta que deve estar desse patriotismo que somente as lembranças da terra da infância sabem construir. Geraldo Paulino Santanna fez esse caminho para a vida pública. Saindo de Salinas para o centro do poder no Estado, manteve a obrigação de comportar-se como sertanejo autêntico, de trato ladino e bem humorado”  (OSWALDO ANTUNES, Jornalista).
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

SANTANNA, Geraldo Paulino. O Caminho de Volta - A Travessia do Deserto. Belo Horizonte: 2004, 2ª. Edição, 444 páginas.
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Obs.: O artigo acima foi publicado no IV  Volume da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros (IHGMC).

27/10/2009

Expedição "Anísio Santiago"



Por Roberto Carlos Morais Santiago

Três amigos de bem com a vida e uma ideia. Américo (advogado), Jayme (delegado de polícia) e Túlio (engenheiro) são grandes amigos em Ribeirão Preto (SP) onde moram e trabalham.

Apreciadores de uma boa cachaça resolveram realizar uma viagem especial batizada de “Expedição Anísio Santiago” aos municípios de Salinas e Novorizonte, norte de Minas, para conhecer a fazenda Havana onde é produzida a famosa cachaça Anísio Santiago/Havana. Para eles a fazenda Havana é uma espécie de reduto sagrado da legítima cachaça brasileira. “A cachaça ali produzida é uma bebida lendária. Quem gosta de uma cachaça de qualidade deve um dia visitar a fazenda Havana e conhecer um pouco da história de Anísio Santiago e do legado que deixou”, diz o advogado Américo.

Os três amigos saíram de Ribeirão Preto no dia 22 de outubro logo pela manhã e percorreram cerca de mil quilômetros com suas possantes motos de mil cilindradas até o destino tão almejado. Ao anoitecer chegaram a Montes Claros, principal cidade da região e porta de entrada do sertão norte-mineiro, onde se encontraram com o bloguista que aqui vos escreve para um bate papo sobre a cachaça de Salinas e a história de Anísio Santiago, e, claro, para um merecido descanso para no outro dia seguir viagem até o destino traçado.

Dia seguinte, logo pela manhã, céu nublado, com suas possantes motos percorreram o último trecho de 210 quilômetros que faltava pela BR-251 que separa Montes Claros da capital da cachaça, Salinas. A viagem foi rápida, cerca de uma hora e meia. Ao chegarem, logo se encontraram com Osvaldo Santiago, filho e sucessor de Anísio Santiago e seguiram para a fazenda Havana. A tão sonhada viagem estava se materializando. O cansaço era visível, mas todos alegres e satisfeitos.

Chegaram na fazenda Havana lá pelas onze horas da manhã. Acharam a região muito bonita, no sopé da serra dos Bois, distante 14 quilômetros de Salinas. A estrada vicinal que adentra pela fazenda é linha divisória entres os municípios de Salinas e Novorizonte. Gostaram do que viram. Nada lembrava as grandes fazendas de cana do interior de São Paulo. Muito pelo contrário, o canavial de cana, muito pequeno por sinal, se encontrava em sintonia perfeita com o ambiente ao redor, escondido entre as colinas e morros da fazenda.

Conhecer o alambique foi ponto alto da visita. Tudo muito simples, mas muito funcional. Constataram que tudo ali tinha uma história de vida, a história de Anísio Santiago (1912-2002), que projetou aquela fazenda nos mínimos detalhes e que continua com a família desde a década de 1940. Tudo continua o mesmo desde quando faleceu em 2002. Osvaldo Santiago, diz que “Tudo aqui permanece como ele deixou. Não vamos mudar nada. O método de produção da Anísio Santiago/Havana é o mesmo”. Extasiados, provaram da cachaça no momento da fabricação. Prosearam com Osvaldo Santiago e tiraram muitas fotos.

Satisfeitos com a atenção do Sr. Osvaldo, agradeceram pela honra da visita e prometeram voltar ano que vem para conhecer o festival da cachaça de Salinas. Serão recebidos de braços abertos pelo povo de Salinas.

05/11/2008

Cachaça Havana é destaque na revista Sexy


A revista SEXY, edição de novembro de 2008, na seção BOTECO (páginas 106-111), traz TOP16, em homenagem aos 16 anos de edição da revista. São bebidas (de todos os tipos), comidas e ingredientes imperdíveis da gastronomia brasileira. No quesito cachaça, a marca Havana-Anísio Santiago (clique na imagem para ampliar), produzida em Salinas, foi apontada como referência nacional. Aliás, a marca vem se mantendo no topo das melhores bebidas do país ao longo das últimas décadas, dando sua contribuição histórica na projeção do município de Salinas como referência nacional na produção de cachaça artesanal de qualidade. Site da revista: http://www.revistasexy.com.br/.

16/10/2008

Cachaça de Salinas em evidência


Por Roberto Carlos Morais Santiago

Tendo como base a arrecadação de ICMS de 2007 e 2008, na atividade econômica de produção de cachaça, três produtores de Salinas figuram no rol das 300 maiores empresas do Norte de Minas em universo de cerca 17 mil empresas.

Em primeiro lugar, vem o produtor das marcas Boazinha, Saliboa e Seleta (52º. lugar no ranking), do empresário Antônio Eustáquio Rodrigues.

Em segundo lugar, vem o produtor da marca Salinas (54º. lugar no ranking), do empresário Heleno Medrado Fernandes.

Em terceiro lugar, vem o produtor da marca Anísio Santiago-Havana (282º. lugar no ranking), do empresário Osvaldo Mendes Santiago, atual sucessor de Anísio Santiago.

Ressalta-se que os dois primeiros melhores ranqueados (produtores Antônio Eustáquio Rodrigues e Heleno Medrado Fernandes) possuem estrutura de produção em larga escala e também são os maiores produtores do estado. Já o terceiro melhor ranqueado (produtor Osvaldo Mendes Santiago) é considerado pequeno produtor em face de reduzida escala de produção. Entretanto, a marca Anísio Santiago-Havana possui alto valor agregado que a possibilita estar entre as 300 maiores empresa do norte-mineiro.

A produção de cachaça em Salinas, ao longo dos últimos anos, vem estimulando o desenvolvimento sócio-econômico do município possibilitando a geração de renda, emprego e recursos públicos ao erário municipal.

10/10/2008

Salinense é homenageada pelo Tribunal de Contas de MG


O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE/MG), anualmente, homenageia personalidades e cidadãos que prestam relevantes serviço ao País e a Minas Gerais com a outorga da medalha "Colar do Mérito da Corte de Contas Ministro José Maria de Alkimim".
A salinense Beatriz Morais de Sá Rabelo Correa, Secretária-Executiva da AMAMS (Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene), com sede em Montes Claros, será uma das homenageadas pelos relevantes serviços prestados à frente da maior associação de municípios do Brasil, no dia 30 de outubro de 2008, em Belo Horizonte. Justa homenagem.
Site do TCE/MG: www.tce.mg.gov.br.

05/10/2008

Prefeitos de Salinas e Novorizonte são reeleitos


O prefeito de Salinas (MG), José Antônio Prates (foto ao lado), foi reeleito com 11.065 votos (53,83%) contra 9.941 votos (46,17%) do empresário kinkas da Ciclodias, na eleição municipal realizada hoje no município. Já se esperava vitória do atual prefeito que vem realizando excelente administração na Prefeitura de Salinas. A sua reeleição é sinal de não se mexe em time que está ganhando. Parabéns ao prefeito reeleito e fica a expectativa de que a próxima administração (2009-2012) será melhor que a anterior (2005-2008).
Em Novorizonte, município vizinho de Salinas, o atual prefeito Ilton Costa também foi reeleito com 2.178 votos (68,08%) contra 1.021 (31,92%) do opositor Aldo de Almeida. Parabéns ao prefeito reeleito.
Em Patis, o salinense Valmir Morais de Sá, também foi reeleito prefeito com 2.013 (59,35%) contra 1.379 (40,65%) do opositor Edmundo Versiani. O prefeito Valmir fez excelente administração em Patis e merecia a reeleição.

03/10/2008

Cachaça de Salinas é destaque na Bahia



O site notíciasdabahia.com.br publicou, dia 12/09/2008, interessante reportagem sobre a cachaça mineira, com destaque para a cachaça de Salinas. Segundo a reportagem, está prevista a realização do 1º. Encontro da Cachaça Mineira em Feira de Santana. Saiba mais clicando no título acima.

02/10/2008

Raio-X da cachaça mineira


Por Roberto Carlos Morais Santiago

Segundo o último levantamento quantitativo de produtores de cachaça de Minas Gerais, realizado pelo IBGE em 1995, haviam no território mineiro cerca de 8,5 mil alambiques de cachaça formais e informais. Sabe-se que o índice de informalidade do setor é elevado.
Pesquisa realizada na Receita Estadual de Minas Gerais, entre o período de 2005 a 2008, constatou-se que o percentual de informalidade do setor é elevadíssimo tomando-se o ano de 1995 como referência, tendo em vista que desde então o IBGE não realizou novo levantamento quantitativo de produtores de cachaça no território mineiro.

Em 2005, haviam em Minas Gerais 563 estabelecimentos produtores cadastrados (6,62%) no Fisco mineiro. No período recolheram ao erário mineiro 1,560 milhão de reais de ICMS (imposto de competência estadual). Salinas, principal produtor estadual, foi responsável por 41,53% do total recolhido (36 produtores).

Em 2006, houve redução para 336 estabelecimentos produtores (3,95%). A arrecadação de ICMS foi de 1,522 milhão de reais. Salinas foi responsável por 45,74% do total recolhido (23 produtores).

No ano de 2007, em relação ano anterior, houve uma ligeira elevação do número de produtores, que saltou para 368 (4,32%). O ICMS teve expressiva arrecadação de 3,331 milhões de reais. Salinas participou com 31,31% do total recolhido aos cofres públicos (31 produtores).

Em 2008 (período de janeiro a agosto), o número de produtores caiu para 316 (3,71%). Em compensação, a arrecadação de ICMS subiu para 3,784 milhões de reais. A expectativa é que até o final do ano a arrecadação ultrapasse 5 milhões de reais. Salinas, no mesmo período, participa com 19,46% (25 produtores) do total arrecadado em todo o território mineiro.

Tendo o ano de 1995 como referência (levantamento do IBGE) e diante dos números acima citados, conclui-se que o índice de informalidade continua elevado (acima de 90%). Em 2005, a formalidade representava apenas 6,62%. Em 2008, caiu para espantosos 3,71%. O fato é que ao longo dos últimos anos tem havido maior competividade no agronegócio da cachaça mineira. O processo de globalização da economia brasileira e mineira ao longo dos últimos anos, além de uma carga tributária elevada conjugado com uma competição desigual com o setor informal que nada recolhem de impostos e representam mais de 90% de toda a cadeia produtiva, tem provocado migração de muitos produtores da formalidade para a informalidade. O fato é que a informalidade é a regra e a formalidade é a exceção.

Tal fato é preocupante, pois pode provocar retração irreversível de todo um processo realizado desde o início da década de 1990 com objetivo de otimizar e qualificar a produção artesanal da cachaça mineira (Projeto Pró-Cachaça promovido pelo governo mineiro).

Por outro lado, não se pode negar que está havendo seleção natural de produtores no mercado pelo consumidor. O produtor de cachaça que não percebeu a evolução e modernização do mercado foi "expulso" para a informalidade ou mudou de profissão. A tendência do mercado é que a médio prazo haverá no máximo 150 produtores de cachaça formais em Minas Gerais, que representará cerca de 3% do índice de formalidade do agronegócio da cachaça mineira.

09/09/2008

Salinas e região pode se beneficiar com minério de ferro


O Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas (INDI), órgão do governo mineiro, confirma o grande potencial para exploração de minério de ferro nas cidades de Rio Pardo de Minas, Grão Mogol, Porteirinha e Salinas. O levantamento despertou o interesse de grandes empresas do setor de mineração. Um dos projetos prevê investimentos de 2,4 bilhões de reais nesses municípios, podendo gerar 3 mil empregos. A reserva do Norte de Minas, que seria a maior do Brasil em área contínua, tem potencial de 10 bilhões de toneladas de minério de ferro, com teor de 35% a 45% (o teor do Quadrilátero Ferrífero, região próxima de Belo Horizonte, é de 68%). O Norte de Minas em pouco tempo pede ser um dos maiores pólos de mineração do país.
Fonte: http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=90073

02/09/2008

"Havana: da arte ao mito"


Prefácio à 2ª. edição do livro

O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago,

(de autoria de Roberto Carlos Morais Santiago)


Prefácio de Dário Teixeira Cotrim (*)


"Quem bem conhece o economista e historiador Roberto Carlos Morais Santiago, quem conversou e quem compartilhou de seu entusiasmo, sempre presente em cada uma das páginas do seu influente livro: O Mito da Cachaça Havana – Anísio Santiago acaba por enaltecer acima de tudo o seu amor e a sua dedicação na valorização do trabalho deixado aqui pelo seu saudoso avô, o fazendeiro Anísio Santiago. Como se vê, a obra que ora prefaciamos é uma promessa da força criadora imanente nas idéias que o autor expende. A sua brilhante obra o projeta para muito além da querida terra que o viu nascer. Poder-se-ia dizer também que se trata de um livro sui generis, pois não há outro que trate com esmerado carinho deste mesmo assunto: a superior aguardente de cana da Fazenda Havana – Município de Salinas.

Ao leitor desatento pode até parecer que o mito da cachaça Havana somente tem lugar numa vala-comum da sociedade assim como os nossos sonhos; contudo, aquele afeito às elucubrações filosóficas facilmente desenredará de que este mito se trata de um fantástico relato sobre a importância da preservação de um produto e também da memória do seu ilustre produtor. Disse-nos com muita propriedade o autor que o seu avô Anísio Santiago “era [uma] pessoa que não gostava de se expor. Sempre procurou levar uma vida reservada, serena e humilde. Entretanto, era uma pessoa observadora, metódica e extremamente detalhista”. Infelizmente uma surpresa atroz estava-lhe reservada. Era a disputa da marca Havana pela empresa Havana Club Holding desde 1994. Entrementes o autor reúne toda documentação a cerca do assunto para uma breve comunicação de alento: por justiça o rótulo Havana está de volta ao mercado brasileiro.

Poderão até encontrar os amantes da cachaça neste excelente trabalho de pesquisa um compêndio de estatística metodológica, um tratado de estatística pura, e até mesmo um livro elementar de fórmulas matemáticas, por simples que fossem, as quais se justificariam ante os objetivos visados pelo autor. Ao passo que não é tão somente desta forma que o livro de Roberto Carlos foi concebido, com certeza! Evidentemente que esses elementos estão inseridos no contexto do trabalho do neo-acadêmico Roberto Carlos porque são eles imprescindíveis. Era, pois, necessário que fosse assim para que a inquietação dolorosa do descaso lhe não viesse obnubilar a memória fecunda das sublimes recordações.

Na verdade o presente livro constitui também de um momento histórico – o histórico seguro e o histórico completo – de onde surgiu a cachaça no território brasileiro e, principalmente, a sua origem e a origem da sua querida Salinas. No foco central de sua obra o autor nos explica como, artesanalmente, a aguardente é destilada e o sucesso que ela alcançou no mercado nacional e internacional. O ideal de Roberto Carlos pode, talvez, resumir-se neste quesito: o de ensinar os catrumanos a encarar os problemas triviais, suscitados pelo progresso das ciências, fazendo-os que tenham uma visão plena e real do presente, e não mais aquela perspectiva do passado. Na verdade, na primeira parte do livro o caminho segue essa direção.

Por outro lado, constitui o presente livro: O Mito da Cachaça Havana – Anísio Santiago um completo repositório de história e estórias àqueles que têm paixão e que apreciam, literalmente, a cachaça brasileira. O mais comezinho espírito de justiça manda reivindicar os triunfos desse notável homem público. Por isso o Instituto Brasileiro da Cachaça de Alambique – IBCA, a Associação Mineira de Produtores de Cachaça de Qualidade – AMPAQ e o SINDBEBIDAS/MG (FIEMG) lançaram na VI EXPOCACHAÇA – Feira Internacional da Cachaça, o prêmio Excelência da Cachaça Anísio Santiago.

Numa segunda parte deste livro, já que podemos dizer assim, o autor reserva espaço para as opiniões acerca do assunto adrede proposto. Personalidades ilustres falam sobre a cachaça e o seu produtor. É explorado com exaustão o benefício que a cachaça legou ao município de Salinas e, principalmente o seu desenvolvimento econômico e social. Também diríamos que o livro encerra com uma coletânea de artigos e reportagens publicadas nos diversos jornais e revistas do país.

O livro de Roberto Carlos não é uma obra genuinamente literária. Essa é, talvez, uma impressão equivocada minha. Mas, no primeiro momento eu o vejo como sendo um compêndio histórico de valorosa documentação e relatos sobre a maturação da cachaça artesanal no município de Salinas, onde o autor procura resgatar as tradições inerentes à produção de uma boa cachaça.

Todos aqueles que desejam criar algo de novo, imperecível, precisam, antes, mesmo de mais nada, tê-lo vivido intimamente. Pois foi neste clima festivo em que o caldo de cana era fermentado nos tachos de madeira e destilados em alambiques de cobre que o autor abriu os olhos para o mundo. As reminiscências de sua infância misturam-se agora aos bagaços de cana espalhados em um lugar qualquer do quintal, enquanto isso, o ranger do engenho traz de longe as mais belas lembranças de um passado tão presente. Não me arrisco em afirmar que na feitura deste livro quantas noites foram consumidas em vigílias, em cilícios espirituais, e no imo poder-se sentir que o sucesso do seu empreendimento valeu a pena. Sempre tenho, aliás, sustentado que ninguém é isto ou aquilo porque quer, mas porque as suas tendências nestes sentidos são irresistíveis e insuperáveis. Portanto, acredito que Roberto Carlos não escreveu este livro por acaso, mas tão somente porque em suas veias corre o sangue de um homem justo, trabalhador, persistente e honrado: Anísio Santiago.

O sucesso do livro de Roberto Carlos Morais Santiago, acrescido do prestígio incondicional do nome ‘Anísio Santiago’, tudo isto vem mais uma vez provar que a cachaça Havana será tanto mais universal quanto mais nacional. Um produto de nossa terra que já cruzou os limites internacionais e certamente que continuará neste caminho por uma eternidade. Por conseqüência, a marca Havana será tanto mais brasileira quanto mais salinense, pois ela representa o que de melhor existe na industrialização da aguardente nacional.

Neste contexto solicitamos ao economista e historiador Roberto Carlos Morais Santiago e a sua família que não esmoreçam na tarefa que realizam e da qual só podem advir benefícios para o povo da nossa querida cidade de Salinas."

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(*) Escritor, historiador, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros e Minas Gerais, membro da Academia de Letras de Montes Claros (Site: http://www.darioteixeira.blogspot.com/).

26/08/2008

O Chevrolet Lordmaster 1947 do "seu" Anísio Santiago


Por Roberto Carlos Morais Santiago

O caminhão Chevrolet Lordmaster 1947 é o único que se tem notícia que ainda existe na região de Salinas. Encontra-se em perfeito estado de conservação. É uma verdadeira relíquia automobilística. Tudo original e nunca foi batido. Encontra-se bem guardado na fazenda Havana, zona rural do município. De vez em quando Osvaldo Santiago, filho de Anísio Santiago, dá umas voltas para aquecer o motor movido à gasolina. Faz quatro quilômetros por litro. Por onde passa desperta curiosidade nas pessoas. Os mais velhos o olham com nostalgia lembrando dos velhos tempos em que viajavam com o seu proprietário até Bom Jesus da Lapa, na Bahia, às margens do rio São Francisco.

O proprietário era nada mais nada menos que Anísio Santiago (1912-2002), o lendário produtor da cachaça Havana, ícone da legítima cachaça de qualidade de Salinas. Adquiriu o caminhão no ano de 1947, juntamente com o irmão Silvio Santiago (1903-1986) e o amigo Aníbal Gonçalves das Neves. Importado dos Estados Unidos, ele próprio foi ao Rio de Janeiro buscar o veículo. Logo comprou a parte do irmão e do amigo e tornou-se único proprietário do veículo.

Com o caminhão Anísio Santiago comercializava a cachaça Havana na região de Salinas e sertão norte mineiro. Teve participação decisiva na divulgação da famosa cachaça. Foi utilizado para transportar cachaça de 1947 a 1985, quando aposentou o caminhão na fazenda Havana.

Recentemente, passou por uma reforma completa permanecendo inalteradas as suas características originais. Em 2007, participou da inauguração do terminal rodoviário “Anísio Santiago”. Oficialmente, foi o primeiro veículo a circular no terminal. Prêmio mais que merecido, afinal foi um dos primeiros veículos a circular na região de Salinas. É um velho remanescente de uma época pioneira de onde a modernidade chegava pelas estradas empoeiradas e esburacadas.

Em julho de 2008, foi exposto no VII Festival Mundial da Cachaça de Salinas. O stand do caminhão foi um dos mais visitados do evento. Uma verdadeira estrela. Atualmente, pertence aos filhos de Anísio Santiago que relutam em vendê-lo apesar da insistência de colecionadores em levá-lo embora a qualquer preço.

Particularmente, entendo que o caminhão nunca deveria deixar a fazenda Havana. Faz parte da história da família de Anísio Santiago e da cachaça Havana que ajudou a projetar transportando em sua carroceria pelo sertão norte-mineiro. O velho Chevrolet Lordmaster 1947 é testemunha de uma época de ouro cujo pioneirismo de pessoas como Anísio Santiago que com o seu velho caminhão levava e trazia mercadorias, pessoas e sonhos.

19/08/2008

Conversando com o escritor Dário Teixeira Cotrim


No dia 21/08/2008, às 19h30, no Instituto Superior de Educação Ibituruna (ISEIB), em Montes Claros, o escritor Dário Teixeira Cotrim participa do Palavras & Idéias. Abordará sobre as suas obras publicadas (mais de 14 livros) e as inéditas. Fará, ainda, uma retrospectiva sobre a sua participação no meio cultural de Montes Claros (Academia Montes-clarense de Letras, Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, ACLECIA – Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco, Grupo Literário “Oficina das Letras” e de outras entidades das quais participa: Academia Guanambiense de Letras, Academia Caetiteense de Letras, Academia de Ribeirão das Neves, Academia de Várzea da Palma e o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Vale a pena conferir. Para conhecer as suas obras literárias, acesse o seu site (blog): www.darioteixeira.blogspot.com.

