11/09/2010

Filme-documentário "Devotos da Cachaça"

Por Roberto Carlos Morais Santiago

Será lançado no Rio de Janeiro, no dia 15 de setembro de 2010 (Cine Botequim - Rua Conselheiro Saraiva, 39 - Centro) filme-documentário sobre a cachaça brasileira intitulado "Devotos da Cachaça". O documentário é uma produção de Lenir Costa e direção de Dirley Fernandes. A cachaça de Salinas está presente no documentário através de imagens e depoimentos dos produtores Osvaldo Santiago (Havana/Anísio Santiago) e Antônio Rodrigues (Seleta e Boazinha), bem como produtores de marcas de Minas Gerais.

Abaixo sinopse do documentário enviado pelos produtores do documentário para divulgação:

"O filme se propõe a mostrar a profunda relação da cachaça com a alma brasileira, exemplificada pela penetração da bebida nacional na música, na literatura, nas artes plásticas e até mesmo nas festas religiosas populares, do que é prova o Baile da Aguardente, auto recolhido do século XIX e remontado no documentário, com música original.

O filme-documentário é organizado em "torno de três grandes eixos – a história, a produção e a 'devoção' à bebida de excelência que nada deixa a dever a quaisquer dos mais conceituados destilados – Devotos da Cachaça, ao mesmo tempo que celebra a bebida nacional, flagra o momento de valorização pelo qual ela vem passando nos anos mais recentes."

Através de entrevistas com pesquisadores, o documentário se inicia traçando a rota do
líquido que começou a ser produzido no século XVI e serviu como moeda de troca com
mercadores de escravos africanos, causou uma revolta popular com sua proibição no século
XVII e simbolizou a liberdade durante a Inconfidência Mineira.

Segue mostrando o cenário da produção atual e perfilando produtores icônicos, como Osvaldo Santiago (Anísio Santiago/ Havana), Luís Otávio Gonçalves (Vale Verde), Antonio Rodrigues (Seleta), Eduardo Mello (Coqueiro) e João Luiz Faria (Magnífica), levando o espectador a um mergulho no universo vasto que envolve a produção da cachaça artesanal brasileira. E termina, em ritmo de louvação ao consumo consciente e às perspectivas de futuro da cachaça como produto de exportação cuja qualidade só vem melhorando desde os anos 80.

Devotos da Cachaça é uma produção totalmente independente e nasceu da vontade de Lenir Costa, proprietária de uma pequena cachaçaria na Barra da Tijuca, no Rio, mostrar um pouco do que é a bebida, para além do tradicional preconceito que faz com que seu consumo seja visto como um hábito moralmente degradante e insalubre. 

A pesquisa e roteirização, bem como a direção, ficou a cargo de Dirley Fernandes, jornalista com vinte anos de experiência profissional, com uma trajetória marcada pela defesa da cultura popular
brasileira. Para o realizador, falar da cachaça foi lançar um olhar a um Brasil sobretudo interiorano, orgulhoso, multifacetado e cheio de possibilidades.

A busca pela cachaça e suas interações com a cultura brasileira passou por locais como Rio de Janeiro, Paraty e Miguel Pereira (RJ), Betim, Carangola, Sete Lagoas e Salinas (MG). Foram quatro meses de pesquisa, dois anos de filmagens e mais oito meses de edição até que o filme ficasse pronto.

A equipe de Devotos da Cachaça foi a primeira autorizadas a filmar na Fazenda Havana, que produz, em edição limitadíssima, a melhor cachaça do mundo (vendida nos grandes centros a mais de R$ 300 a garrafa) e conta ainda com imagens de presépios da maior coleção de arte popular do país, a de João Maurício Pinho (MAM), e desenhos originais de Renato Molinaro.

A participação dos cantores Pedro Paulo Malta e Alfredo del Penho empresta mais brilho a uma trilha sonora que ilustra com muita propriedade a presença da cachaça nas representações do imaginário popular brasileiro e abarca desde uma cançoneta da primeira década do século (A Cachaça), passando por choro de Pixinguinha (Aí, seu pinguça), marchas, rojão de Jackson do Pandeiro (Quem não sabe beber...), samba-enredo do Salgueiro, samba rural e samba contemporâneo.

Os pastores do Baile da Aguardente são vividos por Alessandra Lima e Érika Arruda, além de Wlademir Frazão, também autor da música. A edição é de Georges Racz e a produção, de Anna Maria Silva e Rosário Alcazar."

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