21/07/2008

Nota fiscal eletrônica para produtores de cachaça


A partir de 01/12/2008, produtores de cachaça de Minas Gerais terão que emitir nota fiscal eletrônica (NF-e) na saída da bebida do estabelecimento produtor. A nova medida, segundo a Receita Estadual de Minas Gerais, tem por objetivo a implantação de modelo nacional de documento fiscal eletrônico para a substituição da sistemática atual de emissão de documento fiscal, reduzindo custos, simplificando obrigações acessórias e permitir o acompanhamento em tempo real das operações comerciais pelo Fisco. Os produtores de cachaça da região de Salinas e de todo o território mineiro devem ficar atentos para a nova realidade que se apresenta. Acompanhar as novas tecnologias de gestão se faz importante para não perder espaço no mercado da cachaça que está extremamente competitivo e todo cuidado é pouco. Para saber mais sobre a nota fiscal eletrônica acessar o site: http://portalnfe.fazenda.mg.gov.br/

15/07/2008

Cachaça Indaiazinha faz 50 anos



Por Roberto Carlos Morais Santiago

Lançada no mercado em 1958 pelo produtor Valdete Romualdo da Silva, a cachaça Indaiazinha se tornou em marca tradicional de Salinas. Produzida inicialmente na fazenda Sobrado, próximo ao povoado do Indaiá, é atualmente produzida na fazenda Sobradinho, na Serra dos Bois, na zona rural do município. A produção é limitada e envelhecida cerca de 6 anos. Uma verdadeira iguaria para os amantes de uma boa cachaça artesanal.

No início da produção em 1958, amigos de Valdete Romualdo o acharam louco pela decisão de produzir cachaça. Até então somente haviam poucas marcas de cachaça em Salinas, a Havana (1943) do produtor Anísio Santiago, Piragibana (1955?) do produtor Nei Corrêa, dentre outras. De olho no sucesso das duas marcas Valdete Romualdo foi insistente e o negócio deu certo. Tanto que na primeira safra toda a produção foi vendida.

É fato incontestável que Valdete Romualdo faça parte do rol de produtores pioneiros de Salinas ao lado de Anísio Santiago, Ney Correa, dentre outros. Foram determinantes na transformação do município na mais importante região produtora de cachaça artesanal de qualidade na atualidade em todo o território brasileiro. Hoje são mais de 50 marcas e produção anual de mais de 5 milhões de litros.

O agronegócio da cachaça de Salinas é uma realidade pelo pioneirismo de produtores como Valdete Romulado, Ney Correa, Anísio Santiago, dentre outros, que acreditaram em uma atividade econômica que poderia vingar no município. Eles estavam certos. A cachaça de Salinas é uma incrível realidade. Basta visitar os stands do Festival Mundial da Cachaça para ver o público delirar com a qualidade e requinte das garrafas expostas. Degustadores de todo o Brasil apreciam e admiram a qualidade da cachaça de Salinas.

Em homenagem aos 50 anos da marca Indaiazinha, o produtor Valdete Romualdo da Silva recebeu justa homenagem pelos organizadores do VII Festival Mundial da Cachaça de Salinas pela sua trajetória pioneira que soube forjar uma marca de cachaça de excelente qualidade: Indaiazinha.

Cachaça de Salinas em festa


Aconteceu nos dias 11, 12 e 13 de julho de 2008, o VII Festival Mundial da Cachaça de Salinas. A Associação dos Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (APACS), promotora do evento, prestou homenagem aos seguintes produtores e distribuidores da cachaça do município: Anibal Mendes de Oliveira, Antônio Eustáquio Rodrigues, Elmar de Oliveira Santana, Guilherme Dallmann Neto, Guilherme de Alcântara Oliveira, José Carlos da Cruz, José Lauro Madureira, Nivaldo Gomes de Oliveira, Osvaldo Bernadino Junior, Roberto Zimmermann, Ronaldo Fidélis Miranda, Tito Sérgio de Almeida Morais e Valdete Romualdo da Silva. A seguir algumas fotos do evento:



(Stand da cachaça Boazinha e Seleta)


(Stand da APACS)

(Caminhão Chevrolet Loadmaster 1947, da família de Anísio Santiago)

(Stand da cachaça Havana-Anísio Santiago e Canarinha)

(Stand da cachaça Havana-Anísio Santiago e Canarinha)

(Stand da cachaça Asa Branca e Cachoeira)

(Stand da cachaça Sabor de Minas)

(Stand da cachaça Sabor de Salinas)


(Caminhão Chevrolet Loadmaster 1947, da família de Anísio Santiago. Um dos primeiros veículos a circular em Salinas na segunda metade do século XX)

(Stand da cachaça Indaiazinha, Beija-Flor e Salivana)

(Stand da APACS)

04/07/2008

Cachaça fina

A revista Brasil Almanaque de Cultura Popular (Edição nº. 109, maio de 2008, página 11) publicou interessante reportagem em homenagem ao dia estadual da cachaça de Minas Gerais (21 de maio), conforme texto na íntegra abaixo:


Coisa Fina

Até Reagan e Fidel provaram da marvada de seu Anísio

Entre os municípios de Salinas e Novorizonte, em Minas Gerais, está localizada a fazenda Havana. Olhando de fora da cerca, o canavial e o engenho parecem simples, mas ali é produzida uma cachaça venerada País afora e até no exterior: a Anísio Santiago, conhecida também por seu nome inicial, Havana (no início dessa década, a empresa Havana Club, que registrou o nome, impediu o uso da marca).

O criador da cachaça, Anísio Santiago, nasceu em 1912. Quando jovem, trabalhou como carpinteiro, tropeiro e motorista. Em 1942, comprou a fazenda e começou a produzir. Cinco anos depois, as garrafas ganharam o rótulo Havana e passaram a ser distribuídas pela região. O negócio prosperou. Logo Anísio começou a vender para o norte de Minas e sul da Bahia, inspirando outros produtores a seguir o seu caminho. Na década de 1970, Salinas já era um das maiores produtoras de cachaça artesanal do País.

Anísio Santiago morreu em 2002, ma seu legado continua. Os herdeiros produzem a iguaria e mantém a receita a sete chaves. A cachaça que já foi provada por presidentes tão díspares com Ronald Regan (EUA) e Fidel Castro (Cuba), custa cerca de 160 reais.

Atualmente, existem 50 marcas de cachaça na região, totalizando 5 milhões de litros por ano. Salinas é uma das 10 maiores economias do norte mineiro. Em 2006, foi responsável por mais de 45% do ICMS arrecadado no ramo de cachaça do Estado.

Economia da região de Salinas cresce acima da média


Pesquisa divulgada pela Fundação João Pinheiro (FJP) sobre o crescimento acelerado do emprego com carteira assinada no interior de Minas Gerais desbanca a Região Central, tendo em vista que municípios de regiões da Zona da Mata, Noroeste, Jequitinhonha e Norte de Minas estão se beneficiando com o crescimento econômico acima da média do estado, no período de 2000 a 2006.

De um universo de 66 microrregiões no Estado, seis tiveram crescimento econômico maior que a média do Estado que foi de 4,9%. As microrregiões são: Pedra Azul (10,4%), Janaúba (10,8%), Capelinha (10,8%), Mantena (10,8%), Grão Mogol (11,6%) e Salinas (12,4%), tendo os municípios pólos das microrregiões os carros chefes do crescimento econômico.

A microrregião de Salinas teve o principal destaque da pesquisa, com taxa de crescimento de 12,4% do emprego formal. O destaque para a região Norte de Minas (Janaúba, Grão Mogol e Salinas) deve-se ao resultado efetivo das políticas públicas de Minas para áreas mais vulneráveis tendo em vista que o governo mineiro tem estratégia de reduzir desigualdades regionais incentivando e fomentado investimentos.

Fonte: Minas Gerais, 03/07/2008, pág. 3.

Descoberta megareserva de minério em Rio Pardo de Minas


Segundo notícia veiculada no Portal UAI foi descoberta megareserva de minério no município de Rio Pardo de Minas (28 mil habitantes), localizado na microrregião de Salinas (Alto Rio Pardo), com potencial de 10 bilhões de toneladas, equivalente a um novo quadriláfero ferrífero, que em médio e longo prazo poderá mudar todo o panorama econômico do município e região norte-mineira. O Norte de Minas Gerais poderá ser a nova fronteira da mineração do estado. Para saber mais sobre a notícia clique no título acima e acesse a reportagem na íntegra do jornalista Luiz Ribeiro (Estado de Minas).

24/06/2008

Salinas realiza VII Festival da Cachaça


Por Roberto Carlos Morais Santiago

Acontece nos dias 11, 12 e 13 de julho de 2008, o VII Festival Mundial da Cachaça de Salinas. O evento divulga e fortalece o agronegócio da cachaça que já se tornou realidade e vem transformando a estrutura da economia do município.

Salinas, ao longo das últimas décadas, se tornou no maior produtor nacional de cachaça artesanal. Atualmente, a produção anual gira em torno de cinco milhões de litros sendo comercializada em todo o país e no exterior sob mais de 60 marcas, algumas de renome nacional e internacional. A marca ícone do município e região é a Anísio Santiago-Havana, reconhecida Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas por meio do Decreto Municipal nº. 3.728/2006. É considerada a mais tradicional e emblemática marca de cachaça artesanal do mercado brasileiro. Também é de Salinas o maior produtor nacional de cachaça artesanal sob as marcas Boazinha e Seleta, do empresário Antônio Eustáquio Rodrigues. As marcas de Salinas estão presentes nas principais gôndolas de supermercados e cachaçarias de todo o país. Marcas tradicionais como a Asa Branca, Beija-Flor, Brinco de Ouro, Canarinha, Cubana, Indaiazinha, Lua Cheia, Piragibana, Sabor de Minas, Salineira, Salivana, dentre outras, são muito conhecidas junto ao consumidor mineiro e brasileiro.

As evidências do sucesso da cachaça de Salinas são muitas. Recentemente, a revista PLAYBOY (edição de abril de 2007), elegeu sete marcas de Salinas entre as vinte melhores do país: Anísio Santiago-Havana (2º. Lugar), Canarinha (3º. Lugar), Boazinha (6º. Lugar), Piragibana (10º. Lugar), Indaiazinha (12º. Lugar), Lua Cheia (16º. Lugar) e Seleta (18º. Lugar). As eleitas representam 35% das marcas escolhidas pelo júri da conceituada revista.

Outra evidência da força da cachaça de Salinas está na arrecadação de ICMS, imposto sobre circulação de mercadorias e serviços, de competência estadual. O ICMS é um excelente indicador para mensuração da atividade econômica, pois permite fazer correlação com outros setores da economia. Permite, ainda, fazer análise sobre aspectos da formalidade e informalidade do setor.

Dados obtidos na Receita Estadual/MG revelam que Salinas vem aumentando a sua participação no agronegócio da cachaça mineira. A participação na arrecadação de ICMS no território mineiro vem aumentando a cada ano: 2000 (7,19%), 2001 (11,68%), 2002 (10,79%), 2003 (9,73%), 2004 (8,59%), 2005 (15,82%), 2006 (46,41%) e 2007 (45,67%). Os dados da arrecadação de ICMS evidenciam, de forma inequívoca, que Salinas talvez seja o único município mineiro que possui cadeia produtiva de cachaça consolidada. O volume de produção, a variedade de marcas e arrecadação de ICMS são fatores que demonstram tal evidência.

Poucas cidades brasileiras possuem símbolo que reflete a economia e cultura local. Salinas possui a cachaça como símbolo de sua vocação econômica e cultural. A genuína bebida brasileira ali produzida está cada vez mais cobiçada pela sua qualidade, tradição e variedade de marcas. Maria das Vitórias Cavalcanti, presidente do Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Cachaça (PBDC), em depoimento para o livro O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago (2ª. edição, 2007: 292 páginas) afirma que “É indiscutível a importância da região de Salinas para o desenvolvimento do mercado da cachaça no Brasil e no exterior. A busca dos produtores da região em desenvolver marcas e produto de qualidade diferenciada colocou Minas Gerais na liderança da produção de cachaça artesanal no Brasil”.

O processo de expansão e diversificação da economia brasileira ao longo das últimas décadas vem forjando e incrementando atividades econômicas de produtos típicos da cultura do Brasil no mercado com forte impacto nas economias locais. Neste aspecto, através de diversos fatores como clima, solo, conhecimento e tradição, Salinas vem promovendo o seu desenvolvimento sócio-econômico e ocupando espaço no mercado interno e externo através de bebida que expressa parte da cultura e identidade brasileira: a cachaça.

Informação sobre o evento: www.festivalmundialdacachaca.com.br

10/06/2008

Região de Salinas ganha pavimentação de estradas



O governo mineiro autorizou processo de licitação para pavimentação de mais 49 trechos de rodovias por meio do Proacesso em diversas regiões do estado, com investimentos previstos de 768 milhões de reais. Dos 49 municípios beneficiados, 17 pertencem às mesorregiões Norte de Minas, Noroeste e Vale do Jequitinhonha.

A microrregião de Salinas (composta por 17 municípios e população de cerca de 200 mil pessoas) foi beneficiada com os seguintes trechos: Novorizonte/MG-404 (20km), Santa Cruz de Salinas/BR-251 (12km), Fruta de Leite/BR-251 (20km) e Padre Carvalho/BR-251 (16km). A ordem de serviço foi dada ao DER-MG e as obras podem ser iniciadas a qualquer momento. Concluídas as pavimentações dos trechos, a economia da microrregião de Salinas ganhará novo impulso facilitando o escoamento da produção via BR-251.

Fonte: Jornal “Minas Gerais” (04/06/2008, pág. 3) e AMAMS: site http://www.amams.org.br/.

08/05/2008

Expocachaça - 2008


A 11ª. Expocachaça - 2008, acontece nos dias 5 a 8 de junho em Belo Horizonte (MG), no moderníssimo centro de eventos Expominas. A Expocachaça é o maior evento nacional do gênero e reúne produtores de cachaça de todo o país. É uma verdadeira festa da cachaça brasileira, a mais genuína bebida do país. Imperdível!

28/04/2008

Salinas participa do Brasil Cachaça 2008


O III Brasil Cachaça 2008, acontece nos dias 28, 29 e 30 de abril, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. O evento apresenta as melhores cachaças oriundas de todas as regiões do Brasil.

A cachaça mineira ganhou espaço exclusivo no evento. Com o apoio do Sebrae-MG, seis pólos produtores do estado: Salinas, Guanhães, Ponte Nova, Poço Fundo, Divinópolis e Araxá, estão presentes no stand “Cachaça de Minas”. Marcas tradicionais de Salinas como as Anísio Santiago-Havana, Beija-Flor, Canarinha, Sabor de Minas, Salineira, Tabúa, Terra de Ouro, etc. se fazem presentes no evento.

Mais informações no site www.exponor.com.br.

25/04/2008

Cachaça Havana contada em livro


Depois do sucesso da 1ª. edição do livro O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago (Editora Cuatiara: Belo Horizonte, 292 páginas) de autoria do salinense Roberto Carlos Morais Santiago, cuja tiragem esgotou rapidamente, já se encontra disponível a 2ª edição do livro que passou por revisão além de inseridas novas fotos e novos rótulos de cachaça de Salinas. A nova edição tem o prefácio do escritor e historiador Dário Teixeira Cotrim, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros (IHGMC) e da Academia Montes-Clarense de Letras (AMCL).

O livro aborda a trajetória histórica da mais emblemática marca de cachaça artesanal do mercado brasileiro: a Havana-Anísio Santiago. Produzida na fazenda Havana, município de Salinas, desde a década de 1940, pelo lendário produtor Anísio Santiago (1912-2002), agora pelos sucessores, a marca teve participação histórica na transformação de Salinas na principal região produtora de cachaça de alambique do Brasil, cujo reconhecimento veio em julho de 2006, através do prefeito de Salinas, José Antônio Prates, que decretou a marca Havana como Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas (Decreto Municipal nº. 3.728/2006), fato inédito no Brasil.

O livro aborda, ainda, aspectos históricos e sócio-econômicos da cachaça brasileira, mineira e de Salinas. O município, atualmente, é o principal pólo nacional de produção de cachaça artesanal do país com mais de 50 marcas, algumas de renome nacional e internacional. O livro pode ser obtido diretamente com o Autor pelo e-mail: rcmsantiago@gmail.com.

22/04/2008

Cachaça de Salinas busca certificado de origem geográfica


Por Roberto Carlos Morais Santiago

Tudo indica que em breve a cachaça artesanal produzida no município de Salinas terá o reconhecimento de Indicação de Origem Geográfica pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). O certificado representa verdadeira procedência geográfica, agregando reputação, identidade própria e vantagem competitiva em relação aos demais produtores de outras regiões.

A Associação dos Produtores de Cachaça de Salinas (Apacs), Prefeitura Municipal de Salinas, Escola Agrotécnica Federal de Salinas e Sebrae – Minas, estão elaborando projeto a ser apresentado ao INPI que poderá reconhecer o município como região produtora de cachaça de qualidade. A indicação geográfica, caso seja concedida, irá garantir uso reservado pelos produtores de Salinas, beneficiando e protegendo as marcas do município contra a concorrência desleal e falsificação, além de agregar valor ao produto. Em contrapartida, aumenta a responsabilidade dos produtores pela manutenção da tradição e qualidade da bebida.

No Brasil, no setor de cachaça, somente o município de Paraty (RJ) possui o certificado outorgado pelo órgão federal. O município fluminense é um dos mais antigos pólos produtores de cachaça, desde o período colonial.

Atualmente, o principal pólo brasileiro de produção de cachaça artesanal é o município norte-mineiro de Salinas. A produção anual atinge 5 milhões de litros, sendo comercializada sob mais de 50 marcas, algumas de renome nacional e internacional. Vários fatores contribuem para a indicação geográfica de Salinas: solo, clima, tradição, cultura e uma incrível variedade de marcas: Havana-Anísio Santiago (reconhecida patrimônio cultural imaterial de Salinas), Asa Branca, Beija-Flor, Indaiazinha, Canarinha, Monte Alto, Lua Cheia, Salineira, Seleta, Cubana, Boazinha, Sabor de Minas, Salinas, Artista, Fabulosa, Peladinha, Erva Doce, Terra de Ouro, dentre outras, tem o reconhecimento do consumidor brasileiro pela ótima qualidade.

Em 2007, os produtores de Salinas recolheram 1,042 milhão de reais de ICMS, imposto de competência estadual, ao erário mineiro. No mesmo período, os produtores de João Pinheiro (segundo colocado), recolheram 68,78 mil reais; Taiobeiras (terceiro colocado), recolheram 36,94 mil reais e Januária (quarto colocado), recolheram 28,04 mil reais. No mesmo exercício, o ICMS recolhido pelo setor produtivo representou 39,44% do total arrecadado no município, contra 31,58%, do exercício anterior. Os dados demonstram que o agronegócio da cachaça de Salinas, de forma inequívoca, é uma realidade com expressiva participação na economia do município. É o único município mineiro que possui cadeia produtiva de cachaça consolidada com alto índice de formalidade.

Reconhecer o município de Salinas como indicação geográfica na produção de cachaça seria o reconhecimento aos produtores que, historicamente, vem produzindo cachaça de qualidade indiscutível. Seria a coroação de todo um trabalho em prol da melhoria da qualidade da bebida em todos os sentidos. Salinas merece.

24/03/2008

Faleceu produtor da Cachaça Canarinha


Faleceu no dia 06/02/2008, aos 69 anos, Noé Santiago Soares, produtor da Cachaça Canarinha, uma das marcas de cachaça artesanal mais tradicionais de Salinas e Minas Gerais. Deixou o legado de produzir cachaça de alta qualidade. Noé Santiago sempre dizia que “tudo que aprendi sobre cachaça foi com o tio Anísio Santiago”, produtor da lendária cachaça Havana-Anísio Santiago. "A família de Noé Santiago vai dar prosseguimento na produção da Canarinha com o mesmo método original de produção", afirma Eilton Santiago, filho e sucessor de Noé Santiago, para satisfação dos admiradores e degustadores da famosa marca.

18/03/2008

Cachaça mineira tem nova alíquota de ICMS


Por Roberto Carlos Morais Santiago

O governo mineiro por meio do Decreto Estadual nº. 44.754, de 14/03/2008 (publicado no “MG”, de 15/03/2008), regulamentou dispositivos da Lei Estadual nº. 17.247, de 27/12/2007, onde promove algumas alterações no regulamento de ICMS. Dentre eles está a redução de alíquota de ICMS de 18% para 12% sobre a saída de estabelecimento produtor de cachaça (industrial, associação ou cooperativa de agricultura familiar). A nova alíquota de 12% tem validade a partir de 27/03/2008, e implicará na redução de 1/3 (um terço) sobre a alíquota anterior. Com isso, o produtor mineiro de cachaça ganha novo incentivo para incrementar a sua atividade econômica e competividade no mercado.


29/02/2008

Cachaça de Salinas em expansão no mercado


Por Roberto Carlos Morais Santiago

Marginalizada pela elite brasileira até a década de 1980, do século passado, até então consumida pelas classes menos favorecidas nos grandes centros urbanos, a cachaça vem passando por processo de valorização no mercado interno e externo. A bebida brasileira vive verdadeiro boom de consumo. O processo produtivo encontra-se em franca expansão, principalmente a cachaça artesanal, considerada de melhor qualidade em relação à cachaça industrial.

A cachaça surgiu no território brasileiro no início do século XV, junto com a colonização lusitana. Os engenhos de açúcar e cachaça se espalharam por toda a colônia, fincando marcos da colonização e contribuindo na formação da cultura do povo brasileiro. Ao longo dos séculos, diversas regiões brasileiras se destacaram na produção de cachaça.

No período colonial, Parati, no Rio de Janeiro, se constituiu no principal pólo de produção e comercialização do Brasil. Abastecia diversas regiões, principalmente a Capitania de Minas Gerais, que se desenvolveu com a exploração do ouro. Outras regiões como o Sul de Santa Catarina, Norte de São Paulo, Bahia e Pernambuco também foram importantes regiões produtoras de cachaça.

No século XX, São Paulo e Pernambuco são os maiores produtores da cachaça industrial. Por outro lado, Minas Gerais se constitui no maior produtor de cachaça artesanal. Dois municípios do Norte de Minas sobressaíram na produção de cachaça artesanal: Januária, na primeira metade do século e, Salinas, na segunda metade do século.

A decadência da cachaça de Januária deu-se pela ganância dos produtores que não souberam manter o padrão de qualidade existente e a cadeia produtiva passou por processo de retração irreversível na década de 1960.

Em Salinas, o município passou a se destacar a partir da década de 1940 por meio do lendário Anísio Santiago (1912-2002). O produtor foi responsável pelo surgimento de toda uma geração de produtores de cachaça no município em razão do sucesso da marca Havana-Anísio Santiago. Marca pioneira na região de Salinas, tornou-se ícone da cachaça mineira e brasileira ao longo das últimas décadas. Em 2006 foi reconhecida Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas (Dec. Municipal 3.728).

Na década de 1970, surgiram marcas importantes como a Asa Branca, Boazinha, Indaiazinha, Lua Cheia e Seleta. Nas décadas de 1980 e 1990, com a valorização da cachaça no mercado nacional e do apoio do governo mineiro por meio do Pró-Cachaça, surgiram novas marcas em Salinas como Beija-Flor, Canarinha, Cubana, Erva Doce, Fabulosa, Princesa de Ouro, Sabor de Minas, Salineira, dentre outras, todas de excelente qualidade. Os produtores da região de Salinas evitaram repetir o erro fatal cometido por outras importantes regiões produtoras. Atualmente, a produção anual fira em torno de 5 milhões de litros que é comercializada através de mais de 50 marcas. No município, a cadeia produtiva encontra-se consolidada e a formalidade do setor já é uma realidade.

Tanto que é verdade, que no século XXI, Salinas literalmente vem dominando o mercado mineiro e brasileiro de cachaça artesanal. Só para fazer comparação, a arrecadação de ICMS, principal imposto de competência estadual, em importantes municípios produtores de Minas Gerais, no ano de 2007, foi: Rio Pardo de Minas (R$ 1.512,43), Betim (R$ 21.811,15), Januária (R$ 28.047,11), Taiobeiras (R$ 36.941,96), João Pinheiro (R$ 68.787,75) e Salinas (R$ 1.042.888,78).

Ano após ano, a cachaça de Salinas vem aumentando a sua participação na economia local. A arrecadação de ICMS ilustra muito bem esta evidência. Fazendo correlação com a arrecadação total de ICMS no município, no ano de 2000, o ICMS sobre o setor produtivo foi de R$ 45,687 mil reais (4,11%), enquanto que no ano de 2007, o ICMS foi de 1,042 milhões de reais (39,44%), um crescimento nominal de 2.282,66% contra 237,91% sobre a arrecadação total. Pela ótica do ICMS, estima-se que em 2007 o faturamento global do setor produtivo alcançou a cifra de 11,5 milhões de reais contra 7,7 milhões de reais em 2006. Um crescimento de 88,8%. Os dados indicam que Salinas seja o único município mineiro em que a cadeia produtiva de cachaça artesanal encontra-se consolidada no aspecto econômico e da formalidade.

Em face do processo de globalização, Salinas encontrou na cachaça importante vocação econômica que vem contribuindo para o seu desenvolvimento. A mais genuína bebida brasileira se tornou no principal produto local e símbolo da cultura do seu povo.

26/02/2008

Escritora Amelina Chaves lança novo livro


Será no dia 5 (cinco) de março o lançamento do novo livro da escritora montes-clarense Amelina Chaves, que traz por título “O Priapo de Ébano. São contos eróticos muito bem elaborados. O livro ainda traz a capa do artista plástico João Rodrigues. Portanto, o Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros convida a todos os seus membros para prestigiarem o lançamento do livro de Amelina Chaves. O evento acontecerá no Automóvel Clube de Montes Claros, às 20 horas, do dia 5 (cinco) de março.

14/12/2007

Instituto Histórico de Montes Claros lança revista


O Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros (IHGMC) fará lançamento de revista em comemoração ao primeiro ano do Instituto, no dia 27 de dezembro de 2007, no Salão de Festas da Minas Brasil (Rua Pe. Augusto, 183, Centro, Montes Claros). A revista contém diversos artigos dos membros-fundadores que abordam diversos assuntos históricos de Montes Claros e região norte-mineira. Particularmente, como membro-fundador, dou a minha contribuição com o artigo "Salinas, 120 anos de história", em homenagem à minha terra que completou 120 anos em 4 de outubro. O IHGMC tem por objetivo pesquisar, interpretar e divulgar fatos históricos, econômicos, geográficos, arqueológicos e genealógicos do município de Montes Claros e Norte de Minas Gerais. É uma sociedade civil, sem fins lucrativos, também chamada de "Casa de Simeão Ribeiro Pires" e tem como lema "Labor Omnia Vincit".

13/12/2007

Documentário "Cachaça de Minas"



Por Roberto C. M. Santiago


O Programa Planeta Minas, da TV Rede Minas, apresentou em setembro e outubro de 2007, excelente documentário "Cachaça de Minas", que traz interessante perspectiva histórica, cultural, social e econômica do universo da cachaça artesanal mineira. No documentário foi dado grande destaque ao município de Salinas, importante região produtora de cachaça de qualidade. Outro destaque do documentário foi a fazenda Havana, onde é produzida a marca Havana-Anísio Santiago, tradicional cachaça mineira. A jornalista Jane Saldanha, repórter do documentário, ficou encantada com a fazenda. Enviou à família Santiago emocionante carta enaltecendo o compromisso dos sucessores de Anísio Santiago (1912-2002) na preservação do processo de produção da lendária marca Havana-Anísio Santiago. Confiram!!

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"CARTA AOS SANTIAGO"

Jane Saldanha (*)

"Toda e qualquer história é como o tempo que não cessa, não pára. Passado e presente tecem essa história, mas somente a intensidade dela vai determinar seu futuro e permanência.

Algumas vezes uma história segue por si só, mas há momentos de inspiração em que uma simples escolha vai determinar todos os rumos.

Assim como a determinação de peregrinos que faz com que sigam o caminho e superem obstáculos, uma história inesquecível se faz na persistência e na convicção.

Um único homem pode fazer história, mas são necessários outros que o sucedam para continuar essa travessia e mantê-la ao longo de décadas.

A história é feita de escolhas e tradições e se transforma em lenda quando ela nos envolve, provoca nossos sentidos até se impregnar em nossas lembranças.

Para tanto nem sempre é preciso muito... às vezes algumas horas bastam para que se desvende a origem de um mito...

Na Fazenda Havana conheci uma história inesquecível e onipresente. Na minha memória ficou um dia de sol, o barulho do corte da cana, a toada saudosa do som do carro de boi. O cheiro da garapa moída e fermentada.

Num único dia conheci um pouco de uma família e reconheci o legado de um pai aos seus filhos. Nos seus relatos, o senhor Osvaldo Santiago soube daquele pai de "que ninguém sentia falta de nada na presença dele, que estava sempre disposto a ajudar, a aconselhar, a fazer de tudo" ; do homem que dizia aos filhos que "tem que ter alicerce e estrutura".

Mas um dito particularmente me chamou a atenção: o de que "pra se aprumar na vida não se pula no último degrau da escada... ele pode arrebentar e você cair... é preciso subir o primeiro degrau e chegar ao topo devagarzinho".

Anísio Santiago escreveu uma grande história e se tornou uma lenda. Mas há muito mais por trás da saga da produção da cachaça Havana/Anísio Santiago.

Me bastaram algumas poucas horas para entender tudo isso e um único instante para perceber que a história da fazenda e de sua família conta muito mais, vai mais além da fabricação da marca de cachaça mais emblemática de nosso país.

Hoje para mim uma garrafa de Havana guarda muito mais que uma bebida rara, ela preserva história, memórias e lembranças.

Na Fazenda Havana vocês não produzem apenas uma cachaça. A cada safra, a cada colheita e corte, a cada moagem, no final de todo esse processo vocês destilam muito mais que a garapa azeda, vocês destilam um sonho, a realização e a perpetuação de um sonho muito antigo.

Que Deus continue abençoando essa jornada e essa missão.

Agradeço o tempo, a paciência e a gentileza dispensados a mim e à equipe da Rede Minas. Mas meu agradecimento maior é pela lição de vida de Anísio Santiago e seus descendentes."


(*) jornalista e repórter do programa Planeta Minas - Rede Minas. Belo Horizonte, 25 de novembro de 2007.

11/12/2007

Salinas, 120 anos de história


Por Roberto Carlos Morais Santiago

Atualmente, dos oitenta e seis municípios que integram a mesorregião Norte de Minas Gerais, somente sete conseguiram a emancipação política e administrativa no período do Segundo Império, no século XIX: Rio Pardo de Minas (1833), Montes Claros (1857), Grão Mogol (1858), Januária (1860), São Francisco (1877), Monte Azul (1887) e Salinas (1887).

A história primitiva de Salinas tem início no final século XVII, quando por volta de 1698, o bandeirante Antônio Luiz dos Passos, oriundo da Bahia, chegou à região de Rio Pardo de Minas para estabelecer fazendas de gado. Ao percorrer a região mais ao sul, habitada pelos índios Tapuias, descobriu rio pouco caudaloso (atual rio Salinas) e ali encontrou ricas jazidas de salgema – sal da terra – produto muito caro na época devido à escassez, que favoreceu o povoamento. Logo se formou o arraial de Santo Antônio de Salinas.

Naquele período, todo o Norte de Minas e Nordeste (Jequitinhonha e Mucuri) de Minas Gerais faziam parte do território da Capitania da Bahia, integrando a Comarca de Jacobina. Porém, na década de 1750, com a descoberta de diamantes na região do Arraial do Tejuco (atual Diamantina), as duas mesorregiões passaram a integrar a Capitania de Minas Gerais, integrando a Comarca de Serro Frio, conforme Resolução do Conselho Ultramarino de 13 de maio de 1757, com o intuito de controlar e fiscalizar a extração de ouro na região.

O arraial de Santo Antônio de Salinas era parte integrante do território do município de Minas Novas que pertencia à Comarca de Serro Frio. Em 1833, com a emancipação do distrito de Rio Pardo de Minas o arraial passou a integrar o território do novo município na condição de distrito. Em 1855, o distrito de Salinas ganha o status de freguesia. Em 1880 é reconhecida como vila por meio da Lei provincial nº. 2.725.

Em 1887, no dia 4 de outubro, a vila de Santo Antônio de Salinas é elevada à condição de município por meio da Lei Provincial nº. 3.485, adquirindo a sua emancipação política e administrativa. Se for considerado o período anterior a 1887, quando alcançou a sua autonomia político e administrativa, até o ano de 1833, quando passou de arraial a distrito de Rio Pardo de Minas, a história de Salinas alcança 174 anos. É um equívoco achar que a história de um município somente se inicia quando alcança a sua emancipação, muito pelo contrário, a história se inicia muito antes. A emancipação é somente uma etapa no processo histórico de desenvolvimento social, cultural, político e econômico de uma região.

Com a emancipação, o território do novo município é composto por quatro distritos: Salinas (sede-cidade), Águas Vermelhas (emancipado em 1962), Pedra Azul (emancipado em 1911) e Rubelita (emancipado em 1962). Mais tarde, em 1923, o povoado de Taiobeiras (emancipado em 1953) foi integrado ao município. Percebe-se que, originalmente, o território do município de Santo Antônio de Salinas era bastante extenso.

Em 1892, foi instalada a Comarca de Santo Antônio de Salinas, quando o Poder Judiciário de Minas Gerais decide estender os braços da lei para a região. O Dr. Francisco de Assis Freitas foi o primeiro Juiz de Direito da Comarca e o Tenente Coronel Rebeldino Pinto Coelho o seu primeiro Promotor de Justiça.

No poder executivo, o primeiro prefeito eleito somente veio em 1923, através do Dr. Clemente Medrado Fernandes. Neste ano, o município passou a se chamar somente Salinas, tal como é até hoje.

Recentemente, em 1995, os povoados de Fruta de Leite, Novorizonte e Santa Cruz de Salinas se emanciparam de Salinas. Com isso, o atual território do município é constituído de três distritos: Salinas (sede), Ferreirópolis e Nova Matrona. Possui área remanescente de 1.891 km² e população de 37.373 pessoas (IBGE, 2007). Integra a bacia hidrográfica do rio Jequitinhonha um dos principais rios de Minas Gerais.

Historicamente, Salinas sempre teve vocação para o progresso em face do dinamismo da sua economia e do seu povo, tradicionalmente empreendedor. Há mais de um século, desde os tempos do Império, o município exerce liderança política e econômica em toda a região do Alto Rio Pardo, que possui atualmente dezessete municípios e ocupa área de 17,1 mil quilômetros quadrados e um contingente populacional de cerca de duzentas mil pessoas (IBGE, 2007).

De Salinas surgiram muitos personagens que enalteceram a história do município tanto no aspecto econômico como político. Sem margem de dúvida pode-se citar Darcy Freire, Cel. Bernadino Costa, Cel. Idalino Ribeiro, Geraldo Paulino Santana, Péricles Ferreira dos Anjos, Anísio Santiago, dentre outros, que deram grande contribuição para o desenvolvimento da região.

Darcy Freire, engenheiro formado pela Escola de Minas, em Ouro Preto, foi político, fazendeiro e um dos maiores expoentes da literatura de Salinas. Exerceu influência em gerações de escritores salinenses.

O Cel. Bernadino Costa (Bernadino Ferreira Costa) foi um respeitável fazendeiro. Teve grande paixão pela política e era chefe do partido Republicano no município nas décadas de 1930-40. Trocava correspondência com o presidente da República, Artur Bernardes, e nutria forte oposição à política local do situacionista Cel. Idalino Ribeiro.

O Cel. Idalino Ribeiro dominou com mão de ferro a política de Salinas por muitos anos até meados da década de 1950. Foi um dos mais expoentes políticos do Norte de Minas na segunda metade do século XX.

Em 1958, aos vinte e um anos, o jovem Geraldo Paulino Santana, ao se eleger prefeito de Salinas, encerrava o ciclo de dominação política do Cel. Idalino Ribeiro. Iniciava-se, então, meteórica carreira política de um dos mais importantes e influentes políticos da história de Minas Gerais. Teve participação decisiva em diversos governos de Minas Gerais sempre ocupando destaque no meio político. É tido como um dos mais importantes políticos de Minas Gerais nos últimos 50 anos.

Também é de Salinas o produtor da lendária e emblemática cachaça Havana, Anísio Santiago (1912-2002). A famosa Havana teve participação histórica no processo de transformação de Salinas na principal região produtora da cachaça artesanal de todo o país. O produtor Anísio Santiago formou toda uma geração de produtores de cachaça de Salinas.

Atualmente, a produção anual de cachaça no município é de cerca de cinco milhões de litros de cachaça por ano sendo comercializada sob mais de 50 marcas em todo o país e no exterior. A Associação de Produtores Artesanais de Cachaça Artesanal de Salinas (Apacs), que representa os produtores do município, organiza em parceria com a Prefeitura Municipal, desde 2002, o Festival Mundial da Cachaça, evento que faz sucesso nacional e vem atraindo turistas de todo o país e do exterior ávidos por conhecer a famosa cachaça produzida no município.

Dentre as dezenas de marcas de cachaça produzidas no município as mais tradicionais são: Asa Branca, Beija-Flor, Boazinha, Canarinha, Cubana, Erva Doce, Indaiazinha, Lua Cheia, Piragibana, Preciosa, Sabor de Minas, Salineira, Seleta, Terra de Ouro e a emblemática Anísio Santiago-Havana, marca símbolo da região e reconhecida Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas por meio do Decreto Municipal nº. 3.728/2006, fato inédito no país no segmento de bebidas. Também é de Salinas o maior produtor nacional de cachaça artesanal em volume de produção que é comercializada sob as marcas Boazinha e Seleta, do empresário Antônio Eustáquio Rodrigues, um dos expoentes empresários de Salinas da atualidade.

A cachaça de Salinas, atualmente, é a segunda atividade econômica do município com participação de 33%, em média. Em 2006, foi responsável por 46,4% da arrecadação de ICMS sobre a produção da bebida em todo o território mineiro, demonstrando a força da atividade econômica. Definitivamente, a cadeia produtiva no município encontra-se consolidada. O Governo de Minas, em novembro de 2007, reconhecendo a importância de Salinas no processo de produção de cachaça artesanal de qualidade, em parceria com a Prefeitura local, resolveu criar o Museu da Cachaça de Salinas. O museu vem ratificar a projeção do município no cenário da produção de cachaça.

Outra importante atividade econômica é o comércio que participa com 50%, em média, na economia do município. São centenas de pontos comerciais que demonstram todo o empreendedorismo do salinense que está sempre em busca do progresso e desenvolvimento pessoal e da economia do seu município. Atualmente, Salinas figura entre as dez maiores economias do Norte de Minas, levando-se em consideração a sua contribuição na arrecadação de ICMS em toda a mesorregião norte-mineira. O ICMS, imposto de competência estadual, é um excelente indicador sobre o perfil econômico de municípios e regiões.

No plano educacional, estão sendo instalados vários cursos de nível superior na cidade propiciando evolução cultural e educacional do seu povo. Recentemente, o Governo Federal autorizou a implantação do inédito curso superior em produção de cachaça na Escola Agrotécnica Federal de Salinas.

No plano literário, Salinas gerou poetas e escritores expressivos como Abdênago Lisboa, Juventino Nunes, Darcy Freire, Milton Santiago, José Antônio Prates, Rafael Daconti, Aníbal Freire, Iara Tribuzi, Narciso Durães, Maria Helena Costa, Lena Guimarães, Carlita Guimarães, Argeu Guimarães, João Costa, Aníbal Freite, Danilo Borges, Maria Elza Sarmento (Sula), Nádia Maria Cardoso Sarmento, Tiana Rodrigues, Valdiney Barbosa, dentre outros.

A identidade de um povo está intimamente relacionada com sua história, seus costumes e sua cultura. Historicamente, o povo de Salinas forjou um modo de ser e viver. Nos tempos atuais de globalização soube se firmar no mercado brasileiro produzindo bebida que faz parte da história e cultura brasileira: a cachaça.

23/11/2007

Norte de Minas sofre com seca devastadora


Por Roberto Carlos Morais Santiago


O norte de Minas Gerais sofre com a sua pior seca em 30 anos. Há mais de 8 meses que a região não vê uma gota de chuva para amenizar o sofrimento do norte-mineiro. A zona rural é a que mais sofre com os prejuízos. Segundo a Emater-MG, mais de 150 mil cabeças de gado já morreram. Estima-se que mais de 100 mil pessoas estão tendo dificuldade de abastecimento de água até para consumo.

Historicamente, a região norte-mineira convive com a seca. A última seca devastadora foi em 1976. O fato é que a seca é uma realidade permanente, mas as autoridades e a população em geral ainda não aprenderam a conviver com ela. A falta de conscientização para o problema, o desmatamento desenfreado para produção de carvão para atender demanda das grandes siderúrgicas do centro-sul de Minas Gerais e o aquecimento global vem contribuindo para o agravamento da situação. Os rios perenes estão secando porque não respeitam as matas siliares ao longo de suas margens. Reservas florestais em muitas propriedades são derrubadas com o pretexto de fazer pasto para a criação de gado.

A tendência natural é que parte da região vire deserto, caso nada seja feito para reverter a situação. Reverter o desmatamento deveria ser uma prioridade absoluta na região. Medidas de médio e longo prazo precisam ser tomadas de imediato como o reflorestamento e a proteção dos rios e mananciais de água. O produtor rural, além de uma mudança cultural sobre o que acontece ao seu redor, precisa de incentivo dos governos estadual e federal no sentido de promover a recuperação de matas e reservas florestais, além de manter a viabilidade econômica de suas propriedades.

Atualmente, torna-se imperioso saber explorar economicamente a terra e ao mesmo tempo preservá-la para que o meio ambiente não se torne hostil ao homem. Os tempos estão mudando e o norte-mineiro precisa rapidamente entender qual é o seu papel em um horizonte sombrio que se avizinha. A palavra-chave de todo esse processo é a mudança de comportamento cultural. Explorar e preservar, eis o desafio do povo norte-mineiro com a sua região.

22/11/2007

"Cachaça mitológica"


Texto de Otto Gribel (*)




“Anísio Santiago produziu um artefato cultural mítico, cujo nome à época, em contexto político, era uma afronta à paranóia militar : a célebre Havana, nome da sua fazenda em Salinas; hoje a aguardente está rebatizada como "Anísio Santiago" em função de um litígio envolvendo o direito de patente da marca.


A história e vida desse mago da alquimia parece que, metaforicamente, juntou-se ao buquê do destilado mais famoso de Minas Gerais (Terra de Ouro, como reza o rótulo de outra "caninha"); ali, naquela obra-prima destilada ficou como que o sangue lendário do seu criador, bem como o brasão da família, o símbolo da saga de um herói que só pode ser cantado e "decantado" no ritmo do verso. Ter a honra de saborear uma "Havana - Anísio Santiago" tem o gosto de estar participando daquela odisséia, de um poema heróico cujo périplo parece infinito.


Qualquer outra cachaça, ante esse ícone da bebida brasileira, deixa óbvio no rótulo que não passa senão de "Boazinha", "Indaiazinha", "Canarinha", "Peladinha" ou "Furadinha" , consoante as declarações em seus respectivos rótulos, se comparadas (e elas se comparam inconscientemente, ao se ler as expressões diminutivas e reverentes, genufexas, em eufêmia! com que são denominadas), ao se compararem à aguardente daquele fabuloso homem que produziu em sua solidão de monge, em sua ermida, seu retiro do mundo, junto à sua família, na Fazenda Havana, um dos destilados mais reverenciados no mundo.

A "Havana, Anísio Santiago" traz em seu "sangue" uma dinastia da aguardente : todas as demais bebem nesse rio de "água ardente", vivem sob a égide desse ancestral dos destilados, à sombra da mais nobre das aguardentes de cana-de-açúcar jamais produzida ou imitada antes ou depois.Beber uma "Havana, Anísio Santiago" é como ter uma relação com a deusa Vênus, tamanha a expectativa que se criou em torno dessa aguardente mítica e real a um só tempo.”
(*) Poeta e escritor.

31/10/2007

Salinas ganha Museu da Cachaça


Segundo notícia veiculada no jornal oficial Minas Gerais, de 30/10/2007, o maior município produtor de cachaça artesanal de Minas Gerais e do Brasil vai ganhar um museu da cachaça. A prefeitura de Salinas e a Secretaria de Estado da Cultura firmaram Termo de Cooperação Cultural para a criação do museu no município com investimento estimado em 4 milhões de reais. O museu será implantado em três etapas, com início no final de 2007 e previsão de término em 2009. Será construído em terreno de 6 mil metros quadrados (antigo aeroporto de Salinas), cedido pelo prefeitura. Serão feitas pesquisas históricas e antropológicas, catalogação de acervos, inventários de bens culturais relacionados ao mundo da cachaça.

Com produção anual estimada em 5 milhões de litros e mais de 50 marcas comercializadas, a implantação do Museu da Cachaça de Salinas vem ratificar a importância do município no processo de valorização da cachaça artesanal mineira ao longo das últimas décadas. Atualmente, Salinas é o único município mineiro que possui cadeia produtiva consolidada e o setor já representa cerca de 33% de toda a atividade econômica do município.

Em 2006, os produtores de Salinas foram responsáveis por 46,4% da arrecadação de ICMS sobre produção de cachaça em todo o território mineiro. Salinas vem promovendo o seu desenvolvimento sócio-econômico e ocupando espaço no mercado brasileiro e no exterior através de bebida que aos poucos vem adquirindo o devido respeito junto ao consumidor brasileiro e estrangeiro. Ao implantar o Museu da Cachaça de Salinas em parceria com a prefeitura municipal, o governo mineiro vem reconhecer a importância do município no processo de produção e preservação do processo artesanal de um dos maiores bens culturais do povo mineiro: a cachaça.

22/10/2007

Receita Federal fiscaliza cachaça



A Receita Federal realizou no dia 19 de outubro (sexta-feira), no mercado central de Montes Claros, Norte de Minas Gerais, fiscalização para combater a falsificação e a venda de cachaça sem o selo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de competência federal. Foram apreendidas mais de 2.700 garrafas, causando protesto geral de vários comerciantes que possuem barracas especializadas em bebidas, principalmente a cachaça.

O fato é que a ação da Receita Federal é bem vinda no sentido de coibir a falsificação que é uma realidade neste segmento econômico e vem proteger o bom produtor e comerciante da bebida. Ressalta-se que comerciante e distribuidor devem sempre buscar adquirir a cachaça ou qualquer outro tipo de bebida diretamente com o produtor evitando intermediários inescrupulosos que buscam o lucro fácil com marca alheia.

Estima-se que no Brasil existam, atualmente, mais de 5 mil marcas. Em Minas Gerais, maior produtor de cachaça artesanal, são cerca de mil marcas. Nos últimos anos o padrão de qualidade vem melhorando não só em qualidade como na sofisticação das embalagens. Entretanto, o mercado clandestino da bebida ainda é grande e possibilita a falsificação e a venda do produto sem identificação ou origem causando prejuízo ao mercado legal e, principalmente, ao consumidor.

16/10/2007

Nova contagem da população da região de Salinas


Por Roberto C. M. Santiago


O IBGE publicou no Diário Oficial da União, no dia 05/10/2007, a nova contagem da população brasileira de 2007. Minas Gerais continua sendo o segundo estado mais populoso com 19,2 milhões de habitantes com crescimento de 7,66% em relação ao Censo 2000, de 17,8 milhões de habitantes.

A microrregião de Salinas (Alto Rio Pardo) ocupa área de 17,6 mil quilômetros quadrados e é composta por dezessete municípios. A população atual (2007) é de 205,9 mil habitantes com crescimento de 4,51% em relação ao Censo 2000, de 197,04 mil habitantes. O crescimento populacional da região ficou abaixo do verificado em Minas Gerais.

Salinas é o município mais populoso com 37.363 pessoas. Teve crescimento de 1,75% em relação ao último censo. O menos populoso é o município de Berizal com 4.383 pessoas com crescimento de 10,4%. O município de Curral de Dentro teve crescimento populacional de 16,09%, o maior da região. Agora possui 6.934 habitantes.

Por outro lado, o município de Rubelita se apresenta com o maior índice de retração da população com -18,7%. Passou de 10.199 para 8.292 pessoas representando quase um quinto da população do município. Rubelita vive verdadeiro êxodo populacional. Requer maior análise sócio-econômica para entender o que está acontecendo para haver tamanha retração populacional. Também o município de Fruta de Leite teve crescimento negativo de 6,64% com população atual de 6.327 pessoas. Dos dezessete municípios da microrregião, somente estes dois municípios tiveram crescimento negativo.

A tabela abaixo demonstra a atual realidade populacional de cada município da microrregião. Confira.



18/09/2007

ICMS sobre produção de cachaça de Minas tem redução de alíquota


O governo mineiro anunciou, hoje, pacote de medidas que altera a legislação tributária do estado, com redução de alíquotas e eliminação de taxas em diversos setores da economia mineira.

Entre as principais alterações está a redução de alíquota de ICMS sobre a produção de cachaça de 18% para 12%. Uma forma de compensar os produtores pela não inclusão no programa Simples Nacional, do governo federal. Como o programa Simples Minas, do governo mineiro, foi extinto, todos os produtores de cachaça de Minas Gerais foram enquadrados no regime de débito e crédito de recolhimento de ICMS, perdendo todos os benefícios que o antigo Simples Minas proporcionava, como a redução de base de cálculo de acordo com a faixa de faturamento mensal.

A nova alíquota de 12% de ICMS vem trazer um pouco de alívio aos produtores mineiros tendo em vista que a carga tributária sobre a produção da bebida é elevada, provocando elevado índice de informalidade do setor.

Salinas, com mais de 50 marcas, atualmente, é o município mineiro que mais arrecada ICMS sobre produção de cachaça no Estado. Em 2006, o município foi responsável por 46,4% do total arrecadado.

04/09/2007

A amazônia brasileira é nossa?


Os alunos do ensino médio dos Estados Unidos estão aprendendo nos livros de Geografia que as regiões do pantanal e amazônia brasileira não fazem parte do nosso território. E, mais, essas regiões são parte integrante da reserva internacional da floresta amazônica, de responsabilidade dos Estados Unidos e ONU. O mais curioso é que autoridades brasileiras sabem do fato e se omitem. No mínimo, o brasileiro deveria ser informado. A imagem ao lado extraída do livro é emblemática e não deixa dúvida sobe o assunto.

21/08/2007

Minas certifica cachaça de qualidade


O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) pretende aumentar as certificações de marcas de cachaça produzidas em Minas Gerais para atender às exigências sanitárias e de qualidade impostas pelo mercado interno e externo da bebida.

A reestruturação do programa mineiro de certificação de origem e qualidade de produtos agropecuários e agroindustriais é uma previsão no Projeto Estruturador Certifica Minas, elaborado pelo órgão mineiro e tem como objetivo ampliar a inserção competitiva da produção agropecuária mineira.

A idéia do IMA é gerenciar o Certifica Minas no período de 2007 a 2011 e já estabeleceu que irá certificar cerca de 200 produtores de cachaça. O produtor mineiro interessado deve buscar orientação no órgão (site: http://www.ima.mg.gov.br/). O sistema de avaliação de conformidade da cachaça adotado pelo IMA prevê metodologias em consonância com normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e o Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro).

O fato é que órgãos estatais (estadual e federal) estão impondo restrições no sentido de coibir produtores que não atendam às exigências legais. Quem não se enquadrar pode perder mercado a médio e longo prazo. O mercado da cachaça está ficando seletivo. Somente em Minas há cerca de mil marcas disputando espaço e sobrevivência. A tendência natural é haver redução drástica de marcas nos próximos anos não só pela seletividade do mercado como pelas exigências legais (sanitária, qualidade e tributária) impostas pelo poder público.

Atualmente, a principal região mineira produtora de cachaça de qualidade é Salinas com cerca de 50 marcas. Em 2006, o município foi responsável por 46,4% da arrecadação de ICMS sobre a produção de cachaça em todo o território mineiro.

09/08/2007

Os mandamentos da leitura


Na opinião do escritor Alberto Mussa (colaboradador da revista Entre Livros), o candidato a devorador de livros deve praticar 10 mandamentos para dedicar-se à literatura. E olha que não está fácil ser leitor uma vez que há inúmeras outras atividades que concorrem com o livro como a televisão, internet, jogos eletrônicos, cinema, teatro, etc. Mesmo assim, ainda vale a pena ler um bom livro. Os mandamentos, segundo Mussa, são:

I – Nunca leia por hábito: um livro não é uma escova de dentes. Leia por vício, leia por dependência química. A literatura é a possibilidade de viver vidas múltiplas, em algumas horas. E tem até finalidades práticas: amplia a compreensão do mundo, permite a aquisição de conhecimentos objetivos, aprimora a capacidade de expressão, reduz os batimentos cardíacos, diminui a ansiedade, aumenta a libido.

II – Comece a ler desde cedo, se puder. Ou pelo menos comece. E pelos clássicos, pelos consensuais.

III – Nunca leia sem dicionário. As palavras nunca são escritas por acaso.

IV – Perca menos tempo diante do computador, da televisão, dos jornais e crie um sistema de leitura, estabeleça metas. Se puder ler um livro por mês, dos 16 aos 75 anos, terá lido 720 livros. Se, no mês das férias, em vez de um, puder ler quatro, chegará nos 900. À razão de um por semana, alcançará 3.120. Com a média ideal de três por semana, serão 9.360. É importante escolher bem o que você vai ler.

V – Faça do livro um objeto pessoal, um objeto íntimo. Escreva nele; assinale as frases marcantes, as passagens que o emocionam.

VI – Não se deixe dominar pelo complexo de vira-lata. Leia muito, leia sempre a literatura brasileira.

VII – Prefira a literatura brasileira, mas faça viagens regulares. Das letras européias e da América do Norte vem a maioria dos nossos grandes mestres. A literatura hispano-americana é simplesmente indispensável.

VIII – Tente evitar a repetição dos mesmos gêneros, dos mesmos temas, dos mesmos estilos, dos mesmos autores. A grande literatura está espalhada por romances, contos, crônicas, poemas e peças de teatro. Nenhum gênero é, em tese, superior a outro. Não se preocupe com o conceito de gênero: história, filosofia, economia, etnologia, memórias, reportagens, auto-ajuda, viagens, etc.

IX – A vida tem outras coisas muito boas. Por isso, não tenha pena de abandonar pelo meio os livros desinteressantes. O leitor experiente desenvolve a capacidade de perceber logo se um livro será bom ou ruim.

X – Forme seu próprio cânone. Se não gostar de um clássico, não se sinta menos inteligente. Não se intimide quando um especialista diz que determinador autor é um gênio e que o livro do gênio é historicamente fundamental. O fato de uma obra ser ou não importante é problema dos críticos e escritores. Não leve nenhum deles a sério; não leve a literatura e faça o seu próprio decálogo: nesse momento, você será um leitor.


Fonte: Revista Entre Livros, edição nº. 27, julho de 2007, págs. 48/49.

24/07/2007

Cachaça brasileira é destaque em revista ucraniana


A revista ucraniana Akuhz, edição de abril de 2007, páginas 59-63, especializada em bebidas, traz interessante reportagem sobre a cachaça brasileira com texto da jornalista ucraniana Olga Volodchenko. A bebida brasileira é analisada sob diversos aspectos demonstrando que está conquistando seu devido lugar no exterior, sobretudo na Europa. Na reportagem, a cachaça Havana-Anísio Santiago, de Salinas, é citada como a mais tradicional e elitizada marca brasileira com preço médio de 150 dólares no mercado. Outras marcas artesanais tradicionais como a Armazém Vieira, Boazinha, Canarinha, Espírito de Minas, Isaura, Lua Cheia, Germana, Nega Fulô, Vale Verde e Velha Januária, foram destaque na reportagem. Marcas industrializadas como a Tatuzinho, Velho Barreiro e 3 Fazendas, também foram citadas. Aos poucos o estrangeiro vai conhecendo a legítima cachaça brasileira que é a artesanal através de milhares de marcas existentes, muito embora as marcas industrializadas sejam mais mais conhecidas e consumidas no exterior.

A Ucrânia (46,8 milhões de hab./2005 e área de 603,7 mil km2) é uma ex-república da antiga União Soviética. Possui PIB de 84 bilhões de dólares e está localizada no Leste da Europa. A capital é Kiev (2,6 milhões de hab.) e a língua ofical é a ucraniana. O site da revista Akuhz: http://www.akcyz.com.ua/. Para conhecer melhor a Ucrânia, acesse o site da embaixada do país no Brasil: http://www.ucrania.org.br/.

18/07/2007

VI Festival da Cachaça de Salinas faz sucesso


O VI Festival Mundial da Cachaça de Salinas, realizado nos dias 13 a a15 de julho de 2007, foi sucesso de público com presença de mais de 20 mil pessoas, inclusive turistas de diversas regiões do país e exterior. Cerca de 65 expositores (65,5% superior em relação ao evento de 2006), participaram do evento, inclusive de outras regiões produtoras de Minas Gerais e dos estados do Rio de Jneiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. O fato é que o evento vem consolidando a posição do município como maior pólo nacional de produção de cachaça artesanal de qualidade. No ano que vem tem mais festival...

10/05/2007

Salinas na mira da CGU


A Controladoria-Geral da União (CGU), por sorteio, escolheu oito municípios mineiros para investigar como estão sendo aplicados os recursos públicos federais alocados. São eles: Salinas, Martins Soares, Carmópolis, Guaraná, Engenheiro Navarro, Divisa Nova e Teófilo Otoni. Os municípios escolhidos farão parte da 23ª edição do Programa de Fiscalização que visa fiscalizar a aplicação de recursos repassados pela União para a execução descentralizada de programas federais em municípios com até 500 mil habitantes. No caso de Salinas, as áreas a serem fiscalizadas serão segurança pública e indústria.

14/04/2007

PLAYBOY elege as melhores marcas de cachaça do país


Por Roberto C. M. Santiago

Não é de hoje que a cachaça vive verdadeiro boom de consumo no mercado interno e externo. A proliferação de cachaçarias indica que a bebida vem alcançando o devido respeito, principalmente entre as classes média e alta. No Brasil, existem cerca de 30 mil produtores e 5 mil marcas. A produção anual já atinge 1,4 bilhão de litros que alcança os dois tipos da bebida: artesanal (20%) e industrial (80%).

A revista PLAYBOY, edição nº. 383, de abril de 2007, reuniu os maiores especialistas do assunto e fez ranking das 20 melhores marcas de cachaça artesanal do país. O interessante é que 55% das marcas eleitas são de Minas Gerais e 35% são de Salinas, município norte-mineiro tido como principal pólo de produção de cachaça artesanal do Brasil.

As marcas eleitas, por ordem de classificação, foram:

1º. Vale Verde (Betim, MG),
2º. Anísio Santiago - Havana (Salinas, MG),
3º. Canarinha (Salinas, MG),
4º. Germana (Nova União, MG),
5º. Claudionor (Januária, MG),
6º. Boazinha (Salinas, MG),
7º. Casa Bucco (Passo Velho, RS),
8º. Armazém Vieira (Florianópolis, SC),
9º. Magnífica (Miguel Pereira, RJ),
10º. Piragibana (Salinas, MG),
11º. Maria Izabel (Parati, RJ),
12º. Indaiazinha (Salinas, MG),
13º. Sapucaia Velha (Pindamonhangaba, SP),
14ª. Corisco (Parati, RJ),
15º. Mato Dentro (São Luiz do Paraitinha, SP),
16º. Lua Cheia (Salinas, MG),
17º. Abaíra (Chapada Diamantina, BA),
18º. Seleta (Salinas, MG),
19º. GRM (Araguari, MG),
20º. Volúpia (Alagoa Grande, PB).

13/04/2007

Havana, a Ferrari das caninhas

Foto: Mauro Holanda.

A revista UM (Universo Masculino), edição nº. 30 (pag. 58), de abril de 2007, fez teste de qualidade de diversas marcas de cachaça em São Paulo. A marca Havana-Anísio Santiago não participou porque os jurados do teste a consideraram hors concours. Entretanto, teceram comentários sobre a marca e da sua trajetória histórica no mercado. Ver abaixo o texto na íntegra do jornalista Pedro Henrique Carvalho que elaborou a matéria.
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A FERRARI DAS CANINHAS


Quem acha que cachaça não é nobre precisa conhecer a Havana
Texto: Pedro Henrique Carvalho

"Se cachaça fosse carro, a Havana seria uma Ferrari", compara Milton Lima, fundador do site cachaças.com. A célebre aguardente mineira se destaca mesmo no nosso mercado, mas não entrou no nosso ranking por ser hors concours. O nome Havana precisou ser mudado em 2001 devido a um processo judicial ainda em curso envolvendo uma marca de rum homônima. Uma Havana, hoje chamada Anísio Santiago, custa em média R$ 300, mas pode chegar a muito mais - numa loja do centro de São Paulo há uma garrafa envelhecida e com rótulo original à venda por R$ 25 mil. Havana é mito, e ninguém se torna mito por acaso. Por trás desse sucesso esteve o senhor que hoje dá nome à bebida - Anísio Santiago, um verdadeiro gênio da garrafa. Sua fazenda foi a primeira da região de Salinas (considerada a capital mundial da cachaça, em MG) a ter energia elétrica, graças a uma engenhoca bolada por ele. Inventividade era sua marca registrada. Anísio criou uma série de técnicas que, ainda hoje, garantem que a Havana esteja sempre um passo à frente de qualquer outra.


O LENDÁRIO PRODUTOR faleceu em 2002. Os segredos usados em sua aguardente são guardados quase tão bem quanto a fórmula da Coca-Cola. Mas alguns detalhes sempre acabam vazando. Sabe-se, por exemplo, que toda a produção é envelhecida pelo menos oito anos em tonéis de bálsamo, madeira nobre. Além disso, a Havana é feita apenas com aquilo que se chama coração da destilação - o que sobra após se desprezar o volume inicial (25%) e final (20%) do alambique, ou seja, quase metade da produção. Lá são feitos apenas 8 mil litros por ano. E, acredite, até hoje a cana de sua propriedade é transportada em carros de boi. "Conheci muitas produções, mas a da Havana é a mais artesanal que já vi", completa Lima.

31/03/2007

"Entramos no santuário da Havana"



Milton Lima e Kléber Ignácio, do site www.cachacas.com (São Paulo), estiveram em Salinas durante o V Festival Mundial da Cachaça em julho de 2006. Gostaram da organização do evento, da incrível variedades de marcas de cachaça da região e da receptividade do povo de Salinas. Entretanto, para eles, o ponto alto da visita à Salinas foi conhecer a fazenda Havana. Para registrar, o jornalista Sidney Maschio elaborou interessantíssima reportagem sobre a cachaça Havana intitulada "Entramos no santuário da Havana". Vale a pena ler!!!

Entramos no santuário da Havana
O cachaças.com entra no reduto mais sagrado
do universo da cachaça: a Fazenda Havana
Por Sidney Maschio


Osvaldo, filho e herdeiro do lendário Anísio Santiago, não é um sujeito de conversa fácil. Com a morte do pai, em 2002, coube a ele manter a mística da Havana, o maior ícone do mundo da cachaça. É uma responsabilidade quase sagrada diante de milhões e milhões de súditos no Brasil e no resto do planeta. Por conta disso, a visita que Milton Lima, do cachaças.com, fez à Fazenda Havana demandou muita negociação, que só teve desfecho favorável graças à determinação e insistência da parte do nosso fundador.
Está certo o nosso caro Osvaldo. Em vários lugares ao redor do mundo, as visitas exigem mesmo um ritual específico, coerente com a sacralidade que eles encerram. A Fazenda Havana está nessa lista. A propriedade poderia ser comparada a um templo, pelo papel que teve na recuperação e na divulgação das melhores qualidades da bebida genuinamente brasileira. O universo da cachaça tem duas histórias distintas, uma antes e outra depois da Havana. Sabedor da necessidade de cumprir o roteiro de reverência à mística da marca, o cachaças.com, que é súdito de primeira hora do elixir quase sagrado lavrado e esculpido por Anísio Santiago, apresentou as suas credenciais e conseguiu abrir a porteira da fazenda e ser admitido no santuário.
Foram necessários vários telefonemas e muita conversa pra convencer Oswaldo a abrir a porteira pra gente”, conta Milton. “Quando nós estávamos quase perdendo a esperança, ele finalmente concordou: ‘Estou esperando vocês amanhã as nove em ponto na fazenda’, disse. Eu e o Kleber (Kleber Ignácio, proprietário da distribuidora de bebidas Liquicenter e sócio honorário do Clube Amigos da Cachaça), fizemos até uma pequena comemoração no hotel e começamos a preparar o espírito para a sonhada visita no dia seguinte”.
Da cidade até a entrada da fazenda o caminho é até curto, coisa de 18 quilômetros. Mas mesmo saindo do hotel com tempo suficiente, Milton e Kleber não conseguiram ser pontuais: “A gente imaginava encontrar sinalização ao longo da estrada e uma grande placa com o nome na entrada da propriedade. Mas a simplicidade da Fazenda Havana é tanta que não havia nada disso, nem uma plaquinha na chegada, e acabamos passando reto”, espanta-se Milton. O erro só foi percebido uns dez quilômetros depois, o que acabou provocando um pequeno atraso na chegada, mas que acabou não prejudicando a visita nem a recepção da parte do herdeiro da Havana. Além de Oswaldo, os visitantes foram recebidos também por Roberto Santiago, neto de Anísio, que acaba de lanças um livro contando a história da Havana.
Dentro da propriedade, o despojamento é a tônica de tudo o que se vê, desde a área agrícola até as instalações técnicas. “Por incrível que pareça, é o alambique mais simples que eu já vi em toda a minha vida, é o artesanal do artesanal”, diz Milton. “E provavelmente seja isso mesmo que justifica e realimenta o mito”, acrescenta. Toda a cana processada pela empresa é cultivada em área própria, aliás bastante acidentada. A Havana nunca comprou cana de terceiros, porque um dos princípios básicos da filosofia de Anísio Santiago era justamente o de vigiar e controla com absoluto rigor todas as fases da produção, incluindo a parte agrícola. Os canaviais são cercados de mata nativa, num ambiente muito diferente daquilo que se vê nas grandes regiões produtoras de cana de São Paulo ou do Nordeste, marcadas pela monocultura e pela ausência quase total de qualquer outro tipo de vegetação.
A variedade utilizada desde os primeiros plantios, na década de quarenta do século passado, é a Java, cultivada sem nenhum tipo de fertilizante industrial nem agrotóxico. A qualidade dos colmos impressiona mesmo os leigos no assunto. Como manda o figurino da produção artesanal, o corte é feito sem queima. Depois do corte feito, nada de caminhão entrando lavoura: na sua intuição de matuto, o velho Anísio usava só carro de boi pra retirar a produção da roça, pra evitar a compactação do terreno, uma técnica agora abençoada pelos agrônomos e especialistas em manejo de solo. Pois o carro de boi continua sendo usado até hoje, e não é só por boniteza: independentemente de ser um verdadeiro espetáculo aos olhos dos raros visitantes, a preocupação com a preservação do solo continua a mesma.
O engenho onde a cana é moída também é muito simples e pequeno, sem nada que possa sugerir algum grande segredo na fabricação da cachaça mais famosa do Brasil. Nada de surpresas também nas dornas de fermentação, que obedecem mais ou menos o mesmo padrão de outros alambiques, feitas em aço inox como as de todo fabricante que preza a qualidade do seu produto. “A grande emoção pra nós foi na hora de ver o que tinha dentro das dornas”, relata Milton. “Tivemos a sorte e o privilégio de ver e fotografar o momento exato em que o mosto da cana começava a fermentar, dando início ao processo de fabricação de mais uma partida da grande obra de arte criada por Anísio Santiago e continuada agora por seus herdeiros”, entusiasma-se o fundador do cachaças.com.
Ao longo do dia, Milton e Kleber percorreram praticamente toda a fazenda, muito bem preservada pela família Santiago, que mantém em excelente estado de conservação construções, móveis, ferramentas, e até veículos que pertenceram ao patriarca. Além disso, ficaram conhecendo também um pouco da parte menos divulgada da Havana. Um exemplo da visão de empreendedor de Anísio é o fato de que, muito antes da chegada da energia elétrica no município de Salinas, a fazenda já tinha eletricidade, graças a um sistema de geração própria movido a água. Hoje, isso é comum mesmo em pequenas propriedades, mas há algumas décadas atrás era um verdadeiro espetáculo de tecnologia moderna. Também foi muito interessante para a dupla de visitantes ver in loco um dos fatos que marcaram o folclore criado em torno da Havana: os funcionários recebem parte do salário em garrafas da bebida, que são vendidas depois no comércio local e muitas vezes representam um valor bem maior do que a parte paga em dinheiro.
Quase no final da visita, Milton e Kleber estiveram no que poderia ser definido como um santuário dentro do grande templo da cachaça brasileira: o galpão onde ficam os tonéis de bálsamo cheios do preciosíssimo líquido. São recipientes muito antigos, e segundo Oswaldo, vários deles ainda estão ocupados com cachaça destilada pelo próprio Anísio Santiago. “Foi uma emoção enorme estar ali, ser testemunha, ainda que por apenas alguns minutos, do envelhecimento da Havana/Anísio Santiago”, confessa Milton.
Mas a melhor parte ainda estava por vir: na hora das despedidas, Milton e Kleber, foram presenteados com uma garrafa da mais pura e original Anísio Santiago, saída da fonte e entregue pelos herdeiros do grande gênio da cachaça brasileira. “E com um detalhe muito interessante”, conta o fundador do nosso site: “A garrafa veio embrulhada em jornal, exatamente como sempre fazia o velho patriarca, segundo nos contou o Oswaldo”. Só que o brinde teve de ficar pra depois: também obedecendo às tradições e às regras implantadas por Anísio Santiago, na fazenda Havana é absolutamente proibido tomar cachaça. As degustações têm de ser feitas da porteira pra fora. É claro que isso não diminuiu nem um pouco o entusiasmo de Milton Lima. Afinal, não faltará hora nem lugar pra abrir a preciosidade e chamar os amigos para reverenciá-la, né.

27/03/2007

Região de Salinas ganha pavimentação de estradas

Avenida de acesso ao centro de Salinas.

Por Roberto C. M. Santiago
O Programa de Acesso Rodoviário, instituído pelo governo mineiro, promoverá a pavimentação de cerca de 500 quilômetros de estradas de rodagem da região norte-mineira.

A região de Salinas será contemplada com os seguintes trechos: Salinas – Fruta de Leite (20 km), Salinas – Novorizonte (20 km) e Salinas – Santa Cruz de Salinas (12 km). A pavimentação promoverá o desenvolvimento dos municípios envolvidos, tendo em vista que facilitará o escoamento da produção e transeuntes.

Segundo o presidente da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene - Amams, Valmir Morais de Sá, o motivo é de comemoração tendo em vista que o Governo de Minas implantou nova modalidade de obras. Somente anuncia a pavimentação depois que os recursos estão assegurados, resgatando a credibilidade do governo junto aos municípios.

Fonte: http://www.amams.org.br/

Salinense toma posse na Amams


O salinense Valmir Morais de Sá, atual prefeito de Patis, reeleito presidente da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene - Amams, foi reconduzido ao cargo para o biênio 2007/2008, na presença da nata política norte-mineira e do governador em exercício de Minas Gerais, Antônio Augusto Anastásia, em evento político realizado em Montes Claros. Valmir Morais destacou que a presença do vice-governador demonstra o prestígio da entidade junto ao Governo do Estado. Afirmou, ainda, que a Amams é a maior entidade municipalista microrregional do país e que sempre vai lutar por recursos em prol do desenvolvimento do Norte de Minas.

Durante a posse, Valmir Morais de Sá apresentou duas reivindicações ao governador em exercício: que os lucros gerados pela Usina Hidrelétrica de Irapé sejam revertidos para a própria região; e a interferência política para viabilizar a instalação de Usinas Siderúrgicas em Porteirinha e Rio Pardo de Minas.

Por fim, Valmir Morais de Sá presenteou o governador em exercício com uma garrafa de cachaça Havana e um exemplar do livro O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago, que aborda a história da lendária cachaça produzida em Salinas.

Site Amams: http://www.amams.org.br/

07/03/2007

Geraldo Paulino Santanna, o mestre da política mineira


Por Roberto C. M. Santiago

O livro de memórias “O caminho de volta” (Belo Horizonte: 2005, 444 páginas, 2ª edição) de autoria do salinense Geraldo Paulino Santanna, um dos mais importantes políticos de Minas Gerais, é um interessantíssimo documentário para quem deseja entender os bastidores da política do município de Salinas e Minas Gerais a partir da década de 1950.

Foi vereador (1951-55) e prefeito de Salinas (1959-63), desbancando o todo poderoso político local, o temido Coronel Idalino Ribeiro, que até então reinava absoluto com mãos de ferro a política de Salinas. Desde então, a sua trajetória política foi meteórica. Surgia um jovem político que teria presença marcante na política mineira.

Foi deputado estadual por três vezes (1967-71, 1991-94 e 1995-99) e teve participação no alto escalão dos governos de Bias Fortes (1956-60), Magalhães Pinto (1961-66), Israel Pinheiro (1966-71), Rondon Pacheco (1971-75), Aureliano Chaves (1975-78), Francelino Pereira (1979-83), Tancredo Neves (1983-84), Hélio Garcia (1984-87), Newton Cardoso (1987-91), Hélio Garcia (1992-96), Eduardo Azeredo (1996-99) e Itamar Franco (1999-00).

Finalmente, foi prefeito de Salinas (2000-02), quando se aposentou da vida pública e passou a escrever livro de memórias sobre a sua vida e os bastidores da política mineira. O livro é um raro documentário sobre a intimidade do poder político de Minas Gerais em suas várias facetas.

Ao ler o livro percebe-se que Geraldo Paulino Santanna foi um dos mais emblemáticos personagens da política contemporânea mineira dos últimos tempos. José Monteiro de Castro, por quem Santanna tinha especial apreço sintetiza o político Santanna ao fazer o seguinte comentário: “Acompanho a vida pública e particular, o comportamento e o trabalho do Santanna há muitos anos; senão o melhor, está entre os mais completos auxiliares que um governador de Minas já conheceu; posso testemunhar que ele não se permite intimidades com nenhum governante a que serve, por mais tentado que seja; soube tratá-los, a cada um deles, de forma quase institucional, com extrema lealdade, respeito, dedicação e competência, com independência equilibrada, o que lhe permite ser sempre franco, mesmo quando precisa advertir o governante sobre as conseqüências desfavoráveis de algum ato; por tudo isso é ouvido com atenção e igual respeito. O comportamento do Santanna como auxiliar de governadores diversos, até opositores entre si, é a comprovação do que enfatizou a Rainha Vitória (Inglaterra), quando encerrou suas homenagens ao falecido Disraeli: ‘Les róis aiment celui qui parle juste’ (Os reis amam aqueles que lhes dizem a verdade na hora justa, na hora certa)”.

05/03/2007

Prefeito de Salinas é expulso do PT



O prefeito de Salinas (MG), José Antônio Prates, foi expulso do PT pela direção estadual do do partido por apoiar a reeleição do governador Aécio Neves (PSDB). Lamentável a decisão do partido, que nos últimos tempos, vem se destacando por posições radicais. Ressalta-se que José Prates vem desenvolvendo excelente administração e trazendo importantes obras ao município de Salinas através de verbas do governo estadual e federal. O prefeito é bastante influente nos bastidores do poder em Brasília e Belo Horizonte. Mais uma vez o PT pisou na bola.

Parlamentarismo ou Golpe de Estado?


Segundo matéria veiculada na revista Istoé, desta semana, o Partido dos Trabalhadores (PT) já fala abertamente em alterar a Constituição e promover o parlamentarismo para que o presidente Lula se perpetue no poder. Relata a revista que a idéia do PT é apresentar ainda este ano um projeto-de-lei ao Congresso, a ser aprovado por maioria simples, que estabelece plebiscito sobre a adoção do parlamentarismo. O plebiscito seria realizado em 2008, junto com as eleições municipais. Aprovado, Lula poderia concorrer mais uma vez à presidência ao final de seu mandato, em 2010. E, dessa vez sob um sistema parlamentarista, Lula poderia concorrer quantas vezes quisesse, se eternizando no poder. É a moda do presidente (ou ditador) da Venezuela, Hugo Chaves, chegando ao Brasil. Resumindo, é tentativa de "Golpe de Estado" disfarçado de parlamentarismo. O resto é conversa para boi dormir.

27/02/2007

Falsificação da cachaça de Salinas

Por Roberto C. M. Santiago


A cachaça de Salinas ganhou fama no Brasil e no exterior pela sua qualidade e tradição ao longo das últimas décadas. Atualmente, são produzidos anualmente cerca de 5 milhões de litros que são comercializados sob aproximadamente 45 marcas. A fama da cachaça de Salinas tem elevado o valor agregado de suas marcas no mercado brasileiro. Por conta disso, algumas marcas são constantemente falsificadas por pessoas inescrupulosas em busca do lucro fácil com marca alheia.


Entretanto, há uma outra forma de falsificação que vem enganando consumidores menos desavisados. Muitos produtores de cachaça de outros municípios estão produzindo cachaça utilizando o nome "Salinas" como município de origem do produto. Ou seja, estão utilizando de forma criminosa o nome do município para vender o seu produto e enganando o consumidor. É fácil perceber a falsificação. Basta verificar o CNPJ e a Inscrição Estadual inseridos nos rótulos. A Receita Estadual de Minas Gerais identifica o município de Salinas com o código nº. 570. Toda marca de cachaça produzida no município de Salinas tem a sua inscrição estadual iniciada com este número (o produtor falsificador utiliza o código do seu município e não o de Salinas, mas insere o nome de Salinas como origem, caracterizando a fraude). Na verdade, o que falta é fiscalização pelos órgãos estatais a nível estadual e federal e dos produtores de Salinas, que são os maiores prejudicados.


Como resolver o problema? É aí que entra a Associação de Produtores de Cachaça Artesanal de Salinas - APACS, que é a entidade representativa dos produtores do município. A APACS deveria criar departamento jurídico e fiscalizar as suas marcas no mercado. Na medida em que for identificando as falsificações ou utilização indevida do nome de Salinas como origem do produto, acionaria as Receitas Federal e Estadual, além das Polícias Civil e Federal, para as providências cabíveis.


A APACS poderia criar selo de origem para a cachaça de Salinas (semelhante ao selo de qualidade da Associação Mineira de Produtores de Cachaça de Qualidade - AMPAQ, de Belo Horizonte). Outra alternativa, seria criar garrafa estilizada, privativa dos produtores do município, com a identificação de Salinas como origem. De uma forma ou outra, tem que haver união e mobilização dos produtores de Salinas e órgãos estatais para combater a falsificação. O setor produtivo da cachaça de Salinas já representa 32% da economia do município e é responsável por 47% de toda a arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no Estado. Já possui cadeia produtiva consolidada e consumidores em todo o país e no exterior. Preservar a tradição e qualidade da cachaça de Salinas é imperioso, pois representa um dos pólos mais importantes do agronegócio da cachaça artesanal do Brasil.

16/02/2007

Americanos de olho no álcool brasileiro

Por Roberto C. M. Santiago


Os Estados Unidos estão de olho no programa de álcool do Brasil com objetivo de reduzir sua dependência em relação a produtores de petróleo hostis ao seu país como Iran e Venezuela. O governo americano está disposto a mudar a sua matriz energética nas próximas décadas. Até 2010, querem reduzir o consumo de gasolina em 20%. Isso representa cerca de 130 bilhões de litros de álcool.

É aí que entra o Brasil. Para isso, precisa aumentar a sua produção para atender demanda interna e externa. Atualmente, a produção de álcool no país é de 18 bilhões de litros. Percebe-se que há uma perspectiva de crescimento do setor muito grande. Implicará em pesados investimentos e na geração de milhares de empregos em toda a cadeia produtiva.

Com o agravamento dos problemas ambientais em escala blobal, o Brasil mostra ao mundo uma nova matriz energética que polui menos e é renovável, ao contrário do petróleo. Isso pode dar ao país poder de influência na comunidade internacional sem paralelos na sua história.

10/02/2007

Salinas inaugura terminal rodoviário "Anísio Santiago"

Por Roberto C. M. Santiago
A prefeitura de Salinas inaugurou o Terminal Turístico Rodoviário “Anísio Santiago”, sonho antigo da população salinense. O evento teve a presença da Secretária Nacional de Programas de Desenvolvimento Turístico, Maria Eloísa Machado Leal, do Gerente da Região Sudeste da Presidência da República, Alan Silva, do deputado estadual Arlen Santiago, de Valmir Morais, presidente da Amans, de diversos prefeitos do Norte de Minas e centenas de pessoas que prestigiaram o evento.

O terminal foi inaugurado pelo caminhão Chevrolet Leadmaster 1947, de propriedade da família de Anísio Santiago (1912-2002). O antigo caminhão foi um dos primeiros veículos a circular na região de Salinas na década de 1940 e teve participação decisiva na divulgação da cachaça Havana, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas (Dec. Municipal 3.728/06).

A seguir, algumas imagens do evento.




Crédito das fotos: Melissandro Giovanni (www.netkripton.com.br).

27/01/2007

Tributação injusta entre cachaça artesanal e industrial


Por Roberto C. M. Santiago

Muito interessante o artigo (ver abaixo) assinado pela jornalista Talita Figueiredo, da Folha de S. Paulo. Aborda a distância no tratamento tributário, pelo governo federal, entres os produtores de aguardente de cana (industrial e artesanal).

A produção nacional anual de aguardente de cana é estimada em cerca de 1,3 bilhões de litros. A cachaça industrial participa com 80% do volume total (por reduzido número de empresas em grande escala de produção) enquanto que a artesanal participa com 20% (por mais de 30 mil produtores em todo o país).
Percebe-se que é totalmente equivocada a discussão da tributação da cachaça artesanal e industrial, levando em consideração o teor alcóolico. O das industrializadas, por exemplo, é de 38% vol, enquanto que a maioria das cachaças artesanais variam em torno de 42% vol.

O produtor artesanal recolhe R$ 2,20 de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) por litro, enquanto que o industrial recolhe somente R$ 0,30 pelo mesmo volume. Percebe-se que a luta é desigual.

A questão principal de discórdia entre entre as duas classes de produtores está no percentual da alíquota de IPI recolhido ao erário. O decreto federal nº. 6.006, de 28/12/2006, reproduziu a legislação anterior, mantendo em 60% a alíquota do IPI tanto da industrial como da artesanal. Este percentual pode ser reduzido em até 60%, considerando as condições de mercado. Assim, a alíquota de ambos os produtos poderia variar de 24% a 60%.

A partir daí foram definidas classes de valores do IPI devido por vasilhame vendido. Desse modo, a saída de 1000 ml de cachaça industrial ou 700ml de cachaça artesanal pode ser tributado, por arbitramento do fisco federal, em valores referente às classes que variam de F (0,23) até Q (2,26).

O arbitramento do valor de enquadramento em determinada classe tem relação com a base de cálculo (valor de venda do produto) e alíquota. Aqui reside a primeira grande injustiça, já que alíquota de ambos os produtos são idênticas. Ora, como o preço de venda tem relação com o custo de produção, é evidente que, por ser fabricada em regime artesanal, o preço de venda da cachaça artesanal será muito maior do que o da cachaça industrial. Percebe-se que a competição é injusta.

Desse modo, não se concebe que ambos os produtos sejam tributados pela mesma alíquota. O justo seria tributar a cachaça artesanal em alíquota menor do que a cachaça industrial. A produção de bebidas, entre eles a cachaça artesanal, está excluído do "simples". Dessa forma, o produtor legalizado arca com o IPI (25%), IRPJ, CSLL, PIS, COFINS (5,93%), PREV. SOCIAL, RAT, SENAR (2,85%), SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA (5,2%), além do ICMS a nível estadual (18%).

Assim, a considerar os tributos incidentes, uma garrafa de cachaça artesanal não tem como ser comercializada pelo produtor por menos de R$ 5,00. Se não bastasse, os produtores de cachaça artesanal legalizados também sofrem a concorrência desleal dos produtores informais (clandestinos). A cachaça não legalizada, vendida geralmente a granel, gira em torno de R$ 1,00 por litro na região produtora, gerando uma concorrência predatória. Esse tipo de concorrência estimula a informalidade.

Concluindo, a produção de cachaça artesanal tem que ser encarada de forma diferente pelas autoridades. A legislação federal deve ser alterada, de forma a permitir que os produtores de cachaça se enquadrem no "simples". Só assim, sera estimulada a legalização da produção e comercialização da cachaça artesanal, típico produto nacional. Desse modo, não se concebe que ambos os produtos sejam tributados pela mesma alíquota. O justo seria tributar a cachaça artesanal em alíquota menor do que a alíquota aplicada para a aguardente de cana industrial.

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Produtor de cachaça tem dor de cabeça com

tributo cobrado sobre preço final

Por TALITA FIGUEIREDO,

Folha de S.Paulo, no Rio de Janeiro
16/01/2007

Quase 30 mil pequenos produtores de cachaça estão em confronto aberto com quatro grandes empresas vendedoras de aguardente. Eles reclamam da forma de taxação da bebida, atrelada ao preço de venda, e não ao teor alcoólico, o que faz com que o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de cachaça artesanal seja quase sete vezes o pago pelas grandes indústrias.

O tema fez parte das discussões levantadas na Feica Rio (1ª Feira Internacional de Cachaça Artesanal), na semana passada, no Rio.

"O pequeno produtor de cachaça chega a pagar R$ 2,20 de imposto por litro vendido. A cachaça industrial, que está na mão de quatro grandes empresas do país, é vendida mais barata, por isso paga R$ 0,30 por litro", diz Murilo Albernaz, diretor-executivo da Fenaca (Federação Nacional das Associações dos Produtores de Cachaça de Alambique).

O argumento, diz ele, é em proteção dos mais fracos: são 30 mil produtores, principalmente no semi-árido, que têm o alambique como fonte de renda numa produção estimada de 500 milhões de litros/ano. As quatro ou cinco maiores empresas, segundo Albernaz, produzem "800 milhões de litros por ano de cachaça de baixo preço".

"Em todo lugar do mundo se protege o pequeno produtor, [mas] no Brasil eles se influem pelo lobby das grandes indústrias", afirmou.

Ele apontou ainda perda de arrecadação do governo. Se todos os produtores forem tributados pelo teor alcóolico, terão de pagar o mesmo imposto, o que elevaria a arrecadação de governo em mais R$ 1,5 bilhão. Albernaz informou que o mercado movimenta de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões por ano.

A presidente do Ibrac (Instituto Brasileiro da Cachaça) e diretora de relações externas da Pitú -uma das grandes empresas-, Maria das Vitórias Cavalcanti, disse que essa é a "fórmula definida pelo governo" e que não considera o pleito justo.

"O imposto tem que ser proporcional ao que cobro do consumidor. Não é justo ser diferente", afirmou.

25/01/2007

Cruzeiro, campeão da Copa SP - 2007

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

O Cruzeiro segue a sua sina de conquistas que vem desde o ano de 1990. Conquistou, de forma invicta, o título da Copa SP contra o São Paulo. Parabéns aos garotos da Toca e à China azul, a mais poderosa nação azul do planeta.

Economia da microrregião de Salinas em expansão


Por Roberto C. M. Santiago








A microrregião de Salinas (Alto Rio Pardo) é composta por 17 municípios, com área territorial de 17,6 mil quilômetros quadrados e população de cerca de 200 mil habitantes. O Valor Adicionado Fiscal (VAF) da microrregião, no período de 2005, atingiu o valor total de 215,4 milhões de reais.

O VAF, um dos quesitos para se estabelecer o índice de repasse de ICMS aos municípios, é um bom indicador para análise de economias municipais e microrregionais.

O VAF da microrregião de Salinas no ano de 2005 obteve evolução de 8,78% em relação ao ano de 2004. A mesorregião Norte de Minas (composta por 86 municípios, inclusive os da microrregião de Salinas) obteve evolução de 5,64% no mesmo período. O Estado obteve evolução de 9,73% (142,7 bilhões de reais). Com isso, percebe-se que o crescimento da região de Salinas está maior que o Norte de Minas e um pouco inferior que Minas Gerais.

Analisando-se os municípios da microrregião de Salinas, de forma isolada, percebe-se que alguns municípios estão com suas economias em franca expansão, enquanto que outras estão em fase de retração, conforme demonstra a tabela abaixo.

O município de Salinas possui o maior VAF da região, com 53,7 milhões de reais em 2005. Houve uma expansão de 30,58% em relação ao ano anterior. Taiobeiras vem em seguinda com 48,3 milhões de reais. O VAF deste município obteve evolução de 21,52% em relação ao ano anterior.

As decepões ficam com os municípios de Rio Pardo de Minas, com VAF de 31,1 milhões de reais e crescimento negaivo de -13,135, São João do paraíso, com VAF de 29,5 milhões de reais e crescimento negativo de -9,88%. O município de Santa Cruz de Salinas, por sua vez, obteve o pior desempenho, com crescimento negativo de -80,31% (435 mil reais).

Por outro lado, os municípios de Josenópolis e Novorizonte figuram como grandes surpresas, pois tiveram evolução acima da média da região, com 407,6% (9,5 milhões de reais) e 203,7% (4,3 milhões de reais), respectivamente, demonstando que as suas economias estão em franca expansão. No caso de Novorizonte, a variação de 407,63% deve-se a produção de carvão vegetal pelo grupo Gerdau que está operando no município.

A seguir, os valores do VAF e evolução percentual referente 2004 e 2005, dos municípios que integram a microrregião de Salinas:

Fonte dos dados: SEF/MG.
Elaboração: Roberto Carlos Morais Santiago.

19/01/2007

Governo mineiro faz reforma agrária em terras públicas de Rio Pardo de Minas



O Governo de Minas autorizou, no dia 18 de janeiro, a reforma agrária de 1.585 hectares de terras rurais públicas no município norte-mineiro de Rio Pardo de Minas, localizado na microrregião de Salinas. A decisão vai beneficiar cerca de 800 famílias, que terão cessão por 12 anos, a um custo anual de apenas 3% sobre o valor da terra nua.

O contrato foi assinado pela Secretaria Extraordinária para Assuntos de Regorma agrária (Seara), Instituto Estadual de Florestas (IEF), Instituto de Terrras do Estado de Minas Gerais (Iter) e a Cooperativa da Fazenda Santa Maria de Agricultores de Rio Pardo de Minas (Coopersam).

Mais informações, clique no título acima e leia a matéria na íntegra no portal Minas On Line.

13/01/2007

"Especial cachaça"


O JB, um dos mais tradicionais jornais do país traz interessante reportagem sobre a cultura da cachaça. Aos poucos a nossa cachaça vem ocupando espaço na mídia e sendo reconhecida como parte integrante na formação da história e cultura do povo brasileiro desde o século XVI.
Para ler a reportagem, de Cristiano Reis, clique no título acima. Boa leitura!!

12/01/2007

Cachaça de Salinas

Por Roberto C. M. Santiago
Marginalizada pela elite brasileira até a década de 1980, no século XX, até então consumida pelas classes menos favorecidas, a cachaça vem passando por processo de valorização no mercado brasileiro e externo. A cachaça presencia verdadeiro boom de consumo e encontra-se em franca expansão no seu processo de produção, sobretudo a artesanal, que é considerada de melhor qualidade em comparação com a industrializada.

A cachaça surgiu no Brasil por volta da década de 1530, no século XVI, no início da colonização lusitana. Desde então, os engenhos de açúcar e cachaça se espalharam por toda a colônia, fincando marcos de colonização e contribuindo na formação da cultura e identidade do povo brasileiro.

Ao longo dos séculos, diversas regiões brasileiras se destacaram na produção de cachaça. No período colonial, em Parati (Rio de Janeiro), que se constituiu no principal pólo de produção e comercialização do Brasil naquela época. Abastecia diversas regiões do país, principalmente a Capitania de Minas Gerais, que se desenvolveu com a exploração do ouro. Outras regiões como o Sul de Santa Catarina, Norte de São Paulo, Bahia e Pernambuco, também, foram importantes regiões produtoras de cachaça.

Em Minas Gerais, no século XX, dois municípios norte-mineiros sobressaíram na produção de cachaça: Januária, na primeira metada do século e, Salinas, na segunda metade do século. A decadência da cadeia produtiva da cachaça de Januária deu-se em função da ganância dos produtres que não souberam manter o padrão de qualidade. Com isso foram perdendo espaço para outra região que descobria uma nova vocação econômcia para a produção de cachaça artesanal de qualidade: Salinas.

Salinas começou ter destaque na produção de cachaça a partir da década de 1940, através de uma marca pioneira que se tornaria lendária em todo o país: a Havana-Anísio Santiago. Produzida pelo produtor Anísio Santiago (1912-2002), esta marca foi decisiva no processo de valorização da região de Salinas como importante pólo de produção de aguardente de cana. Foi responsável pelo surgimento de novas marcas na década de 1970, como a Asa Branca, Boazinha, Indaiazinha, Lua Cheia, Seleta, Teixeirinha, dentre outras. O produtor Anísio Santiago foi o timoneiro de toda uma geração de produtores de cachaça em Salinas.

Posteriormente, nas décadas de 1980 e 1990, com a valorização da cachaça no mercado e a implantação do Pró-Cachaça (programa do governo mineiro de incentivo a produção de cachaça artesanal de qualidade), surgiram outras marcas em Salinas como a Beija-Flor, Canarinha, Cubana, Fabulosa, Erva Doce, Sabor de Minas, Salineira, dentre outras, todas de excelente qualidade. Os produtores de Salinas evitaram repetir o erro fatal cometido por produtores de outras regiões.

Atualmente, há cerca de 30 produtores legalizados e mais de 40 marcas. Entretanto, centenas de pequenos, procurando sair da informalidade, estão procurando espaço através de cooperativas no sentido de comercializarem a sua pequena produção sob uma marca única. Um exemplo disso é a marca Terra de Ouro, que está sendo comercializada na Europa e Ásia com muito sucesso.
Atualmente, a produção global no município gira em torno de cinco milhões de litros por ano e emprega milhares de pessoas em toda a cadeia produtiva, além de gerar renda aos produtores e divisas aos erário municipal. O setor de cachaça participa com cerca de 31% de toda a arrecadação de ICMS no município, impondo-se como segunda atividade econômica.

A cachaça de Salinas alcançou tanto sucesso que passou ser rotulada de "Capital Mundial da Cachaça", constituindo-se na principal referência nacional na produção de cachaça artesanal do país. Em 2002, surgiu o I Festival Mundial da Cachaça de Salinas, evento anual, que vem contribuindo na divulgação e no fortalecimento da imagem da cachaça local em todo o território nacional e no exterior. O evento atrai milhares de pessoas do Brasil ávidas por conhecer e degustar uma das melhores cachaças do país.

A mais genuína bebida brasileira tornou-se importante símbolo da cultura do povo de Salinas. O município, localizado na mesorregião Norte de Minas, encontrou na produção de cachaça uma importante vocação econômica que gera renda, emprego e divisas. Um brinde!

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"O mito Anísio Santiago"

Foto de Anísio Santiago (1912-2002)

Crônica de
GLORINHA MAMELUQUE (*)

Em minhas mãos, ofertado por seu autor Roberto Carlos Morais Santiago, o livro O MITO DA CACHAÇA HAVANA-ANÍSIO SANTIAGO.

Vou lendo devagarinho, fazendo a minha análise, procurando entender todos os seus meandros, e encantando-me com as histórias nele narradas. Quem me conhece sabe que sou uma saudosista que se prende muito às memórias do passado. Aprendi em minhas experiências de vida, que devemos viver o presente com olhos no futuro, mas sem nos desligarmos do passado, onde nossa história começou. E é importante deixarmos esta história escrita para que os netos e bisnetos tenham alguma fonte onde possam recorrer. Por esse motivo, foi com grande curiosidade e expectativa que pus-me a ler o livro em questão. Seu autor, com grande inspiração nos conta várias histórias: a história da cachaça no Brasil, quando as primeiras mudas de cana-de açúcar aqui chegaram em 1502 e os primeiros engenhos surgiram nos anos 1533 e 1534, construídos pelo colonizador português Martim Afonso de Souza e nos diz que "a história da cachaça confunde-se com a própria História do Brasil e seu consumo vem desde o século XVI."

Descreve as técnicas de produção e nos conta a origem da cachaça, afirmando que ele teria sido descoberta por acaso, quando a borra produzida no processo de produção de açúcar mascavo e rapadura e colocada em cochos de madeira, fermentava, transformando-se em garapa azeda ou vinho de cana. Postiormente a destilação dessa garapa em alambique deu origem à cachaça.

Conta-nos o autor outra história: a de Salinas, que tornou-se a "Capital Mundial da Cachaça" e a disputa que houve sobre a marca Havana, nome dado à cachaça produzida por seu avô na sua Fazenda Havana.

Porém, o que mais me encantou no seu livro foi o carinho e admiração com que o autor nos fala do seu avô Anísio Santiago, que foi carpinteiro, comerciante, tropeiro e motorista, que viveu por sessenta anos na sua fazenda, de forma pacata e serena, bem ao estilo da sua personalidade. "Sempre teve certo recolhimento social, pois era pessoa de hábitos simples e, por opção de vida, preferiu viver recluso, administrando a propriedade rural e a produção de cachaça."

O grande paradoxo é que o fabricante da melhor cachaça conhecida mundialmente, não fazia uso dela. Não gostava de expor e dar entrevistas e nunca buscou o lucro através da produção da cachaça. Ao longo de sua vida de 90 anos deixou a todos uma grande lição de vida. Por levar uma vida digna e com muito trabalho conquistou o respeito e admiração de todos que com ele conviveram, não se deixando corromper pela ganância do lucro fácil, tão comum no mundo capitalista, sempre fiel a seus princípios e ideais.

O livro traz muitos depoimentos sobre esse grande homem, mas coloco aqui a impressão que ele deixou no jornalista Luiz Ribeiro, citado em seu livro "Corpos à Venda": "Confesso que deixei a fazenda sentindo-me profundamente realizado, não somente por ter sido o primeiro repórter a entrevistar o fabricante da cachaça mais famosa do planeta, mas principalmente pela magnífica aula de humildade que tive com aquele grande homem."

Leiam o livro do Roberto Carlos Morais Santiago e irão gostar como eu gostei: liguagem simples, informações preciosas e o que ficou em mim de mais importante foi que o mito não é a cachaça Havana-Anísio Santiago, mas o seu avô, o Mito Anísio Santiago.
Fonte: Jornal de Notícias, Montes Claros, 13/07/2006, p. 2.

(*) Maria da Glória Caxito Mameluque é advogada, escritora e cronista do Jornal de Notícias, Membro da Academia Montes-Clarense de Letras (AML), da ACLECIA e da Pastoral Familar. É autora dos livros: Memórias de um álbum de família: Cuatiara, 1997, 132p; Crônicas do Cotidiano: Cuatiara, 2003, 264p; Um grande amor não se divide: Cuatiara, 2006, 208p.
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28/12/2006

Cipriano de Medeiros Lima, um homem à frente do seu tempo

Por Roberto C. M. Santiago

O livro Serra Geral: Diamantes, Garimpos e Escravos (Editora Cuatiara: 2001, 330 páginas), de autoria do montes-clarense Simeão Ribeiro Pires, é um documentário muito interessante. Aborda aspectos históricos e econômicos da região norte-mineira, do período colonial e imperial, principalmente da região da Serra Geral e da extração do Diamante no século XVIII, além da aristocracia mineradora e escravagista daquela época.

O autor aborda, ainda, a história de personagens importantes do século XIX, como Francisco Gomes Brandão (Visconte do Jequitinhonha) e Cipriano de Medeiros Lima (Barão de Jequitaí), o mais importante empresário norte-mineiro do século XIX.

No livro, o que mais me chamou a atenção foi a história de Cipriano (foto acima). Nasceu em 1829, na Fazenda Cedro, no Arraial do Bom Fim (atual município de Bocaiúva). De instrução, conseguiu apenas o curso primário, mas era possuidor de rara inteligência, habilidade e tino comercial. Ainda jovem, foi trabalhar na Fazenda Brejo Grande, então de propriedade de Antônio Caetano Nunes de Macedo e sua esposa Ludovina da Costa Ferreira. Com a morte dos proprietários, que não deixou filhos, a Fazenda Brejo Grande, que tinha onze mil alqueires, passou a pertencer aos escravos por testamento. Como não havia um líder entre os escravos que soubesse administrar a fazenda, optaram por vendê-la.

Com uma grande engenharia financeira, conseguiu obter recurso e arrematou a fazenda de porteira fechada: terras, benfeitorias e criações. Estava iniciando uma epopéia empresarial de um homem que deixou marcas na história norte-mineira. Com dinamismo explorou a fazenda fazendo aumentar os lucros. O foco do seu negócio era a pecuária. Com isso passou a adquirir outras fazendas e escravos na região.

Com freqüência viajava ao Arraial do Tijuco (atual município de Diamantina) a negócios e, em pouco, tempo tornou-se figura conhecida, respeitada e admirada. O Arraial do Tijuco, naquela época, era a Meca comercial de todo o Norte, Noroeste e Vale do Jequitinhonha. Os comerciantes locais estavam tendo problemas para receber dívidas de produtores na região de Urucuia (Noroeste), onde predominava a lei do mais forte. Os comerciantes eram ameaçados de morte e postos a correr quando iam cobrar as dívidas. Aparentemente não havia solução e os prejuízos só aumentavam.

Cipriano teve conhecimento do problema e deu uma solução, que exigia habilidade, jeito e elevada dose de inteligência. Simplesmente comprou dos comerciantes as dívidas com desconto de cinqüenta por cento.

Para receber as dívidas, preparou a primeira expedição ao Urucuia com dezenas de homens da sua fazenda, devidamente armados e dispostos a tudo. O ritual da primeira expedição foi seguido à risca pelas demais. À frente de sua tropa particular, com armas colocadas à vista, chegava à fazenda do devedor, com ar solene e dizia:

Pois é, meu amigo, estando de viagem para a região do Urucuia, a negócio de compra de gado, e sabendo o senhor como uma pessoa honesta, com débitos vencidos no Arraial de Tijuco, julguei que isso não ficava bem. Eis aqui a devida quitação dos credores. Como pretendo comprar gados, e sabendo o senhor possuidor de grande criatório, venho fazer negócio. Negócio a dinheiro, pois o pagamento é a quitação de seus compromissos, com a sua assinatura pelas suas mercadorias recebidas. Tenho, entretanto, de receber a mais, pelos juros e as despesas de viagem, pois o amigo teria de arcar com as mesmas para fazer o pagamento no distante Arraial de Tijuco.

Nenhum devedor visitado contestou a dívida cobrada, pois a tropa de Cipriano estava ali para garantir a cobrança. Com isso ganhou muito dinheiro e expandiu a sua fortuna.

Ele foi um visionário. Em suas andanças logo percebeu a importância viária do rio São Francisco. Em 1875, com a descoberta de Diamante no rio Jequitaí, vislumbrou intenso comércio naquela região. Cidades como Coração de Jesus, Montes Claros e outras já se abasteciam com produtos oriundos do Nordeste do Brasil via rio São Francisco. Com isso, partiu para a realização de ser o concessionário para a construção e administração da estrada de ferro Montes Claros ao porto de Extrema (atual município de Ibiaí). Conseguiu a concessão do governo da Província de Minas, através da lei nº 3.648. Um ano depois, vendeu a concessão para uma Companhia da Corte do Rio de Janeiro por cento e cinqüenta mil contos de réis. Já pressentia futura crise no setor rural com libertação dos escravos que se aproximava.

Com a emancipação dos escravos em 1888, a economia do setor rural na região norte-mineira passou por processo de decadência. Com Cipriano não foi diferente. Como os seus negócios eram diversificados, conseguiu sobreviver e manter a sua fortuna.

Veio a falecer em 1891, repentinamente, quando entregava cerca de mil cabeças de gado em lugar denominado Pedra da Brígida, dezoito quilômetros de Várzea da Palma.

Deixou uma fortuna. Foram mais de 25 fazendas, com área de mais de trinta e cinco mil alqueires e mais de trinta mil cabeças de gado. Mais de uma centena de casas em cidades e povoados. Seiscentos contos de réis em diamantes, mais de oitocentos contos de réis em empréstimos e cerca de quinhentos contos de réis em dinheiro vivo. Uma grande fortuna, até mesmo para os padrões de hoje.

06/12/2006

"Aprecie a moderação"


A edição nº 1 da revista Raiz, que aborda a cultura brasileira em seus mais diversos aspectos, traz interessante reportagem sobre a cachaça de Salinas. Vale a pena conferir. Para isso, clique no título acima e boa leitura!!

29/11/2006

Ministério da Cultura pode reconhecer a cachaça Havana-Anísio Santiago como patrimônio cultural brasileiro


O Ministério da Cultura poderá conceder o registro de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro da marca de cachaça Havana – Anísio Santiago, produzida em Salinas, Norte de Minas Gerais, desde a década de 1940, pelo lendário produtor Anísio Santiago (1912-2002), agora pelos sucessores.

A sugestão partiu da Câmara dos Deputados através do deputado federal Reginaldo Lopes (PT/MG), no dia 06/09/2006 (Proposição: INC-9571/2006). Segundo o deputado, "a cachaça Havana – Anísio Santiago, sem dúvida alguma, teve um papel essencial no processo de consolidação dessa bebida genuinamente nacional. É a aguardente mais tradicional e famosa de Minas Gerais e do Brasil. Mantém por mais de sessenta anos o processo de produção artesanal que garante excepcional qualidade e fixa sua produção em, no máximo, 15 mil litros por safra".
Diz ainda o deputado que "a cachaça Havana faz parte da cultura mineira e da cultura nacional. A Prefeitura Municipal de Salinas, reconhecendo tal evidência, instituiu, po meio do Decreto nº 3.728, de 10 de julho de 2006, a cachaça marca Havana como Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas. A vida desse município, considerado capital nacional da cachaça, gira em torno da produção artesanal de aguardente, tendo a Havana – Anísio Santiago como precursora e referência".

Na sua justificativa, o deputado conclui que "espera o reconhecimento com a certeza de que a manutenção das notáveis características essenciais dessa aguardente, a tradição em torno dessa marca e a continuidade da transmissão do saber que envolve o seu preparo, dependem, hoje, do registro da cachaça Havana como patrimônio imaterial brasileiro".
O pedido foi baseado na Constituição Federal que considera patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza imaterial portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da nossa sociedade.
Em 11/10/2006, a Câmara Federal expediu Ofício nº 1ª Sec/RI/E nº 2.052/06, de 10/10/2006, à Ministra Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, para análise e posterior encaminhamento ao Ministério da Cultura que decidirá pela concessão do registro.
Mais informações, clique no título acima.

23/11/2006

Lula pede uma garrafa de Havana ao prefeito de Salinas


Em reunião no Palácio do Planalto, em Brasília, com cerca de 30 prefeitos mineiros, o presidente Lula prometeu apoio para prefeitos quitarem o 13º aos servidores de prefeituras com dificuldades financeiras. Como estava presente o prefeito de Salinas, José Prates, o presidente pediu a ele uma garrafa de Havana, produzida em Salinas, que em julho de 2006 teve o reconhecimento de Patrimônio Cultural Imaterial do município. Sabe-se que o presidente aprecia cachaça de alambique. A seguir, a reportagem, na íntegra, publicada no Hoje em Dia, de Belo Horizonte.
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Lula promete apoio para prefeitos pagarem o 13º

Por Renata Chamarelli e Girleno Alencar
Das sucursais BRASÍLIA E MONTES CLAROS
O presidente Lula (PT) garantiu ontem a 30 prefeitos mineiros, durante audiência no Palácio do Planalto, que apoiará a aprovação, no Congresso Nacional, da minirreforma tributária que prevê o aumento da cota do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em 1 ponto percentual, dinheiro com o qual os municípios contam para pagar o 13º salário aos servidores. Os prefeitos saíram do Palácio otimistas e estão na expectativa de ser votado o projeto ainda em novembro, com data retroativa a janeiro de 2006, permitindo que a cota extra saia em dezembro, a tempo de pagar o abono natalino.
«Não sabemos nem como vamos pagar o 13º dos funcionários», alertou o prefeito de Montes Claros, Athos Avelino (PPS). Segundo ele, o ideal seria a criação de um novo pacto federativo, mas enquanto isso não acontece, a aprovação da minirreforma tributária é fundamental. Em resposta, o presidente Lula disse conhecer a realidade e as necessidades dos municípios. O presidente reconheceu ainda a importância de um novo pacto federativo e se comprometeu a manter aberto o canal de negociações com os municípios. Lula disse ainda que isso é um passo pequeno e que sua meta é destravar o Brasil, fortalecendo os municípios, que até agora foram vítimas desta situação. Os prefeitos estavam acompanhados do ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia (PTB).
Havana
No início da audiência, Lula cobrou do prefeito José Prates (PT), de Salinas, o envio de uma garrafa da cachaça Havana, considerada a melhor do mundo e cujo preço está de R$ 600. Os prefeitos solicitaram ao presidente a continuidade do ministro Mares Guia.
Hoje, os prefeitos das maiores cidades mineiras estarão reunidos em Pouso Alegre, no Encontro das Cidades de Porte Médio. O prefeito Athos Avelino levará documento dos municípios do Norte de Minas, onde 90% das Prefeituras não têm condições de pagar o 13º salário neste ano.
O prefeito de Montes Claros foi o responsável por apresentar a reivindicação ao presidente Lula. Ele ressaltou que no dia 15 de agosto, durante sua visita a Montes Claros, na campanha eleitoral, Lula anunciou a criação de órgão para dar suporte aos municípios, visando enfrentar a crise. O presidente Lula explicou que promoverá uma grande mudança na relação com os municípios e que, em caráter emergencial, apoiará o projeto da minirreforma tributária, mas entende ser necessário dar um passo mais consistente, e por isto quer destravar o Brasil. Ele explicou que precisa corrigir a relação com os municípios e que buscará uma interlocução com as entidades que envolvem as causas municipalistas.Outro aspecto observado pelo presidente é que tem procurado os governadores eleitos para tratar das grandes questões nacionais, mas entende que também chegou a vez dos municípios terem espaço para discutir o assunto e, por isso, os colocará na pauta.
Fonte: Jornal Hoje em Dia, 23/11/2006, página 4 (Caderno de Política).

21/11/2006

O gigante chinês assusta o mundo


Acabo de ler o interessantíssimo livro intitulado "China: o renascimento do império" (Editora Planeta do Brasil: 2006, 236 páginas) de autoria da jornalista brasileira Cláudia Trevisan. O livro é fruto de observações pessoais da autora sobre a China. O livro possui valiosas e impressionantes informações sobre a economia e a sociedade chinesa. Recomendo o livro para aqueles que querem sair da mesmice do Brasil que está parado no tempo e no espaço.
Para quem não sabe, a China possui cerca de 1,3 bilhão de habitantes, equivalente a um quinto da população do planeta. Nos últimos 30 anos, vem liderando o ranking do crescimento econômico global. Desde então, multiplicou por quatro o tamanho de sua economia e promoveu o mais intenso processo de urbanização já visto na História.
Desde 2005, a China ocupa a quarta maior economia do mundo com PIB de cerca de 2 trilhões de dólares (o PIB brasileiro é um quarto do chinês), sendo superada somente pelos Estados Unidos, Japão e Alemanha. Ao que tudo indica, a China será o país que irá rivalizar com o poderio econômico e militar dos Estados Unidos no século XXI. Desde 1978, com o início da abertura econômica pelo Partido Comunista da China (PCC), o país vem tendo crescimento médio anual em torno de 9%. A base de sua economia é a abundância de mão-de-obra barata e potencial mercado consumidor. Atualmente, nenhuma empresa global pode se dar ao luxo de ficar fora dele.
O PCC reina absoluto. Possui cerca de 70 milhões de filiados e está presente com mãos de ferro em todos os segmentos da sociedade. O marxismo-leninismo e a teoria de Mao Tsé-tung são doutrinas que ainda regem o partido. Abriu o país às regras de mercado, mas não abandonou o rigoroso planejamento estatal.
E o Brasil? Como fica nessa história? Comparando o Brasil com a China, fica a nítida impressão que o gigante sul-americano ainda não acordou para a nova realidade da economia mundial. Enquanto a China já tem como objetivo em se tornar na maior economia do mundo (é só uma questão de tempo), o Brasil está patinando por falta de objetivo no cenário mundial, possui liderança regional duvidosa e não consegue emplacar a sua economia no cenário interno e externo. Verdade seja dita, o Brasil está na contramão da história. A elite dominante brasileira não tem projeto político para o país. O pensamento político brasileiro é medieval. Não há qualquer proposta política de reconstrução do país em todos os níveis (política, econômica e social).
Enquanto isso, os chineses caminham a passos largos para dominar o mundo, inclusive o Brasil. Aqui já se percebe a invasão chinesa em diversos setores da economia, sobretudo o de brinquedos e têxtil cujos produtos são vendidos no mercado a um custo muito menor. E qual o reflexo disso? Ora, desemprego, redução de receita tributária e ausência de investimento.

17/11/2006

Alemães visitam Salinas para conhecer cachaça


Equipe de alemães, do site caipitest.de, estiveram no Brasil para conhecer lugares e a cultura brasileira, principalmente a cachaça, que vive verdadeiro boom de consumo na Europa e, principalmente, na Alemanha. Como não poderia ser diferente, Salinas foi um dos destinos. Confiram as fotos cliquando no título acima.

26/10/2006

Livro é sucesso de lançamento na Academia da Cachaça

O lançamento do livro "O Mito da Cachaça Havana - Anísio Santiago" foi sucesso absoluto na Academia da Cachaça - Leblon, no Rio de Janeiro. O evento, que aconteceu dia 23 de outubro, teve a presença de vários apreciadores de cachaça de alambique (inclusive estrangeiros), jornalistas cariocas e, principalmente, da atriz e diretora de cinema e teatro, Carla Camurati (quarta foto abaixo).






21/10/2006

Lançamento de livro na Academia da Cachaça - Leblon


11/10/2006

Academia da Cachaça promove lançamento de livro


A Academia da Cachaça - Leblon, uma das mais tradicionais e badaladas cachaçarias do Rio de Janeiro, promove lançamento do livro "O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago" (Ed. Cuatiara, Belo Horizonte: 2006, 292 páginas), de autoria do salinense Roberto Carlos Morais Santiago. O lançamento acontece no dia 23 de outubro, na capital fluminense (Rua Conde Bernadotte, 26, Loja G, Leblon - Rio), às 19 horas. O evento faz parte da programação de reinauguração da cachaçaria, que recentemente passou por reformas.
O livro, que já teve lançamento em Belo Horizonte e Salinas, vem preencher lacuna da literatura da cachaça e aborda a trajetória histórica da famosa cachaça Havana-Anísio Santiago, produzida em Salinas, Norte de Minas, desde a década de 1940, pelo lendário Anísio Santiago (1912-2002), agora pelos sucessores. A marca Havana-Anísio Santiago é considerada ícone da cachaça de alambique do país e, recentemente, teve o reconhecimento de Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas (fato inédito no Brasil). O livro aborda, ainda, aspectos histórico, cultural e econômico da cachaça brasileira, mineira e de Salinas.

06/10/2006

"Acusados de falsificar a Havana são presos"

Amilcar Brumano
REPÓRTER
"Apreciadores da boa cachaça mineira devem ficar atentos na hora de comprar uma das mais tradicionais do país, a Havana, de Salinas, Região Norte do Estado, conhecida internacionalmente e cujo preço não é acessível a qualquer bolso. Falsificadores estão colocando no mercado a bebida falsificada. Um depósito com cerca de 360 garrafas de 600 ml foi localizado por policiais militares da 2ª Companhia da Rotam, ontem, na Rua Passa Quatro, no Bairro Caiçara, Noroeste de Belo Horizonte.
No local também foram recolhidos rótulos idênticos aos originais, lacres e selos com o carimbo do criador da bebida, o empresário Anísio Santiago, já falecido. Havia também rótulos da cachaça Canarinha, igualmente de Salinas, produzida na Fazenda Brejinho.Todo o material estava armazenado em uma casa alugada. De acordo com o cabo Washington Luiz Gonçalves, as garrafas estavam em cerca de 30 caixas de papelão, e foram localizadas por acaso. 'Suspeitamos de duas pessoas em um bar e uma Kombi estacionada em frente. Fizemos a abordagem e verificamos que dentro da casa, cujo portão estava trancada, havia um banco da Kombi. Um dos homens abriu o portão e encontramos o material', contou o policial.
Os dois homens, maurício dos Santos Caldeira, 27 anos, e Virgulino José de Andrade, 29, foram detidos, mas, segundo disseram à polícia, são apenas funcionários do proprietário, que conseguiu fugir da casa no momento em que os policiais estavam vasculhando o local. Ele foi identificado como Manoel Martins Alves, que está o final da tarde de ontem permanecia foragido. Os acusados de falsificação não informaram o valor que a cachaça era vendida, nem onde foi distribuída ou onde era fabricada. No mercado de Belo Horizonte, uma garrafa de 600 ml da Havana chega a custar R$ 700, com certificado de garantia.
O genro do fundador da Havana e um dos diretores da marca, João Ramos de Oliveira, dá dicas para que ninguém compre o produto falsificado em lugar do legítimo. Primeiramente, segundo ele, deve-se comprar sempre em lugares idôneos. Depois, desconfiar se alguém oferecer a cachaça em grande quantidade e, por último, verificar o novo rótulo da marca, que desde junho deste ano vem com a assinatura a caneta dele próprio, ou do outro diretor e filho de Anísio Santiago, Osvaldo Santiago. João Ramos afirma que somente colecionadores possuem as garrafas da Havana antiga e a produção nova é feita em pequena quantidade. Ele revela que somente grandes e tradicionais cachaçarias têm condição de comprar até dez garrafas. Os demais compram no máximo até cinco garrafas."
Fonte: Jornal Hoje em Dia, Belo Horizonte, 06/10/2006, p. 17.

02/10/2006

Brasileiro dá show de maturidade nas eleições



O eleitor brasileiro, no primeiro turno das eleições de 2006, realizado ontem, deu show de maturidade e serenidade ao determinar o segundo turno. De forma clara e objetiva deu o seu recado aos dois candidatos favoritos à presidência da República: Lula e Alckmim. Quer mudanças já! Não há espaço para jogatinas políticas. A seriedade e o zelo pela coisa pública deve ser tratada com responsabilidade e maturidade pelos governantes, seja qual for ele. Depois dos episódios do mensalão, sanguessuga e dossiê, o eleitorado já não está permitindo candidatos descompromissados. Tanto, que quase metade dos deputados federais envolvidos com o episódio sanguessugas não foram reeleitos à Câmara Federal.

O recado a Lula foi dado de forma clara e objetiva no sentido de que deve mudar, imediatamente, a sua postura e o seu rumo político como governante deste país, caso reeleito. Ao opositor Alckmim, se eleito for, no segundo turno, que saiba entender a mensagem das urnas.

Constata-se que, a cada eleição, o brasileiro está aprendendo a votar com consciência, sem se deixar vender por falsas ilusões de políticos pouco compromissados em dar solução aos problemas sócio-econômicos do país que são graves. Silenciosamente, o eleitor brasileiro está dando o seu recado.

04/09/2006

"Liminar garante que Havana mantenha rótulo"

Segundo matéria veiculada no jornal O Tempo, de Belo Horizonte, em 29/08/2006, a marca Cachaça Havana poderá retornar em definitivo em breve. Em segunda instância, O TJMG confirmou a sentença em favor da família Santiago expedida pelo juiz da Comarca de Salinas. Entretanto, por medidada de segurança, a família aguarda a decisão em definitivo, pois ainda cabe recurso. Em julho, o prefeito de Salinas, durante a abertura do V Festival Mundial da Cachaça, assinou Decreto nº 3.728, reconhecendo a Cachaça Havana como Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas, fato inédido no Brasil. Leia a matéria na íntegra clicando no título acima (reportagem de Bianca Melo).

02/09/2006

"Cachaça não é rum, não"

A revista Carta Capital, uma das mais conceituadas do Brasil, publicou interessante reportagem sobre as dificuldades da cachaça no mercado externo, principalmente nos Estados Unidos, onde ainda é considerada rum, bebida caribenha. Clique no título acima e leia a matéria na íntegra (reportagem de Paula Pacheco).

01/09/2006

"Aprecie com moderação"

A revista de cultura brasileira RAIZ publicou interessante reportagem sobre a cachaça de Salinas. Vale a pena ler. Para isso, clique no título acima (reportagem de Afonso Capelas Jr.).

25/08/2006

Cachaça Havana é tombada como Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas


O prefeito de Salinas, José Antônio Prates, assinou Decreto nº 3.728, de 10 de julho de 2006, que reconhece a cachaça Havana, produzida no município desde 1946, pelo produtor Anísio Santiago (1912-2002), agora pelos sucessores, como Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas.

O decreto foi assinado durante a abertura do V Festival Mundial da Cachaça de Salinas, no dia 14 de julho de 2006 (que também teve o lançamento do livro O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago). É a primeira vez que uma marca de cachaça é tombada como patrimônio cultural no Brasil. Segundo o prefeito de Salinas, o título de Capital Mundial da Cachaça deve-se, em grande parte, ao pioneirismo do produtor Anísio Santiago e da sua lendária cachaça Havana. O produtor e a famosa marca vem tendo, desde a década de 1940, importância histórica no processo de divulgação da cachaça de alambique produzida na região de Salinas.

O tombamento da marca Havana é o reconhecimento do pioneirismo e trabalho do produtor Anísio Santiago e familiares que vem mantendo inalterado o processo original de produção da mais famosa e tradicional marca de cachaça de alambique do Brasil. A seguir, o texto do decreto:

DECRETO Nº 3.728, DE 10 DE JULHO DE 2006
INSTITUI A CACHAÇA DA MARCA "HAVANA" COMO PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DO MUNICÍPIO DE SALINAS E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.
O PREFEITO MUNICIPAL DE SALINAS, no uso de suas atribuições legais, e especialmente as que lhe são conferidas pelo artigo 90 da Lei Orgânica Municipal,
Considerando que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios proteger os documentos, obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos naturais notáveis eos sítios arqueológicos, bem como impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural,
DECRETA:
Art. 1º - Fica reconhcido como Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas o método de fabricação da cachaça "Havana", desenvolvido pelo Sr. Anísio Santiago em 1946 e cuja qualidade se mantém inalterada desde então.
Art. 2º - Fica, ainda, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Salinas a marca "Havana", designativa da cachaça referida no artigo 1º.
Art. 3º - A marca e o método referidos nos artigos anteriores gozam da especial proteção legal prevista no art. 216 da Constituição Federal e art. 208 da Constituição Estadual de Minas Gerais.
Art. 4º - O reconhecimento da cachaça Havana como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Salinas se deve pela identidade, memória da sociedade, além do seu modo de criar, fazer e viver.
Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Salinas, 10 de julho de 2006.
JOSÉ ANTÔNIO PRATES
Prefeito Municipal
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06/08/2006

"Poetas de Salinas - Antologia"


Acabo de ler o livro "Poetas de Salinas - Antologia", editado pela Academina de Letras de Salinas (2002). São 208 páginas de poemas em sua maioria inspirados em Salinas. Poetas como Veraldino Miranda, Antônio Salustiano, Maria Elza Sarmento (Sula), Lena Guimarães, Abdênago Lisboa, Danilo Borges, Milton Santiago, José Prates, Argeu Guimarães, Maria Helena Costa, dentre outros, com os seus poemas maravilhos, nos faz refletir intensamente sobre a nossa querida Salinas. A nossa terra não é melhor nem pior que outras cidades brasileiras... mas é a nossa terra, por isso a mais importante.
O que mais me impressionou no livro foi o texto do jornalista e poeta Veraldino Miranda, publicado no jornal "O SALINENSE", de 25/02/1928, que assim descreve Salinas da década de 1920:
"Salinas, redimida; terra invicta e forte, berço de tradicional liberdade; alcandorado ninho de patriotismo e de independência; coração e alma dos salinenses, nostsalgia e saudade dos ausentes. Ela, a altaneira cidade dos salinenses e dos brasileiros bons e nobres, hoje, numa vênia cortês e respeitosa, vos saúda, leitores do Brasil, por intermédio desta estreante folha-fruto inteligente desta plêiade ruidosa do moços ardorosos e altruístas que, representantes das passadas gerações, se armaram cavaleiros da Cruzada do Bem e do Progresso, em defesa do levantamento cada vez maior de seu estremecido torrão natal - relicário de carinho e de bondade.
Salinas, a terra sobranceira regada pelas águas rumorosas do rio do seu nome que lhe banha o casario pinturesco plantado a cavaleiro do seu leito majestoso, fortificado de portentosos açudes naturais que arremessam as suas correntes impetuosas por despenhadeiros graníticos e escabrosos, numa série intérmina de pequenas cataratas de fios alvinitentes; Salinas seio augusto de hospitalidade; ninho poético construído pelas mãos pródigas e fidalgas da natureza, que lhe plasmou os mais peregrinos e admiráveis aspectos físicos, não só panorâmicos como topográficos; Salinas, símbolo vivo de liberdade; esta forte geração hodierna, estuante de vida e civismo, festeja nesta data enunciada e tão ansiosamente esperada, o natal refulgente de seu filho espiritual - "O Salinense...".

27/07/2006

Livro é sucesso de lançamento em Salinas

O livro "O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago" foi sucesso de lançamento no V Festival Mundial da Cachaça de Salinas, no dia 14 de julho de 2006. O livro aborda a trajetória histórica da mais emblemática marca de cachaça de alambique do Brasil: a Havana-Anísio Santiago. No dia do lançamento, na abertura do V festival, o prefeito de Salinas, José Antônio Prates, declarou a CACHAÇA HAVANA, patrimônio cultural imaterial de Salinas, através do Decreto Municipal nº 3.728/06. O decreto é o reconhecimento do povo de Salinas ao produtor Anísio Santiago e a sua lendária marca de cachaça que ajudou consolidar, ao longo dos últimos sessenta anos, o município como importante região produtora de cachaça artesanal de qualidade. Confiram algumas fotos do lançamento do livro.






10/07/2006

Livros em dose dupla

A revista Globo Rural, edição de julho de 2006, no Tome Nota Sebrae, faz menção do lançamento dos livros Tecnologia da Cachaça de Alambique, de autoria de Amazile Biagioni e Eduardo Campelo, e o livro O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago, de autoria de Roberto C. M. Santiago, ocorrido na 9ª Expocachaça - BH, realizada em junho.
Fonte: Revista Globo Rural, edição nº 249, julho 2006, p. 84.

03/07/2006

Perigo no espaço!!!


No nosso cotidiano, estamos tão acostumados com os nossos problemas pessoais que esquecemos dos problemas externos que podem ser devastadores em nossas vidas.

Pouca gente sabe, mas um grande asteróide passou bem perto da Terra entre a noite de domingo e as primeiras horas desta segunda-feira (03/07/2006), mas não provocou problemas, segundo astrônomos. O asteróide, conhecido como 2004 XP14, passou a 432.820 quilômetros da Terra, pouco mais que a distância da Lua.

Os astrônomos pouco sabem sobre o corpo celeste, descoberto em 2004, mas calculam, com base na análise de seu brilho, que ele tenha aproximadamente 900 metros de largura. Mais de 35 asteróides passaram perto da Terra ao longo dos últimos anos, mas os cientistas dizem que o 2004 XP14 é um dos maiores.

Especialistas calculam que esse asteróide passará perto da Terra em mais dez oportunidades ao longo do século 21, mas não deverá representar uma ameaça em nenhuma dessas ocasiões.

Enquanto isso... vamos seguindo com a nossa vidinha. Mas que dá medo dá. Já imaginou um asteróide desse cair na terra? Adeus ilusões e desilusões. Quem viveu viveu e quem não viveu não terá outra oportunidade. Nós, terráqueos, estamos precisando nos preocupar mais com o nosso planeta, antes que seja tarde demais.

Fiasco da seleção brasileira na Copa 2006


Para os entendidos de futebol sabia-se que a seleção brasileira não iria longe na Copa 2006.

Primeiro, porque a seleção tinha no comando um técnico fraco e comprometido somente com os recordes de alguns de seus comandados (Ronaldo Fenônemo, Cafú e R. Carlos). Justamente os três que deveriam ser sacados do escrete desde o início, pois todos sabiam, menos o técnico, que não estavam bem tecnicamente. E, mais, o técnico aceitou a pressão dos veteranos para que fosses escalados nos jogos em detrimento de jogadores que estavam bem tecnicamente e mais jovens (Robinho, Fred, Cicinho e Gilberto).

Segundo, os jogadores acharam que poderiam ganhar a copa somente com o nome e com o oba-oba criado pela mídia (Rede Globo). Chegaram ao ponto de acreditar que a seleção de 2006 era melhor que a seleção de 1970. E o mais incrível, acharam que o jogador Cafú era mais importante para a seleção que o inigualável Pelé (dá vontade de rir!!).

Terceiro, na véspera do jogo com a França, alguns jogadores do Brasil estavam "batendo boca" com jogadores de Portugal com se já estivessem na semi-final, só que esqueçeram de combinar com os jogadores da França... e deu no que deu. É a soberba do futebol brasileiro!

Agora, entre as quatro seleções que estão na semi-final vou torcer pela seleção italiana, que não possui bom futebol tecnicamente, mas excelente no aspecto tático (neste quesito são os melhores do mundo). Os italianos merecem ser campeões... viva a azurra!!!

04/06/2006

Livro é sucesso de lançamento na 9ª Expocachaça - BH

O livro "O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago" foi sucesso de lançamento na 9ª Expocachaça - BH (02/06/2006), que teve o patrocínio do Sebrae/MG e Sindbebidas/MG (Fiemg). Abaixo, algumas fotos do coquetel de lançamento.






03/06/2006






02/06/2006

Lote extra da Havana será lançado com livro

A cachaça Havana, considerada uma das melhores do mundo e produzida nos municípios de Salinas e Novorizonte, será relançada simbolicamente hoje, em Belo Horizonte, durante a Expocachaça 2006, quando acontece também o lançamento do livro ‘O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago‘, de autoria de Roberto Carlos Morais Santiago, neto do criador da cachaça, Anísio Santiago.

Desde 2001 que a cachaça passou a usar o nome ‘Anísio Santiago‘, depois que a empresa européia Havana Club Holding registrou a marca ‘Havana‘ no Instituto Nacional de Propriedade Industrial e proibiu qualquer outra utilização desta marca. Em outubro do ano passado, o juiz Sérgio Versiane, de Salinas, concedeu liminar para que a família de Anísio Santiago voltasse a usar o nome Havana. Porém, os herdeiros decidiram que a marca será usada definitivamente somente depois de julgado o mérito da ação judicial.
A preciosidade da cachaça Havana pode ser medida pelo seu preço, que é de R$ 200,00 a garrafa vendida no próprio alambique, enquanto em grandes cachaçarias do país chega a custar até R$ 500,00. Outras cachaças oscilam de R$ 5,00 a R$ 30,00 a garrafa.

Apesar de Anísio Santiago ter morrido em dezembro de 2002, a família ainda tem estocado o produto produzido por ele mesmo, em tonéis, para os próximos 15 anos, dentro da escala de engarrafamento estabelecida por ele. João Ramos, genro do criador do produto, ressalta que existe cautela da família em razão das decisões judiciais que tramitam sobre este caso. Os rótulos com o nome ‘Havana‘ já estão impressos.
No livro que será lançado hoje, Roberto Carlos Morais Santiago mostra que, em 1942, o produtor Anísio Santiago comprou a Fazenda Havana, na zona rural de Salinas, conhecida como Serra dos Bois, e começou a produzir a cachaça com esta marca depois de um ano. Porém, ele sempre manteve um critério de qualidade nunca descoberto e somente repassado à família. A cachaça é envelhecida em tonéis de bálsamos por oito anos. O seu filho, Osvaldo Santiago, assumiu o alambique em dezembro de 2002, quando Anísio Santiago morreu.
Fonte: Jornal Hoje em Dia, 2/6/2006, página 8.

23/05/2006

Cachaça mais famosa do Brasil vira livro

Será lançado no dia 2 de junho, na 9ª Expocachaça em Belo Horizonte, livro que vem preencher lacuna existente na literatura da cachaça brasileira. Trata-se do Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago, em que o neto do inventor da Havana, Roberto Carlos Morais Santiago, aborda a história de sucesso da mais famosa e tradicional marca de cachaça artesanal do Brasil. Produzida em Salinas, desde a década de 1940, pelo lendário produtor Anísio Santiago.
Fonte: Jornal de Notícias (Montes Claros), 23/5/2006, página 1.

Servidor da SEF lança livro na Expocachaça

"O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago". Este é o título do livro que Roberto Carlos Morais Santiago, servidor fazendário da SEF/MG em exercício na AF - Montes Claros, lançará no dia 2 de junho próximo. O lançamento, patrocinado pelo Sebrae/MG e Sindbebidas/MG, será às 19 horas durante a 9ª Expocchaça, evento que acontece junto com a SuperAgro 2006, no Expominas, em Belo Horizonte. O autor é neto de Anísio Santiago, produtor da Havana, a mais famosa e tradicional cachaça artesanal do Brasil.
Fonte: Assessoria de Comunicação da SEF ( 23/05/2006).

21/04/2006

Brasil alcança a auto-suficiência em produção de petróleo


Com a inauguração da P-50, na bacia de Campos, no litoral norte do Rio de Janeiro, o Brasil alcança a produção diária de 1,9 milhões de barris/dia. O fato inclui o Brasil no rol dos poucos países com produção suficiente para atender demanda do mercado interno, garantindo segurança no abastecimento de combustível.

Com isso, a economia brasileira fica pouca exposta diretamente aos efeitos de crises externas provocadas por conflitos bélicos ou instabilidades na cotação do combustível que move a economia mundial.

O fato é que o Brasil está caminhando para se tornar numa potência mundial na produção de combustíveis, tendo em vista que também é grande produtor de álcool combustível. A matriz energética atual do país possibilita uma estabilidade macroeconômica jamais vista na sua história econômica. Do ponto de vista econômico, a auto-suficiência equivale a deixar de importar petróleo em cerca de 40 bilhões de dólares por ano, tendo reflexo positivo na balança comercial do país. Do ponto de vista social, a cadeia do petróleo já emprega mais de um milhão de pessoas e representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB).

Se o Brasil tiver bons governantes nos próximos vinte anos, o Brasil poderá se consolidar como uma das maiores economias do mundo e reduzir os seus baixos indicadores sociais, criando perspectiva de dias melhores para milhões de brasileiros excluídos. É o mínimo que se espera de um país que pouco oferece aos seus habitantes.

Últimas notícias!!!

Neto de Anísio Santiago faz livro sobre Havana

O economista Roberto Carlos Morais Santiago, que vem a ser neto do lendário Anísio Santiago, vai lançar em julho próximo, pela Editora Cuatiara, um livro sobre a mais famosa e tradicional marca de cachaça artesanal do Brasil, a Havana, hoje rebatizada com o nome do famoso mestre, por conta das artes e malasartes de uma grande multinacional de bebidas que reivindica na Justiça a propriedade da marca. O tema é absolutamente delicioso, assim como a cachaça que o velho Anísio começou a fabricar em Salinas, Minas Gerais, nos anos 40 do século passado. Além de contar a história do criador e de sua criação, o livro fala também de aspectos econômicos, culturais e históricos da cachaça brasileira, mineira e de Salinas, e tem ainda um glossário da cachaça para que o leitor possa entender o mundo fantástico da alquimia da nossa aguardente de cana. O Roberto publicou no seu blog http://www.robertosantiago.blogspot.com/ uma sinopse do livro, e pelo aperitivo a obra promete muito. Vale a pena dar uma lida, não só no resumo do trabalho como também no restante do conteúdo. O conselho da coluna é: não perca.

Fonte: http://cachacas.com/coluna_02.php (13/04/2006)

05/04/2006

Cruzeiro, campeão mineiro de 2006

A trajetória de sucesso do Cruzeiro a partir de 1990 é simplesmente fantástica. Desde então conquistou títulos oficiais em todos os anos, exceto em 2005, que passou em branco. O Cruzeiro, ao lado do São Paulo, é um dos clubes mais vitoriosos do futebol brasileiro. Na minha humilde opinião, as razões do sucesso do time mineiro são: saneamento financeiro, gerenciamento moderno, estrutura de futebol moderna, marca Cruzeiro forte e uma fantástica torcida que cresce a cada ano. É uma verdadeira china azul.

O cruzeiro inicia o ano de 2006 conquistando o estadual (34º quarto da história do campeonato mineiro) e tem tudo para conquistar a Copa do Brasil pela quinta vez. Esta é a sina vitoriosa de um dos clubes mais fantásticos do futebol mundial. VIVA O CRUZEIRO!!!!

Site do Cruzeiro: www.cruzeiro.com.br

17/03/2006

Salinas vai revitalizar centro


Ao acessar o site da prefeitura de Salinas (www.salinas.mg.gov.br), deparo com a feliz idéia do poder público municipal em promover a modernização da área central da cidade. De fato, o centro de Salinas está merecendo profundas reformas em virtude do enorme fluxo de pessoas e veículos. Como bom salinense (ausente), aproveito para dar alguns palpites:
  • por que não transferir o mercado municipal para outra região da cidade? No lugar do mercado poderia ser construída uma bela praça (aliás, Salinas possui poucas praças). O mercado em outro lugar poderia servir como apoio para direcionar o crescimento da cidade e, assim, desafogar o centro. A nova rodoviária, por exemplo, certamente promoverá o crescimento urbano e econômico daquela região.
  • por que não construir nova ponte no rio Salinas ligando a rua Araçuaí com a avenida Maroto Ferreira? A nova ponte daria nova dinâmica ao tumultuado trânsito do centro de Salinas.

O congestionamento no centro de Salinas é provocado, não só pelo aumento do fluxo de veículos ao longo dos últimos anos, mas, também, pelo traço urbanístico da cidade que é arcaico e ultrapassado. O fato é que a cidade cresceu de forma desordenada e, até o presente momento, nada foi feito em prol da cidade.

De qualquer forma, a prefeitura está de parabéns pela iniciativa. Salinas precisa pensar no seu futuro. Ao contrário do que muitos pensam, Salinas é dos mais prósperos municípios do Norte de Minas Gerais. É o sexto município em arrecacação de ICMS (em universo de cerca de 85 municípios) e o principal pólo nacional de produção de cachaça artesanal de qualidade, além de ter um comércio forte e atuante em toda a região.

Portanto, precisa dotar a cidade de melhor estrutura urbanística para dar melhor condição de vida aos seus cidadãos, atrair novos investimentos e melhor atender aos turistas que estão sempre visitando a cidade. Salinas merece.

E-mail: rcmsantiago@gmail.com

08/03/2006

Cachaça de 8 a 80 (ou 250)


Fonte: revista VEJA, 19 de março 2003, pág. 98.

"Nas últimas décadas, a produção nacional de cachaça se sofisticou muito. Com isso, o preço de uma garrafa de caninha popular pode ser ultrapassado em até 100 vezes pelo de um produto de grife. É alta a demanda por algumas marcas artesanais, cuja qualidade decorre, em parte, da facilidade de controlar a pequena produção. Com o que custa uma garrafa de Anísio Santiago (que no passado se chamava Havana), é possível comprar 1 litro de uísque 15 anos."
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O gênio da garrafa

Foto: Mauro Holanda

Texto extraido da revista PLAYBOY (edição de março 2000, pág. 103)
Reportagem de EDUARDO BURCKHARDT


"SALINAS tem um gênio. Ele usa congas recortadas nas laterais, para conforto dos calos, e veste camisas furadas pela brasa do cigarro. Com 88 anos e aparentando bem menos, avesso a entrevistas, Anísio Santiago acordou de bom humor na manhã em que contou a PLAYBOY como produz a melhor cachaça do Brasil e do mundo. A prosa fácil ajudou a desfazer a aura de esquisitice que cerca o velho mito local. De fato, Anísio coleciona excentricidades: raramente deixa alguém tocar no seu caminhão Chevrolet 1947 original; nunca, nunca tira fotos; e tem um cachorro que só mostra os dentes depois das 6 horas da tarde. Por trás das rabujices surge um irresistível amante da música caipira, festa junina e futebol.

Mais interessado em falar sobre sua roça de milho, que "desenvolve igual moça, de uma hora para outra", Anísio revela o segredo da Havana entre seus causos. "Não se pode ter usura", ensina. "Deve ter paciência e capricho." Paciência para esperar que a cana Java, antiga, cresça sem a ajuda de químicos e para deixar que o fermento, à base de cana triturada e farinha de milho torrado, "faça arder" a garapa naturalmente. Capricho ao lavar as peças de cobre e na construção do alambique, meticulosamente planejado.

Paciência também não pode faltar aos interessados na Havana. Com uma produção ínfima de 5 mil litros por ano, é preciso perseverança para achar garrafas de Havana. Algumas são encontrdas com os empregados de Anísio, que recebem o salário em litros de cachaça. Outras, também poucas, estão em lojas especializadas, a preços de até 150 reais. Neste caso vale o alerta ao capricho. Verifique se ela não é mais uma das incontáveis falsificações da bebida produzida pelo gênio de Salinas."
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Cachaça rara


Fonte: revista PLAYBOY (edição de maio 2003, pág. 17)
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Salinas: a cachaça como destino


A revista RAIZ (edição nº 1, novembro 2005, pág. 64-71) fez uma visita a Salinas para conhecer os segredos da cachaça ali produzida. A seguir, alguns trechos da reportagem intitulada "Aprecie com moderação":

"MUITA PACIÊNCIA, NENHUMA USURA. Em vida, o fazendeiro Anísio Santiago tinha prazer em repetir à exaustão o lema que considerava ser o verdadeiro responsável pelo espírito da cachaça artesanal que produziu desde 1943, em Salinas, Minas Gerais. Era assim, sem pressa nem pretensão de enriquecer, que o velho Anísio destilava seu precioso líquido, a aguardente Havana (atual Anísio Santiago). Quem já teve o privilégio de molhar a boca com esse néctar dos deuses sabe que não é uma bebida qualquer. Cada gole da Havana corresponde a sorver uma fina tradição regional que envolve desde o plantio da cana-de-açúcar, o corte manual, seu paciente transporte em rústicos carros de boi, até o engarafamento da bebida.

É dessa forma que Salinas provêm cerca de 50 marcas, apreciadas em vários países. Canarinha, Asa Branca, Erva-Doce, Seleta, Saliboa, Boazinha, Beija-Flor, Cubana. Mas apesar da grande quantidade de nomes, a qualidade se mantém com produções mínimas. Dos quase 2 bilhões de litros que o Brasil produz todos os anos, apenas 3 milhões saem das pequenas destilarias de Salinas
."
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Cachaça em alta


A revista PLAYBOY (edição de dezembro 2004, pág. 98-100) traz interessante reportagem sobre a mais genuína bebida brasileira intitulada "A vez da cachaça". A reportagem afirma que a cachaça vem se consolidando no mercado interno e, sobretudo, no mercado externo, principalmente na Europa. Na Alemanha já é a segunda bebida mais consumida, perdendo somente para a cerveja. A partir da década de 1980, a cachaça, sobretudo a artesanal, produzida em pequena escala de produção nas fazendas do interior do Brasil, aboliu o preconceiro em torno da"marvada". PLAYBOY diz que "Essa iniciativa começou precisamente em Salinas, no Norte de Minas Gerais. Ali, nos anos 50 (século XX), o fazendeiro Anísio Santiago aproveitou-se de um pequeno canavial para produzir a cachaça que chamaria de Havana. De tão boa, logo não conseguia mais que sua cachaça participasse de concursos de degustação para não desestimular outros produtores, que correram atrás desse sucesso. Hoje, as dezenas de rótulos "made in Salinas" são as mais procuradas em bares especializados, as cachaçarais que pipocam pelo país."
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Revista PLAYBOY elege as melhores cachaças do Brasil


A revista PLAYBOY (edição de agosto 2003, pág. 92-96) elegeu as 28 melhores cachaças do Brasil, por categoria: cachaça industrial:(Caninha 21, Oncinha, Caninha 51, Ypióca, Vila Velha, Pitú, Caninha da Roça, Jamel, Velho Barreiro e Canhinha 61); cachaça de alambique:(Samba & Cana, Vale Verde, Reserva do Gerente, Velho Pescador, Volúpia, Maré Alta, Abaíra, Armazém Vieira "esmeralda", Seleta, Germana, Atitude e Salinas); cachaça premium: (GRM, Piragibana, Armazém Vieira "ônix", Germana, Anísio Santiago (ex-Havana) e Alambique de Barro).
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As melhores cachaças do Brasil


A revista PLAYBOY (edição de abril de 1990, pág. 66-69), em reportagem intitulada "Cachaça com toda nobreza" fez teste de degustação das melhores cachaças artesanais do Brasil. A cachaça Havana ficou classificada em primeiro lugar (com 42,37 pontos num total possível de 50). A reportagem traz o seguinte comentário sobre a famosa marca: "Campeã de degustação,a Havana traduz muito bem a tradição artesanal de uma família que há mais de 50 anos faz boas cachaças. Fabricada por Anísio Santiago em sua fazenda Havana, na cidade de Salinas, essa purinha conta entre seus apreciadores com personalidades que vão do senador Severo Gomes ao verde Fernando Gabeira, do ator Walmor Chagas ao ex-governador mineiro Hélio Garcia. (...) A Havana poder custar o equivalente a um uísque 12 anos. Um bom preço por tanta qualidade e tradição."
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21/02/2006

Retorno da marca Havana


A Justiça do Estado de Minas Gerais, através do juiz da Comarca de Salinas, concedeu em outubro de 2005, tutela antecipada à família Santiago, até julgamento do mérito, o direito de novamente usar o nome Havana no rótulo da cachaça Anísio Santiago, produzida em Salinas desde a década de 1940, pelo lendário produtor Anísio Santiago (1912-2002), agora pelos seus sucessores. O retorno da marca cachaça Havana vem resgatar um dos maiores patrimônios culturais da história da cachaça brasileira e mineira em face de sua tradição, notoriedade, fama e qualidade.

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16/01/2006

O caos no centro de Montes Claros

Montes Claros figura como a sexta maior cidade de Minas Gerais em população, com cerca de 350 mil habitantes. Segundo a Fundação João Pinheiro (FJP), em 2003, pela ótica do Produto Interno Bruto (PIB), figura em nono lugar entre as dez economias mais ricas do Estado com cerca de 1,84 bilhões de reais. Não há, num raio de 400 quilômetros, cidade que rivalize, economicamente e politicamente com Montes Claros. Exerce influência em toda a região norte-mineira e Sul da Bahia.

Entretanto, como toda cidade grande, possui problemas estruturais de toda ordem. Na minha humilde opinião, um dos principais problemas da cidade está localizado na sua região central composta por ruas estreitas e extremamente mal conservadas. O fluxo de pessoas e veículos é intenso e o desconforto é visível. É um verdadeiro caos e nada se faz para resolver o problema.

É fato concreto e notório que os problemas estruturais da região central de Montes Claros são conseqüência da inércia do poder público municipal ao longo das últimas décadas. Nunca houve, na história recente da cidade, autoridade do poder público municipal que resolvesse de forma objetiva e eficaz, os problemas do centro da cidade que são de toda ordem.

As ruas precisam, urgentemente, de reforma geral, inclusive com nova pavimentação e padronização das calçadas. Motivo? O centro é uma região onde toda a população da cidade efetivamente utiliza e merece atenção e respeito. Caso as autoridades não saibam, é a população, revestida na condição de consumidor, contribuinte e eleitor, que recolhe tributos aos cofres públicos do município, que nada recebe em troca, em flagrante desrespeito ao seu maior patrimônio: a sua população.

As avenidas que dão acesso ao centro precisam de maior dinamismo, inclusive com a construção de novas avenidas. Nas últimas eleições, um candidato apresentou proposta de transformar a linha férrea em avenida com o objetivo de dar novo dinamismo urbano para a cidade. A idéia é excelente, mas precisa sair do papel.

As ruas São Francisco e Simeão Ribeiro, utilizadas somente por pedestres, precisam passar por profundas reformas para melhor conforto dos transeuntes. A prefeitura e a CDL poderiam fazer parceria e revitalizá-las. Serviria de inspiração para a revitalização de outras ruas em parceria com empresários do setor comercial.

Por incrível que pareça, o poder público municipal não consegue resolver problemas simples como o dos ciclistas que atormentam a vida dos pedestres, que circulam livremente na contramão e estacionam as suas bicicletas nas calçadas estreitas. A solução? Criar estacionamentos para bicicletas, a exemplo dos locais de estacionamentos para moto-taxi e táxi. A bicicleta que fosse flagrada estacionada fora do estacionamento a ela destinada seria recolhida e somente liberada mediante pagamento de multa mesmo que simbólica. É uma solução simples e não requer aporte grande de recurso público para solucionar o problema. A população iria agradecer muito.

Outro problema é o transporte coletivo. Além de ineficiente, atormenta o trânsito caótico da região central. Parte do problema poderia ser resolvido com a construção de terminal rodoviário para transporte coletivo na metade da praça de Esportes. Na outra metade da praça poderia ser construída uma bela praça pública, vez que atualmente a praça não tem qualquer utilidade. A população carece de mais espaço público. As poucas praças existentes estão mal-conservadas, exceto a praça Dr. Carlos, que passou por recente reforma.

Resumindo, apesar da pujância econômica e política da cidade, percebe-se a omissão do poder público municipal em dar solução definitiva aos sérios problemas do centro da cidade, confirmando, historicamente, uma visão amadora, míope e simplória dos problemas. Montes Claros tornou-se uma grande cidade e precisa aliar crescimento com desenvolvimento em prol de uma melhor qualidade de vida para seus habitantes.

07/03/2005

Anísio Santiago: prêmio Mérito Industrial 2004-FIEMG


A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) concedeu o prêmio Mérito Industrial - 2004 (Post Mortem) ao produtor Anísio Santiago (1912-2002) pela sua contribuição no processo de valorização da cachaça artesanal mineira e brasileira através da cachaça Havana-Anísio Santiago, produzida com esmero e capricho desde a década de 1940, na Fazenda Havana (Salinas - MG).
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03/02/2003

SALINAS, A "HIGHLANDS" DA CACHAÇA MINEIRA

Por ROBERTO CARLOS MORAIS ANTIAGO

A cachaça artesanal, bebida genuinamente brasileira, está na moda. É a mais brasileria das bebidas, sendo sendo consumida desde o Século XVI, no período colonial. É a segunda bebida mais consumida do Brasil, perdendo apenas para a cerveja.

Discriminada por muito tempo, enfim é reconhecida como um bom destilado pela classe média e alta brasileira, onde o seu consumo vem aumentando de forma significativa. Outros consumidores estão descobrindo o sabor dessa bebida, como os europeus e norte-americanos.
O consumo da cachaça está se ampliando nos bares, restaurantes, residências e colecionadores particulares. Algumas marcas viraram artigos de luxo, como é o caso da cachaça Havana-Anísio Santiago, produzida em Salinas (MG), que tem presença garantida nas cerimônias oficiais do Palácio do Planalto em Brasília e é considerada a cachaçaartesanal mais elitizada do Brasil.
Segundo a Ampaq – Associação Mineira dos Produtores de Cachaça Artesanal, Minas Gerais detém 6% da produção nacional de cachaça. Existem mais de 8 mil alambiques em todo o território mineiro. Algumas mesorregiões como o Vale do Jequitinhonha, Norte de Minas e Rio Doce, são consideradas as mais tradicionais no processo de produção.
Entretanto, é em Salinas, localizada no Norte de Minas, que são encontradas as cachaças mais tradicionais do Brasil. Ali são produzidas marcas famosas como a Asa Branca, Beija-Flor, Boazinha, Canarinha, Cubana, Erva Doce, Fabulosa, Havana-Anísio Santiago, Indaiazinha, Java, Lua Cheia, Meia Lua, Salinas, Salineira, Seleta, dentre outras. Atualmente, já são mais de 40 marcas oficiais e mais de 120 produtores, gerando emprego, renda aos produtores e incrementando a economia local.
A cachaça produzida em Salinas revela uma bebida nobre como o legítimo uísque escoçês e a tradição de um vinho francês. A cachaça ali produzida segue todas as etapas do modo artesanal de produção, sendo produzida em alambiques de cobre e envelhecida em tonéis de madeira das mais variadas procedências.
O solo de calcário arenoso, clima semi-árido, altitude média de 700 metros, a utilização de variedades de cana-de-açúcar apropriadas e fermento orgânico natural e a obsessiva higiene nos alambiques, são fatores que fazem a diferença no processo de produção.
Ancorada pela cachaça Havana-Anísio Santiago, marca pioneria e mais tradicional de Salinas, as marcas do município distribuem, anualmente, mais de 3 milhões de litros de cachaça de altíssima qualidade no mercado brasileiro e exterior.
A existência de uma marca consolidada nacionalmente como a Havana-Anísio Santiago, produzida desde a década de 1940, tornou-se fator determinante capaz de diferenciar um produto agroartesanal no mercado nacional, onde existem milhares de marcas comercializadas. Salinas tornou-se referência nacional na produção de cachaça artesanal.
Hoje, a cachaça produzida em Salinas é uma das mais consumidas em todo o país. Nestes tempos de globalização, as economias locais precisam de marca que consolide a referência da sua estrutura de produção. Neste aspecto, a cachaça artesanal é a marca que representa a origem e a sua tradição de Salinas, atraindo a atenção de consumidores e turistas do Brasil e do mundo.
Em Minas Gerais, algumas cidades possuem símbolos que retratam a sua cultura, como: Belo Horizonte com a Serra do Curral; Ouro Preto e Diamantina com os casarões históricos; Governador Valadares com o pico do Ibituruna; Araxá com seu grande hotel; São Lourenço com as suas estâncias hidrominerais. Por sua vez, Salinas possui a cachaça como seu símbolo, legítima representante da sua cultura e tradição.
Se ao norte da Escócia, nas terras altas denominadas “highlands”, fabrica-se o mais tradicional uísque escoçês, pode-se afirmar que em Minas Gerais, nas terras de Salinas, fabrica-se a melhor cachaça artesanal brasileira.
03/02/2003